

Destino Tentador

Nora Roberts

Segundo volume da srie Os MacGregors






Digitalizao e reviso: Cris Paiva

Soberana  a minha raa!
Antigo cl das Terras Altas da Esccia, os MacGregors tm um passado de romances e aventuras, e o patriarca Daniel MacGregor honra sua herana e a histria de sua
linhagem. Assim, quer v-la perpetuada por seus descendentes. Dando uma pequena ajuda ao destino, ele se esfora para que seus filhos encontrem companheiros  altura
dos MacGregors. Afinal, soberana  a sua raa, e um bom sangue faz uma linhagem forte!
Esta  a histria de Caine MacGregor e Diana Blade, dois talentosos advogados cujos caminhos se cruzam mesmo sem a interferncia de Daniel. Ela deseja apenas acertar
as contas com seu irmo, Justin, mas  recebida em Atlantic City por Caine, que a ajuda a lidar com suas mgoas e frustraes, e se prova bem diferente de sua terrvel
reputao nos tribunais. Ele no faz questo de esconder o que sente por ela, e a conquista arrebatadoramente, mas Diana sabe que precisa superar os prprios medos
antes de se entregar ao amor.


Na defesa do amor, todos os argumentos so vlidos...
O advogado Caine MacGregor tem a reputao de ser um demnio no tribunal... e insupervel na cama. Seu maior desafio  domar a geniosa Diana Blade, e libertar a
mulher apaixonada que existe dentro dela. Quando Diana aceita a proposta de trabalhar com ele em seu escritrio, est a um passo de se tomar mais do que sua scia
nos negcios...
Ser Caine capaz de convenc-la a arriscar tudo pelo amor de um MacGregor?
Destino tentador, segundo volume da srie Os MacGregors,  a continuao de uma das mais famosas sagas de famlia, que consagrou Nora Roberts como um dos grandes
gnios do romance contemporneo e a tornou um fenmeno do mercado editorial em todo o mundo.

PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES II B.V./S..r.l,

Todos os direitos reservados. Proibidos a reproduo, o armazenamento
 ou a transmisso, no todo ou em parte, por quaisquer meios.

Todos os personagens desta obra so fictcios.
Qualquer semelhana com pessoas vivas ou mortas  mera coincidncia.

Copyright (c) 1985 by Nora Roberts

Originalmente publicado em 1985 por Silhouette Special Edition

Ttulo original: TEMPTING FATE
impresso:
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Um

Diana estudou a formao de nuvens abaixo e questionou-se se a viagem que estava fazendo tinha sido calculada ou um mero impulso. Embora o avio fosse aterrissar
em menos de trinta minutos, ainda estava incerta.
Fazia quase vinte anos que no via seu irmo. Pensava nele como um adolescente distante, empolgado e carinhoso. Amara-o com toda a intensidade que uma menininha
de seis anos podia amar um garoto de dezesseis.
A imagem que tinha do irmo estava congelada no passado... um jovem bonito com cabelos escuros e olhos verdes. Lembrava-se de um ar arrogante de orgulho e auto-suficincia.
Ele era solitrio. Mesmo aos seis anos, Diana entendera que Justin Blade seguiria seu prprio caminho.
Com um suspiro, recostou-se no assento confortvel da primeira classe. Justin certamente tinha seguido o prprio caminho vinte anos atrs. Quando os pais deles morreram, 
ele a confortara, Diana supunha. Mas na poca estava muito confusa para entender. Pensava que os pais haviam morrido por sua causa. Se fosse comportada e prestasse 
ateno s aulas, seus pais voltariam. Ento, tia Adelaide chegou e Justin partiu. Por meses, ela acreditou que ele tinha ido para o cu, tambm, cansado das lgrimas 
e perguntas da irm. A tia a levara para o leste, para um mundo e uma vida diferente. E duas dcadas se passaram sem que Justin a contatasse.
Ento, agora ele estava casado, pensou Diana. Talvez porque ainda o visse como adolescente, no conseguia imagina-lo como marido. Serena MacGregor, repetiu o nome 
silenciosamente. Estranho ter uma cunhada quando mal sentia que tinha um irmo.
Oh, sabia alguma coisa sobre os MacGregors. Tia Adelaide no consideraria a sua educao completa se Diana no conhecesse a histria de uma das principais famlias 
do pas... particularmente quando moravam perto o bastante de Boston para serem consideradas vizinhas.
Daniel MacGregor era o patriarca, um escocs de puro sangue e mago financeiro. Anna MacGregor, sua esposa, uma cirurgi altamente respeitada. Alan, o filho mais 
velho, era senador dos Estados Unidos.
Caine MacGregor. Diana parou sua lista mental. Embora ele tivesse cerca de 3O anos, ela ouvira o nome dele nos corredores da Universidade de Direito de Harvard. 
Tanto ela quanto Caine haviam escolhido a advocacia e Diana estudara para a mesma profisso e andara pelos mesmos corredores. Ele se formara um ano antes que ela 
ingressasse e j tinha comeado o que parecia ser uma carreira brilhante.
Na poca da faculdade, Diana tinha ouvido muitos comentrios sobre Caine. O inestimvel MacGregor era altamente mulherengo.
Ento havia Serena, aparentemente uma mulher brilhante... caracterstica que parecia estar presente nos genes MacGregor. Ela se formara em Smith com honras, ento 
passara os anos seguintes acumulando diplomas. Parecia um par estranho para Justin Blade.
Por um momento, Diana considerou se teria ido ao casamento deles caso estivesse no pas. Sim, decidiu. Era curiosa demais para no comparecer. Afinal, estava indo 
para Atlantic City agora principalmente por curiosidade. Mas tambm, teria sido infantilidade e rudeza recusar o convite que Serena lhe enviara. Havia duas coisas 
que tia Adelaide lhe ensinara: no ser infantil nem rude com as pessoas. Diana esqueceu a tia e abriu a carta de Serena.

Querida Diana,
Fiquei muito desapontada por voc no ter podido vir ao casamento, no ltimo outono, porque estava em Paris. Eu sempre quis uma irm, e agora que tenho uma,  frustrante 
no poder apreci-la. Justin fala de voc, mas as lembranas dele so de quando voc era garotinha, e quero conhec-la pessoalmente. Justin tambm est ansioso para 
ver a mulher na qual voc se transformou depois de todos esses anos.
Juntamente com essa carta, estou lhe enviando uma passagem de avio. Por favor, venha e seja nossa hspede no Hotel Comanche por quanto tempo quiser. Voc e Justin 
tm muitas coisas para pr em dia, e eu tenho uma irm para conhecer.
Rena.

Diana arqueou uma sobrancelha enquanto dobrava a carta. Carinhosa, aberta, amigvel, pensou. No era o tipo de mulher que imaginava
Ela provavelmente no apareceria, pensou Caine quando andou em direo ao terminal. Uma vez que Diana Blade no respondera a carta de Serena, ele no entendia por 
que sua irm tinha tanta certeza que ela estaria no avio. E por que ele tinha se permitido fazer o papel de motorista?
Rena teria ido se o movimento no hotel no estivesse to grande, lembrou. E desde o inferno pelo qual haviam passado poucos meses atrs, com Justin. Ento riu. Nem 
mesmo conhecia o homem chamado Justin Blade.
Se houvesse uma parte em si que queria conhec-lo, ela enterrara h muito tempo. Precisara fazer isso para sobreviver no mundo de sua tia. Mesmo agora, se tia Adelaide 
soubesse que ela estava indo passar um tempo com Justin num hotel de jogos, ficaria horrorizada.
Diana olhou para as nuvens novamente. No importava, pensou. Encontraria seu irmo e a esposa, satisfaria sua curiosidade e depois partiria. A garotinha que idolatrara 
Justin sem questionamento no existia mais. Tinha a prpria vida, sua carreira. A relao dos dois estava estagnada h muito tempo. Era ano-novo, lembrou-se. A poca 
perfeita para renovaes.
Caine vinha atendendo os desejos da irm. Caso contrrio, estaria esquiando no Colorado, em vez de em uma praia em pleno inverno.
Uma rajada de vento moveu a gola de seu casaco quando ele chegou  entrada do terminal. Uma loira elegante passou e o olhou de cima a baixo. Ele deu um sorriso breve 
antes que a moa se afastasse.
Magro, com feies fortes, olhos que beiravam a cor violeta e cabelos loiros com mechas douradas, Caine tinha conscincia de sua boa aparncia e se sentia bem com 
isso.
Continuou andando ao longo do terminal. Com uma breve olhada no monitor, checou o porto de sada do vo de Boston. Ento, sentou para esperar a mulher que provavelmente 
no apareceria.
Quando a chegada foi anunciada, acendeu um cigarro. Esperaria at que o ltimo passageiro descesse, depois voltaria para o hotel. Serena ficaria satisfeita, e ele 
passaria a tarde na academia de ginstica. Desde que se formara como advogado e comeara a trabalhar, no tinha tempo para um dia de lazer, muito menos para um fim 
de semana inteiro.
Os prximos sete dias, contudo, seriam dedicados a no fazer nada. No pensaria no caos de seu escritrio, ou nos casos que teria de recusar depois porque no haveria 
horas suficientes no dia.
Caine a reconheceu no minuto em que a viu. As mas salientes do rosto eram muito parecidas com as de Justin, assim como o tom de pele quase dourado. A herana indgena 
que eles compartilhavam era talvez at mais aparente na irm. Os olhos no eram verdes como os de Justin, mas de um rico castanho- escuro. Olhos de camelo, pensou 
Caine quando se levantou. Clios longos e plpebras que pareciam sonolentas. O nariz era reto e aristocrtico, a boca, desejosa. No era um rosto que um homem poderia 
esquecer facilmente. Bonita, atraente, sexy.
Quando Diana trocou a sacola de brao, os cabelos pretos balanaram, sem tocar os ombros. Os cabelos lisos estavam soltos, e havia uma franja sobre a testa, um estilo 
que combinava com ela.
Sem ser notado, Caine observou-lhe o corpo. Quadris estreitos, cintura fina e ombros de nadadora. Andava como uma danarina, confiante, com ritmo, e quando ele parou 
 sua frente, ela o olhou brevemente, sem demonstrar interesse.
- Com licena - murmurou, como se ele estivesse em seu caminho.
Interessante, pensou Caine, e no se incomodou em sorrir.
- Diana Blade? Ela franziu o cenho. 
- Sim?
- Sou Caine MacGregor, irmo de Rena. - Olhando-a fixamente, ele estendeu a mo.
Ento, aquele era o terrvel MacGregor, pensou Diana, aceitando a mo oferecida.
- Prazer. - O aperto de mo firme enviou-lhe um estranho arrepio pelo brao. Diana o reconheceu, quebrou o contato e o esqueceu.
- Rena teria vindo pessoalmente - continuou ele - mas houve um imprevisto no hotel. - Porque era um homem que podia ser diplomtico, falou enquanto tentava pegar 
a sacola do ombro dela: - Eu no esperava que voc viesse.
- No? - Diana manteve a mo na ala da sacola, impedindo que ele a pegasse. - E a sua irm?
Caine considerou lutar pela sacola. Alguma coisa naqueles olhos sonolentos o fazia querer irrit-la. Dando de ombros, baixou a mo.
- Ela tinha certeza de que voc viria. Rena acredita que todos possuem fortes sentimentos familiares. - Ele sorriu antes de segurar-lhe o brao. - Vamos pegar as 
suas malas.
Diana permitiu que ele a conduzisse pelo corredor congestionado, enquanto mantinha a mente alerta.                                                         
- Voc no simpatizou comigo, no , sr. MacGregor?
Caine arqueou as sobrancelhas, mas nem mesmo a olhou.
- No conheo voc. Mas j que  da famlia, por que no deixamos de formalidades?
Diana pensou em um dos motivos pelos quais ele era to bem-sucedido na profisso. A voz era muito rica, melodiosa, mas firme.
- Tudo bem - concordou ela. - Diga-me, Caine, se no estava me esperando, como sabia quem eu era?
- Voc  muito parecida com Justin.
- Verdade? - murmurou ela quando pararam diante da esteira de malas.
Caine a estudou novamente com a mesma intensidade de antes. No podia identificar bem o sotaque dela, mas lembrava um pouco o francs. Perguntou-se se combinava 
com Diana tanto quanto o belo casaco de l.
- A semelhana familiar est presente - comentou. - Mas acho que seria menos aparente se vocs ficassem lado a lado.
- Isso  algo que tive poucas oportunidades de fazer - respondeu ela, e indicou suas malas com um gesto da mo.
Acostumada com empregados, concluiu Caine quando pegou as duas malas de couro.
- Tenho certeza de que Justin ficar feliz em v-la depois de tantos anos.
-  possvel. Voc parece gostar bastante dele.
- Eu o conheo h dez anos. Era meu amigo antes de se tornar meu cunhado.
Ela queria perguntar como Justin era, mas conteve-se. Tinha sua prpria opinio. Se fosse mud-la, no seria pelas influncias de Caine ou de qualquer outra pessoa.
- Voc vai ficar hospedada no Comanche?
- Por uma semana.
Assim que saram no ar frio de janeiro, Diana automaticamente enfiou as mos nos bolsos do casaco. O cu estava azul, e as ruas escorregadias com a neve derretida.
- No  uma poca do ano estranha para tirar frias na praia?
- Para alguns. - O vento levou cabelos aos olhos de Caine, mas ele no pareceu notar. - Muitas pessoas vm para jogar. O clima no importa quando voc est dentro 
de um cassino.
Diana inclinou o rosto para fit-lo.
- Foi para isso que voc veio?
- No particularmente. - Ele olhou para baixo e descobriu que o sol dava um brilho levemente dourado aos olhos dela. - Gosto de um jogo ocasionalmente, mas Rena 
 a jogadora da famlia.
- Ento, ela e Justin devem combinar bastante.
Caine ps as malas no cho e tirou a chave do bolso.
- Deixarei que voc decida isso por si mesma. Sem falar, colocou a bagagem no porta-malas, e depois abriu o carro. - Diana... - Caine tocou-Ihe o brao antes que 
ela pudesse entrar.
Ela nunca imaginara que seu nome pudesse soar assim... suave e vagamente extico. Quando o olhou, ele afastou-lhe a franja dos olhos num gesto que parecia totalmente 
natural. Surpresa pelo toque que a desconcertava, Diana no disse nada.
- As coisas nem sempre so o que parecem murmurou Caine. 
- No entendo voc.
Por um momento, os dois ficaram apenas se entreolhando no estacionamento do aeroporto.
Diana achou que quase podia sentir a textura da mo forte atravs do grosso casaco. Os olhos, pensou, eram estranhamente gentis num rosto de feies fortes. Por 
um instante, esqueceu-se da reputao de Caine como um "demnio" no tribunal... e na cama. De repente, o queria... para ajud-la, aconselh-la, confort-la, antes 
que tivesse conscincia que precisava de qualquer dessas coisas.
- Voc tem um rosto lindo - disse Caine. - Possui tambm alguma compaixo? Diana franziu o cenho.
- Gosto de pensar que sim. 
- Ento, d uma chance a seu irmo.
O olhar intrigado de Diana foi substitudo por uma expresso fria e reservada. Embora ela no soubesse, era um olhar que Justin costumava adotar s vezes.
- Algumas pessoas podem considerar a minha vinda como um sinal de boa-f.
- Alguns podem - concordou Caine, ento rodeou o carro para abrir a porta do motorista.
- Mas voc no considera. - Ela bateu a porta com mais fora que o necessrio.
- Tenho a impresso de que voc veio mais por curiosidade.
- Deve ser gratificante estar certo com tanta freqncia.
Ele deu um sorriso rpido e poderoso.
- Sim - concordou, pondo o Jaguar em funcionamento. - Por segurana, por que no tentamos ser amigos? Como foi em Paris?
Conversa -toa, decidiu ela. Desligar o crebro e dar somente respostas padro. Diana recostou-se. Apreciaria o trajeto. Uma de suas paixes secretas era por carros 
bons e velozes.
Estava frio.
- H um pequeno caf na rue du Four que adoro - lembrou Caine. - Os melhores sufls da cidade.
- Henri's? Ele lhe lanou um olhar curioso.
- Voc conhece?
- Sim. - Com um pequeno sorriso, Diana olhou pela janela. Henri's era um pequeno barzinho na cidade. Tia Adelaide preferia morrer de fome a por os ps l. Diana 
adorava o lugar e sempre passava uma ou duas horas l quando Paris. Estranho que o local tambm fosse o favorito de Caine MacGregor. - Voc vai a Paris com freqncia?
- No mais.
- Minha tia est morando l agora. Eu a ajudei a procurar um apartamento.
- Em que parte de Boston voc mora?
- Acabei de me mudar para uma casa na rua Charles.
- O inevitvel mundo pequeno - murmurou Caine. - Parece que somos vizinhos. O que voc faz em Boston?
Diana virou-se para estud-lo. 
- O mesmo que voc. - Caine a olhou, a expresso interrogativa. - Lembra-se do prof. Whiteman? - continuou ela. - Ele fala muito bem de voc.
Caine sorriu.
- Ento, voc fez Direito em Harvard. Parece que temos muito em comum. Famlia, universidade, carreira. Voc est advogando?
- Trabalho para Barclay, Stevens e Fitz.
- Hum, muito prestigioso. E srio.
Pela primeira vez, Diana deu um sorriso sincero.
- Pego todos os casos fascinantes. Na semana passada, representei o filho de um intendente municipal que tem o hbito de ignorar o limite de velocidade.
- Voc vai subir na profisso em quinze ou vinte anos.
- Tenho outros planos - disse Diana. Quando chegasse aos trinta anos estaria pronta para uma mudana. Depois de quatro anos com uma firma conservadora e respeitada, 
teria a experincia necessria para comear seu prprio negcio. Um pequeno escritrio elegante, uma secretria competente, e ento... - E quais so?
Ela voltou ao presente. No era uma mulher que punha todas as cartas na mesa.
- Quero me especializar em direito criminal - falou simplesmente.
- Por qu?
- Uma sede por justia, direitos humanos. - Rindo, olhou para Caine. - E adoro uma boa briga.
Ele assentiu com um gesto de cabea. Talvez ela no fosse to "certinha" quanto o traje indicava.
- Voc  boa nisso?
- Uma estudante do segundo ano de Direito poderia perfeitamente fazer o que fao no momento. - Ela ergueu o queixo. - Sou muito melhor do que isso... e pretendo 
ser a melhor.
- Uma ambio admirvel - comentou Caine quando virou o carro em direo ao Hotel Comanche. - Essa tambm  a minha meta.
Diana deu-lhe um olhar frio.
- Teremos de ver quem chega l primeiro, certo?
Como resposta, Caine apenas sorriu. Diana pensou ter visto uma ponta daquela energia perigosa e voltil que o levara ao topo. Sem falar, desceu do carro. No era 
desafiada por sorrisos cruis e olhares penetrantes. Se havia uma rea na qual se sentia totalmente confiante, era em Direito. Caine MacGregor ouviria seu nome por 
muitos anos, e se lembraria de suas palavras.
-as malas da srta. Blade esto no porta-malas - Caine disse ao porteiro, entregando-lhe uma nota dobrada e as chaves. - Estou certo de que Rena quer v-la imediatamente 
- continuou, pegando o brao de Diana de novo. - A menos que voc prefira ir para seus aposentos antes.
- No. - Rena queria v-la, no Justin. Diana sentiu um n no estmago e esforou-se para ignor-lo.
- timo. Ento, vamos subir direto.
Ela olhou ao redor, absorvendo a elegncia do saguo.
- Ento, isso  de Justin.
- Ele possui apenas metade deste hotel - corrigiu Caine quando eles entraram no elevador. - Rena tomou-se scia dele no ltimo vero.
- Entendo. Foi assim que eles se conheceram?
- No. - Ele riu. - Tenho certeza de que Rena vai lhe contar como eles se conheceram, embora talvez voc precise conhecer meu pai para entender completamente. - 
Ele lhe deu um longo olhar, ento enrolou a ponta dos cabelos dela nos dedos, movido pelo perfume sedutor que a rodeava. - Voc  realmente linda, Diana.
Era o modo como ele pronunciava seu nome que lhe causava aquele estranho arrepio, pensou ela. O homem era especialista em deixar as mulheres sem graa, lembrou. 
E faz-las gostar disso.
- Voc deixou uma certa reputao em Harvard, Caine. E no somente na sala de aula.
-  mesmo? - Aparentemente divertido, ele retirou a mo dos cabelos dela. - Voc precisa me contar sobre isso uma hora dessas.
- Algumas coisas no precisam ser ditas. - Quando as portas se abriram, Diana saiu, ento olhou por sobre o ombro. - Embora eu sempre tenha me perguntado se a histria 
do incidente na biblioteca da faculdade foi baseada num fato.
- Hum. - Coando o queixo, Caine a seguiu. - Eles ainda falam sobre isso?
Diana escondeu um sorriso enquanto o estudava. Ele no estava embaraado, mas parecia curioso.
- Algumas coisas viram lenda - disse ela.
Caine virou a maaneta e deu-lhe um sorriso charmoso.
- Voc no acredita em tudo o que ouve, acredita, advogada?
Diana fez uma pausa antes de retribuir o sorriso.
- Sim. - Com isso, abriu a porta e entrou.
Ela no sabia bem o que esperava, mas certamente no era a elegncia aconchegante da sute de seu irmo. Tons suaves contrastavam com tons mais fortes, uma vista 
panormica para Atlantic City, pequenas esculturas magnficas, quadros em tom pastel, mveis convidativos sobre um tapete espesso.
Aquele era o gosto de seu irmo?, perguntou-se, de repente se sentindo mais distante dele do que nunca. Ou era o gosto de Serena? Quem era aquele homem que compartilhava 
sua herana familiar? E por que ela estava ali, abrindo-se para emoes que h muito j trancara? Emoes que precisavam permanecer trancadas, disse a si mesma. 
Isso era sobrevivncia. Num momento de pnico, virou-se em direo  porta, mas deparou-se com Caine.
- De quem voc vai fugir? - perguntou ele, segurando-lhe os braos. - De Justin ou de si mesma?
Diana ficou tensa.
- Isso no  da sua conta.
- No - concordou ele, desviando os olhos pra a boca de Diana. Ela estava nervosa, pensou. Como seria beij-la naquele momento, fazendo-a relaxar? Ele sempre preferira 
mulheres mais extravagantes... que sabiam como rir e amar sem restries. Mas esse, afinal, seria um teste. No havia a menor chance de envolvimento.
Houve uma tentao momentnea de provar-lhe a boca e satisfazer sua curiosidade. O fato de que a resposta dela podia ser tanto de fria como de paixo tornou ainda 
mais difcil resistir.
Diana sentiu o desejo surgir inesperadamente. De alguma maneira, sabia que ele poderia lhe dar prazer. No haveria incertezas, pensamentos ou justificaes. Ela 
poderia encontrar aquele mundo proibido se quisesse.
Por um momento, vacilou entre a tentao e a razo. Seria to fcil...
Um leve rudo mecnico a levou de volta  realidade. Diana virou a cabea em direo s portas de um elevador que no tinha notado. Caine deslizou as mos para os 
ombros dela e tirou-lhe o casaco enquanto eles entravam.
Ela viu uma mulher pequena e loira, usando um vestido simples, violeta, que combinava com a cor dos olhos.
- Diana. - Serena aproximou-se e a envolveu num abrao caloroso. - Estou to feliz que voc veio! - Afastando-se do abrao, segurou ambas as mos da cunhada nas 
suas. - Oh, voc  adorvel! - murmurou com um sorriso alegre. - E se parece tanto com Justin, certo, Caine?
- Hum. - Ele observou o encontro enquanto acendia um cigarro.
Meio intimidada pelo cumprimento, Diana deu um passo atrs.
- Serena, quero agradecer-lhe pelo convite. 
- Deixe disso - replicou Serena. - Somos da mesma famlia agora. Caine, que tal um drinque? Diana, do que voc gostaria? Diana deu de ombros.
- Um pouco de vermute. - Nervosa demais para se acomodar, foi at a janela. - O hotel  lindo, Serena. Caine me contou que voc e Justin so scios.
- Nesse hotel, e no que estamos reconstruindo em Malta. Ainda no sou scia dos outros, mas serei. - aceitando o copo que Caine lhe entregava, Serena sentou no sof.
- Diana e eu somos vizinhos. - Caine atravessou a sala com outro copo e o ofereceu  Diana. 
- Verdade?
O momento estranho tinha passado, disse Diana a si mesma. Mas quando aceitou o drinque de Caine e seus olhos se cruzaram e os dedos se roaram, decidiu que no estava 
to segura quanto gostaria.
- Sim. - Deliberadamente, ela deu as costas para Caine e voltou-se para Serena. -  uma grande coincidncia.
Caine sorriu e andou de volta para o bar.
- Mais do que uma coincidncia. Ns temos a mesma profisso.
- Voc  advogada? - Serena observou os olhos de Diana seguirem Caine. Parece que meu irmo no perde tempo, pensou, ento deu um gole no drinque.
- Sim, entrei em Harvard alguns anos depois de Caine. Mas a presena dele ainda era sentida - acrescentou Diana.
Serena deu uma gargalhada.
- Oh, no duvido. Voc deve ter ouvido histrias picantes. - Ela sorriu para o irmo.
- Sua f em mim  tocante - murmurou Caine. Eles eram prximos, pensou Diana. Sempre tinham convivido e sabiam diversas histrias um do outro. Ela olhou para seu 
drinque. O que estou fazendo aqui?
- Serena, quero que saiba que apreciei o seu convite, mas - Diana parou e fortificou-se com um gole do vermute - , eu gostaria de saber se Justin se sente to desconfortvel 
com essa situao quanto eu.
- Ele no sabe que voc veio. - Quando Diana arregalou os olhos, Serena se apressou: - Eu no tinha certeza se voc viria, Diana. No queria que ele ficasse magoado 
se voc recusasse.
- Ele ficaria? - questionou Diana.
- Voc no o conhece - disse Serena, ento levantou. - Por favor, no o rejeite. Ele ...
Com o som do elevador, Serena parou, e Diana observou as portas se abrirem.
- Finalmente a encontrei. - Justin andou diretamente para a esposa. - Voc sumiu.
- Justin... - Serena foi calada por um beijo ardente do marido.
Ele era to alto, confiante, bem-sucedido, pensou Diana enquanto o observava. O que restara do garoto temperamental que conhecera? Aquele era seu irmo? Ele a erguera 
nos ombros uma vez para que ela pudesse ver o circo da cidade do alto. Meu Deus, por que se lembrar disso agora?
- Justin - comeou Serena de novo, depois de interromper o beijo. - Ns temos companhia.
Ele deu uma olhada breve para Caine, ento puxou Serena para si.
- V embora, Caine, quero fazer amor com a sua irm.
- Justin. - Rindo, Serena pressionou a mo contra o peito dele. Quando olhou em direo  janela, Justin seguiu seu olhar.
- Oh. - Sorrindo, acariciou os cabelos da esposa, mas no a soltou. - Eu no sabia que Caine tinha trazido uma amiga.
Ele nem mesmo me conhece, pensou Diana. Somos estranhos. Sentindo-se perdida, olhou-o, lutando por palavras que no saram.
Lentamente, os olhos de Justin se estreitaram. Serena sentiu a mo dele se apertar em seus cabelos, ento liber-los.
- Diana? - Havia reconhecimento e incredulidade no nome.
Totalmente imvel, ela murmurou:
- Justin.
Ele aproximou-se, estudando-lhe o rosto. O tempo estava voltando to rapidamente que o deixou trmulo e desorientado. Queria toc-la, mas no sabia como. Ela era 
to pequenina e gorducha quando a deixara. Agora, era uma mulher alta e magra, com os olhos de seu pai. Os dois ficaram se entreolhando por alguns momentos.
- Voc cortou seu rabo-de-cavalo - murmurou ele e se sentiu tolo.
- H muitos anos. Voc parece bem, Justin - disse ela com um sorriso educado, e tremendo por dentro.
Qualquer abertura que ele quisesse dar foi quebrada por aquela sentena impessoal.
- Voc tambm. Como est sua tia?
- Tia Adelaide est bem. Est morando em Paris agora. Seu hotel  maravilhoso.
- Obrigado. - Justin sorriu e enfiou, as mos no bolso. - Espero que voc fique conosco por um tempo.
- Por uma semana - respondeu ela friamente. - Eu no lhe dei os parabns por seu casamento, Justin. Espero que seja feliz.
- Sim, eu sou.
Achando insuportvel aquela conversa superficial, Serena deu um passo  frente. 
- Por favor, sente-se, Diana.
- Se no se importam, eu gostaria de desfazer as malas.
-  claro. - Justin falou antes que Serena protestasse: - Voc janta conosco?
- Eu adoraria.
- Eu lhe mostrarei seus aposentos. - Caine acabou o resto do drinque e o ps de lado.
- Obrigada. - Diana foi para a porta, parou e sorriu para Serena. - at mais tarde, ento.
Houve uma leve, porm inconfundvel expresso de desaprovao nos olhos cor de violeta.
- Avise se precisar de alguma coisa. s oito horas est bom para voc?
- Estarei pronta. - Sem olhar para trs, Diana andou para a porta que Caine j mantinha aberta. Nenhum dos dois falou enquanto seguiam pelo corredor.
Silenciosamente, Caine tirou uma chave do bolso e destrancou a porta. Diana entrou, ento se virou, pretendendo agradecer a ele. Mas Caine fechou a porta.
- Sente-se.
- Se no se importa, eu realmente gostaria de...
- Por que no termina esse drinque?
Olhando para baixo, Diana percebeu que ainda segurava o copo na mo. Dando de ombros, virou-se como se estivesse estudando o cmodo.
- Muito bonito - comentou, sem ter idia para o que estava olhando. - Obrigada por me trazer at aqui, Caine. Agora, quero desfazer as malas.
- Sente-se, Diana. No vou sair enquanto voc estiver agitada assim.
- Eu no estou agitada! - Ela deu um gole no vermute. - Estou cansada, portanto...
- Eu observei voc. - Com firmeza, Caine a segurou pelos ombros e sentou-a em uma cadeira. - Se tivesse ficado parada l mais cinco minutos, teria desmaiado.
- Isso  ridculo. - Diana ps o copo sobre a mesa.
- ? - Ele pegou-lhe as mos entre as suas e acariciou-a enquanto a olhava. - Suas mos esto geladas. Seus olhos tambm no mentem, Diana. Voc no poderia ter 
dado alguma coisa a Justin?
- No. No tenho nada para dar a ele. - Livrando as mos, ela levantou. - Por favor, deixe-me sozinha.
Eles estavam muito perto agora.
- Teimosa - murmurou Caine, e traou o formato da boca de Diana com o polegar. Com um suspiro, afastou-lhe os cabelos do rosto. Ela sentiu tudo sair de foco. - Voc 
se machuca amarrando seus sentimentos dessa maneira.
- Voc no sabe nada dos meus sentimentos. - A voz era baixa e ela lutou contra as lgrimas que lhe nublavam a viso. No ia chorar... no na frente dele ou de ningum. 
No havia absolutamente nada pelo que chorar. - Meus sentimentos no so da sua conta. - Reprimindo um soluo, ps a mo na boca. - Deixe-me sozinha - exigiu, mas 
encontrou-se aninhada contra o peito dele.
- Quando voc terminar - sussurrou Caine e a abraou.
O conforto sem questionamento era mais do que Diana podia resistir. Cedendo, liberou as emoes num acesso de choro.


Dois

A gua era azul-acinzentada com ondas irregulares e espumantes. O mar estava bravo, barulhento e fascinante. Diana podia cheirar a promessa de neve. Enquanto andava 
em direo  gua, sentia a areia fria sob os ps. Com o casaco abotoado at o pescoo, ergueu o rosto para o vento, gostando da sensao. E da solido. Deleitava-se 
na solido que podia ser encontrada na madrugada de uma praia no inverno.
Bastava da vida cercada por pessoas. Nunca ficara sozinha na casa de sua tia em Beacon Hill. Diana jogou os cabelos para trs e sorriu. Nunca tivera permisso de 
estar s. Por baixo dos sermes sobre bom comportamento de Adelaide, existia o medo de que os Blade se provariam fortes e selvagens demais para ser controlados.
Diana tinha sido controlada, porque no havia outra sada. No comeo, fazia tudo o que lhe mandavam, permitindo-se ser moldada na moa quieta que sua tia queria. 
Todos os outros a haviam abandonado, e ela vivera com o medo dirio de que poderia ser abandonada novamente. Aprendeu a dominar o medo, mas nunca foi capaz de super-lo. 
A habilidade de controlar as emoes tornou-se sua maior defesa contra as crticas de Adelaide e sua prpria insegurana. Mesmo quando criana, Diana tinha entendido 
que sua tia a criara por causa de um senso de dever. No havia amor entre elas, apesar do fato de uma garotinha precisar desesperadamente de amor.
Diana era filha da meia-irm de Adelaide, nascida do segundo casamento do pai delas com uma mulher de sangue misto. Sangue da tribo indgena comanche. E a meia-irm 
que Adelaide aceitara por dever fizera a loucura de casar com um Blade. Sangue chama sangue, dizia Adelaide quando falava do que considerava a traio de sua meia-irm 
ao nome e herana delas. Com Diana, estivera determinada a corrigir os erros prvios da famlia.
A descendncia comanche devia ser ignorada. Mais do que isso, precisava ser apagada. Adelaide exigia perfeio. Diana deveria ser um espelho de seus valores, opinies 
e desejos. A criana aprendeu a ser cautelosa e obediente, sem questionar nada.
Diana tinha aceitado, e estudado o que a tia queria... msica, bal. Durante muitos anos, o comportamento que adotara havia se tornado sua segunda natureza.
Nos momentos em que desejava alguma coisa diferente, mais excitante, reprimia as necessidades. Passou a acreditar que, se jogasse conforme as regras ganharia no 
final. Portanto, sua rebelio fora muito discreta e seus sonhos meticulosamente amortecidos.
Ainda assim, Adelaide ficaria horrorizada se soubesse que a sobrinha gostava de restaurantes que no tinham quatro estrelas e de filmes que no fossem culturais. 
E de carros esportes, pensou Diana com uma risada. Caranguejos e cerveja. Parando, enfiou as mos nos bolsos e olhou para o mar. E praias selvagens no inverno.
Era por isso que Justin se estabelecera l?, perguntou-se quando se virou para ver os fundos do hotel Ele apreciava a paixo do mar no inverno? A herana que compartilhavam 
era mais forte que os anos de separao? Os anos que ele partira para jogar e ganhar, enquanto ela se submetia e se rebelava em silncio?
Meneando a cabea, Diana continuou andando. No sabia nada sobre o homem com quem jantara na noite anterior. Ele era calmo e sofisticado, com alguma coisa muito 
fervorosa sob a superfcie. Eles tinham pouco a dizer um ao outro. Mesmo quando Serena a olhara com expresso de splica, Diana no pde encontrar nada mais profundo 
para falar.
O que uma mulher como Serena MacGregor sabia sobre seus sentimentos, afinal? Crescera cercada de famlia e amor. S de ver como ela se relacionava bem com Caine...
Caine, pensou Diana com um suspiro. Era impossvel entender o que sentia por ele. No estava preparada para a sensibilidade que ele demonstrou quando ela desmoronara. 
E mais, o insight dele sobre sua condio emocional. Entretanto, como Justin, ele tambm parecia encobrir algo perigoso sob a superfcie. Quando o acesso de choro 
aconteceu, Diana sentira-se segura nos braos fortes, enquanto Caine apenas alisava-lhe os cabelos como se faz com uma criana.
No podia negar que o homem mexia com ela, mas estava disposta a no deixar isso acontecer.
- Voc acordou cedo.
Diana virou-se para encontrar Caine atrs de si. Ele estava vestido mais casualmente agora, com uma jaqueta de couro, jeans e tnis.
- Eu queria ver o sol nascer sobre a gua - comeou ela, ento olhou para as nuvens pesadas no cu. - No tive muita sorte esta manh.
- Vamos caminhar. - Ele pegou-lhe a mo antes que ela pudesse responder. - Voc gosta da praia?
Diana relaxou. Ele no ia pression-la sobre Justin ou falar do jantar da noite anterior.
- Nunca gostei muito da praia no vero - disse ela. - Mas nunca imaginei que fosse to atraente nessa poca do ano. Voc vem com freqncia?
- No realmente. Por sorte, Alan e eu estvamos aqui alguns meses atrs quando Rena foi seqestrada, mas...
- O qu? - Diana parou, apertando-lhe os dedos.
Caine a olhou, curioso.
- Voc no sabia?
- No. Acho... que eu estava na Europa. O que aconteceu?
- Uma longa histria. - Caine recomeou a andar. - Houve uma ameaa de bomba no hotel de Justin em Las Vegas. Quando ele foi para l a fim de lidar com as coisas, 
surgiu outra ameaa, uma carta endereada a ele. Seu irmo teve um mau pressgio e, assim que voltou, tentou convencer Rena a partir, mas - Caine sorriu - ela tambm 
 teimosa. Justin estava no andar de baixo falando com a polcia sobre a segunda ameaa quando um jovem a pegou.
O sorriso de Caine foi substitudo por uma expresso de fria.
- Ele a manteve por quase 24 horas, algemada  cama. Queria que Justin pagasse dois milhes pelo resgate.
- Meu Deus! - Diana pensou na a mulher de olhos cor de violeta e tremeu.
- Desde que conheo Justin, foi a nica vez que o vi to arrasado - lembrou Caine. - Ele no comia, no dormia... apenas ficou sentado ao lado do telefone e esperou. 
S quando o garoto o deixou falar com Rena  que finalmente tivemos uma pista de quem era o seqestrador. De alguma forma, isso foi pior.
- Porqu?
Dessa vez, Caine parou e a olhou. Talvez fosse hora de Diana saber.
- Quando Justin tinha dezoito anos, envolveu-se numa briga de bar. O homem que comeou a briga no gostou de estar bebendo no mesmo lugar que um ndio.
Os ricos olhos escuros brilharam. - Entendo.
- Ele puxou uma faca. Durante a luta, Justin foi ferido com um corte ao longo das costelas. - Caine a viu empalidecer, mas continuou no mesmo tom: - O homem acabou 
morrendo pela prpria faca e Justin foi acusado de assassinato.
Diana sentiu uma onda de nusea e a reprimiu.
- Justin foi a julgamento?
- Ele foi absolvido, uma vez que as testemunhas do bar foram intimadas a falar sob juramento, mas passou alguns meses preso.
- Minha tia nunca me contou. - Diana virou-se para olhar o mar.
- Voc devia ter cerca de oito anos. No poderia ter feito nada para ajud-lo.
Ela poderia, disse Diana silenciosamente, pensando na boa situao financeira da tia e nas conexes influentes. E eu deveria ter ficado sabendo. Deus, ele era apenas 
um garoto! Fechando os olhos, tentou clarear a mente e ouvir.
- Continue.
- O garoto que seqestrou Rena era o filho do homem que seu irmo matou. A me enfiou na cabea da criana que Justin havia assassinado o marido e fora solto porque 
o jri tivera pena dele. No tinha inteno de machucar Rena, somente Justin.
O mar pareceu mais violento, de repente.
- Ento, Justin pagou o resgate?
- Ele estava preparado para pagar, mas no foi necessrio. Rena telefonou no momento que ele estava saindo para fazer os arranjos finais. Ela golpeara o garoto com 
uma frigideira e o algemara  cama.
Perplexa e divertida, Diana murmurou:
- Ela fez isso?
Caine sorriu.
- Ela  mais forte do que parece.
Meneando a cabea, Diana comeou a andar de novo.
- E o que houve com o garoto?
- O julgamento  no fim desse ms. Rena est pagando um advogado para defend-lo.
Ela o olhou. O semblante continha um misto de raiva e admirao.
- Justin sabe disso?
-  claro.
- Eu no sei se poderia perdoar to facilmente. - Justin no concorda exatamente, mas est resignado - comentou Caine. - E quando tivemos Rena de volta, segura, 
foi difcil recusar-lhe algo. Minha primeira reao foi deixar o garoto preso pelos prximos cinqenta anos.
Diana inclinou a cabea para estudar-lhe o rosto.
- Duvido que ele tivesse uma chance se voc pudesse acus-lo. Li algumas transcries de seus julgamentos. Voc  terrvel. - Ela sorriu. - Por que no concorreu 
a promotor do estado novamente?
- A poltica tem muitas paredes. Imagino que voc concorreu com Barclay, Stevens e Fitz...
- Barclay  o eptome do advogado seco e srio. "Cara srta. Blade, por favor, tente se lembrar de sua posio. Um membro da nossa firma nunca levanta a voz ou desafia 
um juiz no tribunal" - imitou ela, engrossando a voz.
Sorrindo, Caine passou um brao ao redor dos ombros dela.
- E voc desafia juzes, srta. Blade?
- Frequentemente. Se tia Adelaide no fosse amiga da esposa de Barclay, eu j o teria desafiado. Como , sou uma advogada de escritrio admirada.
- Ento, por que voc continua l?
- Sou extremamente paciente. - A sensao do brao dele em seu ombro era agradvel e, sem pensar, Diana se aproximou mais do corpo quente. - Tia Adelaide no ficou 
feliz por eu ter escolhido advocacia, mas foi til para assegurar minha posio com Barclay. Do jeito dela, ficou satisfeita que eu estivesse trabalhando para um 
velho amigo e para uma firma de prestgio. Se eu ficar mais tempo, eles podem at me oferecer algo a mais que acidentes de trnsito.
- Voc tem medo dela?
Diana riu. O medo passara h anos.
- De tia Adelaide? No. Eu devo a ela.
- Deve? - murmurou Caine. - Meu pai tem um ditado: "No existe cobrana em famlia."
- Ele no conhece tia Adelaide. Oh, olhe as gaivotas. - Diana apontou para o cu quando um par delas voou acima do mar. Ento tremeu e Caine a abraou mais apertado.
- Com frio?
- Sim. - Mas ela sorriu. - Eu gosto disso.
A respirao de Caine era fria contra seu rosto. Diana estava to hipnotizada pelos olhos dele que mal notou que o brao a seu redor a puxara para mais perto. Ento, 
estavam face a face, Diana com os braos em volta da cintura dele. O corao que batia descompassado devia pertencer a outra pessoa. Ela ouviu o eco da gua e sentiu 
como se os dois estivessem numa ilha deserta. Com uma das mos, Caine segurou-lhe a nuca. Diana sentiu os pingos frios baterem em seu rosto antes mesmo de ver a 
neve.
- Est nevando.
- Sim. - Caine baixou os lbios para os dela. Lentamente, roou-lhe a boca com sensualidade. Aos poucos, foi trazendo-a para mais perto, at que o corpo de Diana 
estivesse colado ao seu.
Ela sentiu os dedos fortes deslizando por sua nuca, e criou imagens mentais do que aquelas mos podiam fazer com seu corpo. Enquanto se distraa com isso, a boca 
de Caine tornou-se mais exigente.
Diana segurou-lhe os ombros. Sua paixo parecia crescer como o vento, mas era quente, sufocante, enquanto ele depositava beijos em seus lbios e rosto. Ela ouviu 
o eco das ondas estourando, ento nada alm do seu nome sussurrado quando Caine traou-lhe a orelha com a lngua. Diana pressionou o corpo contra o dele, procurando 
pela boca maravilhosa.
No houve provocao dessa vez. Agora era puro ardor. Nenhum dos dois tinha mais conscincia do frio, enquanto exigiam tudo o que o outro possua. Diana sentiu todos 
os seus pequenos segredos sendo expostos, enquanto parecia realizar desejos mais complexos e profundos do que jamais conhecera.
No era apenas sede pela boca de Caine, ou desejo pelos braos fortes que a rodeavam... Era um desejo de total integrao, de fazer amor. Um desejo primitivo de 
ser completada fisicamente e uma necessidade bsica de ser preenchida emocionalmente.
Enquanto se entregava s sensaes, de repente ficou incerta se Caine era sua corda de salvamento. A necessidade de sobrevivncia sobreps-se ao desejo ardente e 
ela se afastou. Sem flego, encarou-o, enquanto o vento jogava neve em seus olhos.
- Bem. - Caine suspirou. - Isso foi inesperado. - Quando tentou tocar-lhe o rosto, ela recuou. Enfiando as mos no bolso, ele disse: - Tarde demais para erguer barreiras 
agora, Diana. As fundaes j foram abaladas.
- No so barreiras, Caine. Apenas bom senso. No sou seu tipo de mulher.
Alguma coisa brilhou nos olhos dele, mas Diana no sabia se era irritao ou divertimento.
- Voc diz isso baseada no que sabe do meu passado.
- Tenho minhas dvidas sobre sua reabilitao - replicou ela suavemente.
Caine pegou-lhe os cabelos na mo. Rindo, removeu flocos de neve do rosto dela.
- Diana, voc combina com o deserto e roupas exticas.
Ela lutou contra o desejo de sentir a pele dele contra a sua de novo.
- Combino perfeitamente com o Tribunal da Nova Inglaterra, tambm - retorquiu ela.
- Sim - Caine disse. O sorriso permanecia em seus olhos. - Acho que combina. Talvez por isso seja to fascinante para mim.
- No estou interessada em fascin-lo, Caine. Estou interessada em voltar, antes que congele aqui.
- Eu a acompanho.
- No  necessrio - comeou ela, mas ele pegou-lhe a mo.
- Voc no est brava porque trocamos um beijo amigvel, est? Afinal, somos famlia.
- No houve nada de amigvel ou familiar no beijo - murmurou Diana.
- No. - Ele ergueu-lhe a mo at os lbios para beijar os dedos. - Talvez devssemos tentar novamente.
- No - respondeu ela com firmeza e tentou ignorar o arrepio que lhe percorreu o brao.
- Tudo bem. Vamos tomar o caf da manh, ento.
- No estou com fome.
- Ainda bem que voc no est sob juramento - disse ele. - Quase no comeu ontem  noite. Mas tudo bem, tome um caf enquanto eu como. Estou faminto. Vamos falar 
de negcios. - Caine ergueu uma mo, antecipando o protesto dela.
- Se isso a faz se sentir melhor, ponho isso nos meus honorrios.
Com uma risada relutante, Diana subiu os degraus da praia com ele.
- Parece-me que voc ainda no saiu completamente da poltica.
- Voc no tem olhos de uma pessoa cnica - Comentou ele.
- No?
- Eles se parecem com olhos de camelo. Cuidado, aqui est escorregadio.
- Camelo? - Sem saber se devia se sentir insultada ou divertida, Diana parou perto do topo dos degraus. - Que frase romntica!
- Voc quer romance? - Antes que ela entendesse o que estava acontecendo, ele a pegou nos braos a fim de carreg-la em direo  entrada dos fundos.
Rindo, Diana tirou neve dos olhos.
- Ponha-me no cho, seu tolo.
Ele a ignorou.
- Se voc escorregar nessa neve e me derrubar, vou process-lo.
- Como voc  romntica! - reclamou Caine, enquanto empurrava a porta com as costas. - O que houve com as mulheres que gostavam de ser carregadas no colo?
- Foram derrubadas - replicou Diana. - Caine, ponha-me no cho. - Ela tentou se livrar, mas ele a apertou ainda mais nos braos e continuou andando. - Voc no vai 
me carregar para o restaurante do hotel.
- No? - Aquilo era um desafio e Caine o aceitou com um sorriso. Ela era leve e carregava o cheiro da neve. Os olhos revelavam uma risada indignada que o agradava. 
Naquele momento, decidiu que poria aquela expresso no rosto de Diana com mais freqncia. A boca linda e sensual era feita para sorrir, e ele pretendia mostrar-lhe 
como era fcil se divertir.
- Caine. - Diana baixou o tom de voz quando sentiu olhares sobre si. - Pare com essa bobagem. As pessoas esto olhando.
- Tudo bem, estou acostumado com isso. - Virando a cabea, ele a beijou brevemente. - Sua boca  muito tentadora com esse biquinho. - Caine parou e olhou para a 
atendente. - Mesa para dois?
-  claro, sr. MacGregor. - a moa fitou Diana por um momento. - Por aqui.
Diana cerrou os dentes enquanto ele a carregava entre as mesas repletas de hspedes para o caf da manh. Observou uma mulher de meia-idade cutucar o marido e apontar.
- A garonete vir em seguida - disse a atendente para Caine quando eles pararam a uma mesa de canto. - Bom apetite.
- Obrigado. - Com grande estilo, Caine sentou-a em uma cadeira e se acomodou do lado oposto.
- Voc vai me pagar por isso - sussurrou Diana, envergonhada.
- Valeu a pena. - Ele tirou o casaco. J tinha decidido que ela precisava de algo inesperado de vez em quando. Em sua opinio, Diana era mimada, protegida e restringida. 
Distrado, penteou os cabelos com os dedos, espalhando a neve j derretida. - Tem certeza de que no quer nada alm de caf, querida?
- Absoluta. - Observando-o, ela comeou a desabotoar o casaco. - Voc sempre faz coisas escandalosas?
- Frequentemente. Voc  sempre to linda pela manh?
- No desperdice seu charme. - Diana removeu o casaco, revelando um suter laranja.
- Sem problemas, tenho de sobra. - Enquanto Diana suspirava com desgosto, ele sorriu para a garonete que lhe entregou os cardpios. - Quero panquecas, acompanhadas 
de ovos com bacon disse imediatamente. - A moa s quer caf.
- Esse  um caf da manh normal para voc? perguntou Diana quando a garonete se retirou.
Caine recostou-se, observando que ela j tinha esquecido de fingir que estava brava.
- Gosto de comer quando tenho chance. s vezes, tenho sorte de poder me alimentar com mais do que gales de caf e sanduches secos.
- Voc tem tantos casos particulares agora como tinha quando trabalhava para o estado? - perguntou Diana.
- Tenho o suficiente. E, por opo, no possuo uma equipe de assistentes.
- Sem advogados de escritrio?
As mos de Diana eram feitas para anis, pensou ele, mas ela no usava nenhum.
- No no momento. Minha secretria  desorganizada e viciada em novelas.
Diana sorriu suavemente enquanto erguia a xcara.
- Ela deve ter... outras virtudes.
Caine apoiou os cotovelos sobre a mesa e inclinou-se para frente.
- Ela tem 57 anos,  robusta e uma excelente datilgrafa.
- Admito que me enganei - murmurou Diana. - Contudo, com sua reputao, achei que voc teria uma das melhores firmas em Boston.
- Deixo as tradies para Barclay, Stevens e Fitz.
- Faz muito bem. - Com um suspiro, ela deu um gole no caf. - Eu trabalharia de graa se pudesse fazer alguma coisa que no saiu diretamente de um manual. Violaes 
de trnsito e cobranas de dvidas - murmurou. - Porm, no vou conseguir nada se no permanecer na firma por mais um tempo. O mundo da lei no me daria uma ovao 
entusistica se eu abrisse um escritrio amanh.
-  isso que voc quer? Ovaes entusisticas?
- Gosto de vencer. - Os olhos sonolentos de sbito se tornaram intensos. - Pretendo fazer uma carreira disso. E quais so os seus motivos?
- Tenho um talento para discusso. A lei tem muitas sombras, certo? - Caine a fitou. - Nem todas so justas. Andamos sobre uma corda muito fina, e o equilbrio  
crucial. Gosto de vencer, tambm, e quando veno gosto de saber que estava certo.
- Voc nunca defendeu algum que sabia que era culpado?
- Todos tm direito legal a advogados e representao. Essa  a lei. - Ele bebeu um pouco do caf. - Voc  obrigado a dar-lhes o melhor que pode, e esperar que 
justia seja feita no final. Nem sempre  assim. O sistema  ruim, e s funciona parte do tempo. - Dando de ombros, acrescentou: -  melhor do que nada. Interessada, 
Diana o estudou.
- Voc no  o que eu esperava que fosse. - E o que voc esperava?
- Talvez uma verso jovem mais dura de Barclay. Citando precedentes, um pouco de latim para efeito, alegando que a lei  talhada em granito.
- Ah, um tolo. - Diana caiu na gargalhada, e Caine adorou o som. - Voc no faz isso com freqncia, Diana. Quero dizer, se divertir sem pensar muito.
- Meu treinamento. - Mesmo enquanto falava, aquilo a surpreendeu. Que portas ele estava abrindo, antes mesmo que ela tivesse a chance do checar as fechaduras?
- Voc vai esclarecer isso?
- No. - Ela meneou a cabea, ento olhou para cima. - A est seu caf da manh. Estou fascinada para ver se realmente vai comer tudo isso.
Segredos, pensou Caine enquanto a garonete arranjava os pratos. Talvez fosse o jeito misterioso de Diana que o encantava. Ela parecia possuir tantas camadas, e 
ele queria remover cada uma delas para descobrir o que tinha por baixo. Ento, havia a vulnerabilidade... no era comum encontrar uma mulher forte com um lado suave 
e vulnervel. A combinao, adicionada  bvia paixo contida, era muito... atraente.
Caine lembrou-se do beijo que haviam compartilhado e quis prov-la novamente... sentir a pele escondida sob roupas discretamente sofisticadas. Pensava nas mulheres 
como quebra-cabeas intrigantes e gostava de resolv-los. Nesse caso, podia aceitar o desafio, fazer o jogo, e mostrar-lhe que a vida no era to cheia de fronteiras 
e regras quanto ela pensava. Sim, pensou, Diana Blade iria mant-lo ocupado e entretido por um bom tempo.
- Quer um pedao? - Caine ofereceu-lhe uma garfada de panqueca.
- Com medo de ter exagerado no pedido? - Ele sorriu e aproximou o garfo da boca de Diana, que permitiu ser alimentada, fechando os olhos por um momento. - Oh, est 
tima.
- Mais? - Caine comeu um pedao antes de oferecer-lhe outro, o qual Diana aceitou.
- A esto vocs. - Serena chegou  mesa, beijando primeiro o irmo, depois Diana. - Isso no  horrvel? - murmurou, gesticulando para o prato de Caine. - E ele 
no ganha um grama. Voc dormiu bem?
- Sim. - Diana deu um pequeno sorriso. - Meus aposentos so adorveis.
- Quer caf da manh? - Caine perguntou para a irm.
- Vai compartilhar o seu? 
- No.
- Bem, no tenho tempo, de qualquer forma.
Serena voltou-se para Diana. 
- Eu gostaria que voc passasse no escritrio mais tarde, Diana. Tem planos para hoje?
- Ainda no.
- Talvez queira aproveitar o clube ou o cassino. Eu adoraria mostrar-lhe tudo.
- Obrigada.
- D-me uma hora. - Serena gesticulou para o irmo. - Acredite em apenas metade do que ele diz - aconselhou e partiu.
- Sua irm no  o que eu esperava, tambm murmurou Diana.
- Voc sempre cria uma imagem na cabea antes de conhecer algum?
- E todo mundo no faz isso?
Caine deu de ombros e continuou a comer.
- Como esperava que Rena fosse?
- Mais robusta, para comear. Sua irm parece to frgil, at que voc presta mais ateno e v a fora no semblante dela. E suponho que eu esperava algum mais 
intelectual. Ela no  o tipo de mulher que eu imaginaria casada com Justin.
- Talvez ele no seja o que voc pensa, tambm - disse Caine.
Instantaneamente, os olhos de Diana se tornaram frios e distantes.
- No, eu no o conheo, certo?
- Nunca  fcil conhecer algum, a menos que voc queira.
- No  fcil aconselhar sobre um assunto do qual voc no sabe nada - retorquiu ela, irritada. - Voc teve uma boa infncia, no teve, Caine? Me, pai, irmos. 
Sabia exatamente quem era e a que lugar pertencia. No tem o direito de analisar ou desaprovar meus sentimentos quando no os compreende.
Caine recostou-se e acendeu um cigarro.
- Era isso o que eu estava fazendo?
- Acha que  fcil apagar vinte anos de negligncia, de desinteresse? Precisei de meu irmo um dia, no preciso dele agora.
- Ento, por que voc veio? 
- Para exorcizar os ltimos fantasmas. - Ela empurrou a xcara de caf para o lado. - Eu queria v-lo como um homem para que parasse de me lembrar de Justin como 
um menino. Quando eu partir, no vou pensar mais nele. Caine a olhou atravs da fumaa. 
- Voc no pode fingir que  feita de gelo e ao para mim, Diana. Eu estava a seu lado ontem, depois que voc viu seu irmo. - Isso acabou. Voc no gosta que eu 
a veja como humana, gosta? - Quando ela comeou a se levantar, ele segurou-lhe o pulso. - Se quer ser vencedora, Diana, precisa parar de fugir. 
- No estou fugindo.
- Voc tem fugido desde que saiu daquele avio - corrigiu ele. - E provavelmente desde muito antes. Est magoada e confusa, e  teimosa demais para admitir, at 
para si mesma.
- O que sou - disse ela por entre os dentes - no  problema seu.
- Os MacGregors levam a famlia muito a srio. Seus olhos se estreitaram, a cor se intensificou. Quando minha irm se casou com seu irmo, voc se tornou problema 
meu.
- No quero seu conselho de irmo.
Ele sorriu, ento afrouxou o aperto no pulso dela.
- No me sinto seu irmo, Diana. - Caine usou o polegar para acariciar-lhe os dedos sensualmente. - Acho que ambos sabemos disso.
Ele podia mudar de humor mais rapidamente do que ela. Levantando-se, Diana lhe lanou um olhar furioso.
- Eu preferia que voc no sentisse nada por mim.
Caine deu uma longa tragada no cigarro.
- Tarde demais - murmurou, ento sorriu novamente. - Os escoceses so pragmticos, mas estou comeando a acreditar em destino.
Diana pegou seu casaco e dobrou-o meticulosamente sobre o brao.
- Na lngua da tribo Ute, comanche significa inimigos. - Ela ergueu os olhos furiosos para ele e, pela primeira vez, Caine viu o poder total da herana indgena 
no rosto bonito de Diana. - Ns no somos facilmente dominados. - Virando-se, saiu andando com passos controlados de uma danarina.
Com um sorriso, Caine apagou o cigarro. Estava comeando a pensar que aquela seria uma batalha muito interessante.




Trs

O Comanche, Diana descobriu durante os dias seguintes, era um hotel to bem dirigido quanto qualquer um que sua tia teria patrocinado. A comida, o servio, o ambiente, 
tudo era rico e de boa qualidade. Justin havia comeado sua carreira ainda adolescente, e alcanara o sucesso com o prprio esforo. Ela disse a si mesma que podia 
respeit-lo por isso, at mesmo admir-lo, mas sem envolver-se. No estava disposta a correr riscos, afinal, no se considerava uma jogadora.
Mesmo sem querer, Diana aprendeu mais sobre Justin. Ele possua uma integridade que ela jamais associaria a um jogador, a mente perspicaz, uma vulnerabilidade que 
somente Serena podia provocar-lhe. Seu irmo era um homem que teria lhe conquistado o corao se no fosse pelos anos que Diana era incapaz de esquecer.
Quanto a Caine, ela o vinha evitando deliberadamente. Em pouco tempo, ele testemunhara muitas de suas emoes pessoais. Quase podia aceitar que ele a confortara 
no momento do acesso de choro porque era um homem sensvel e gentil. Porm, os instantes na praia fria no saam; de sua cabea.
Aquele tipo de paixo era perigoso. Podia lembrar-se de cada detalhe, reviver tudo sem esforo. Se ele a abalava meramente pronunciando seu nome numa sala repleta 
de pessoas, Diana podia imaginar o que aconteceria quanto estivessem a ss. E certificou-se de no deixar isso acontecer.
Ento, havia a raiva. Como ele a irritava! Diana sempre valorizara sua habilidade de controlar as prprias emoes. Tinha anos de prtica lidando com a tia, a fim 
de evitar sermes inevitveis. De alguma maneira, Caine podia deix-la nervosa com uma sentena casual.
Precisava esquecer aquilo, pensou enquanto acabava de se vestir. Talvez se encontrassem em Boston de vez em quando, porm, nada mais. De qualquer forma, Boston seria 
o solo profissional. Ela sabia exatamente quem era e o que queria.
Nunca fora uma mulher regrada pelo humor. Era muito disciplinada para isso. Uma vez que voltasse para Boston e para o trabalho, no estaria suscetvel quele tipo 
de emoes.
No queria emoes, disse a si mesma. No sabia lidar com elas. E enquanto estivesse naquele lugar, se sentiria ameaada.
Justin e todas aquelas lembranas e emoes que ele lhe despertava... Diana no queria recordar ou sentir toda a tristeza que j experimentara um dia.
Caine brincava com vulnerabilidades que ela nem sabia existir, com paixes que no queria. Quando estava a seu lado, precisava... do que no podia precisar.
Com um longo suspiro, lutou contra os sentimentos confusos. Controlaria aquilo. E quando voltasse a Boston, prosseguiria com sua vida de sempre.
Distrada, ajustou a gola do suter cor-de-rosa. Estava feliz por ter ido. Agora que vira Justin de perto, pararia de se questionar sobre o irmo e esqueceria o 
assunto. Tambm aprendera a amar Serena rapidamente, o que no era uma caracterstica sua. Era muito cuidadosa ao compartilhar afeies. Mas, pela primeira vez na 
vida, Diana conhecia o prazer de ter algum que podia ser tanto famlia como amiga.
Pendurando a bolsa no ombro, deixou a sute. Passaria pelo escritrio da cunhada antes de ir caminhar na praia. Caine andava mais cedo, e ela mudara o horrio a 
fim de no encontr-lo. No fazia sentido tentar o destino.
Enquanto andava pelo cassino, ficou novamente impressionada pela decorao bonita e informal. Pelo que Serena lhe contara, o cassino, assim como o resto do hotel, 
refletia o gosto de Justin. Era muito diferente da pequena casa cora uma varanda minscula que eles haviam compartilhado em Nevada.
Mas ento, os dois tinham mudado de vida, pensou, lembrando-se da casa da tia em Beacon Hill. Antiguidades e pratarias brilhantes. Empregados de fala mansa. Sim, 
eles haviam progredido desde a pequena casa com um gramado amarelado. Entretanto, talvez ela tivesse sido mais feliz naquela poca que em qualquer outra de sua vida.
Imersa em pensamentos, Diana entrou na rea de recepo e quase colidiu com seu irmo.
- Diana. - Justin segurou-lhe o brao para apoi-la, ento desceu a mo na lateral do corpo. Ela era to linda, pensou. E o sorriso educado que lhe deu comprimiu-lhe 
o estmago. Ele no a alcanaria, sabia disso desde o primeiro instante. Mas o fato de v-la tornava mais difcil aceitar a perda com a qual vinha convivendo h 
tanto tempo.
- Bom dia, Justin. Vim falar com Rena, se ela no estiver ocupada. - Era estranho que, mesmo com olhos verdes, ele parecesse to indgena, pensou Diana.
- Ela s est verificando a programao. - Quando Diana continuou olhando-o, ele arqueou uma sobrancelha. - Algo errado?
- Lembrei-me daquela histria da mame sobre um de seus ancestrais capturado. Ela acabou ficando com ele livremente. No  estranho que, por causa dela, olhos verdes 
apaream pelo menos uma vez em cada gerao?
- Voc tem os olhos do nosso pai - murmurou Justin. - Escuros e secretos.
Porque se sentiu amolecendo, Diana endireitou a coluna.
- No me lembro dele - disse secamente, Ento pensou ter ouvido Justin suspirar.
- Diga a Serena que voltarei em algumas horas. Tenho uma reunio.
Cheia de culpa, com medo da rejeio, Diana o chamou.
- Justin. - Ele se virou. - Eu no sabia sobre o julgamento... que voc foi preso. Sinto muito.
- Faz muito tempo - ele disse simplesmente.
- Voc era criana.
- Parei de ser criana quando voc me deixou. - Sem esperar resposta, ela se virou e foi para a sala de Serena.
- Diana. - Sorrindo, Serena ps de lado a papelada diante de si. - Por favor, diga-me que quer ser entretida, de modo que eu possa me livrar dessa montanha de papis.
- Eu no queria interromp-la.
- s vezes, rezo por interrupes - replicou Serena, ento franziu o cenho. - O que houve, Diana?
- Nada. - Virando-se, Diana foi para as portas de vidro, olhar o cassino. - Eu nunca poderia trabalhar aqui. Sempre me sentiria no meio de uma festa.
-  s uma questo de se concentrar em dois nveis.
- Justin mandou avis-la que ficar fora por algumas horas.
Ento era isso, Serena pensou e se levantou. Atravessando a sala, colocou a mo sobre o ombro de Diana.
- Diana, fale comigo. S porque eu amo Justin, no significa que no entendo como voc se sente.
- Eu no devia ter vindo. - Diana meneou a cabea. - Lembro-me de coisas que tinha esquecido por anos. Rena, eu no sabia que ainda o amava. Isso machuca.
- Amar algum tem suas desvantagens. - Serena apertou-lhe o ombro gentilmente. - Mas se voc ama Justin, e der a si mesma algum tempo...
- Tenho muito ressentimento em relao a meu irmo. - Diana se virou. - Talvez esse sentimento seja maior que o amor. Ressinto-me por todos os dias de todos os anos 
que vivi sem ele.
- Diana, no v que ele tambm sofreu com sua ausncia?
- Foi escolha dele, eu no tive uma. - Sentindo-se muito abalada pelas emoes, ela distanciou-se para andar pela sala. - Justin me deixou com minha tia e foi viver 
a prpria vida.
- Voc tinha seis anos e ele dezesseis. O que esperava que ele fizesse?
- Ele nunca me escreveu, telefonou ou visitou.
Com as palavras que vinha guardando h tantos anos, Diana virou-se. 
- Eu achava que se fosse uma menina obediente, meu irmo voltaria para mim. Naqueles primeiros anos, fui uma criana modelo. Comportei-me, estudei e esperei. Mas 
Justin nunca veio. Enquanto eu o esperava, ele sequer pensou em mim.
- Isso no  verdade! - exclamou Serena frustrada. - Voc no entende.
- Voc  quem no entende - devolveu Diana. - No sabe o que  perder tudo o que lhe pertence e ter de viver da caridade de algum! Saber que cada garfada que voc 
come, cada pea de roupa que usa, tem um preo.
- Voc acha que deve pela comida e roupas, Diana?
- Oh, sei que devo. Tia Adelaide nunca me deixou esquecer isso, em seu jeito discreto. No acredita em generosidade pura.
- Generosidade? - Nervosa, Serena atravessou a sala. - Ela no sabe mais do que voc sobre generosidade.
- Talvez no - concordou Diana. - Mas ela me deu tudo o que tive.
- Justin pagou por tudo aquilo. - As palavras saram sem que Serena pudesse control-las. - Ele enviou um cheque  sua tia todos os meses, desde que Adelaide a levou, 
at que voc se formou em Harvard. Os cheques podem ter sido baixos no comeo, mas foram aumentando com o tempo. Adelaide aceitou voc e o dinheiro de Justin, com 
a condio de que ele ficasse fora de sua vida. Seu irmo pagou, Diana, com muito mais do que dinheiro.
Diana parecia ter congelado. Tinha medo de se mover e se quebrar era milhes de pedacinhos.
- Ele pagou para tia Adelaide? Mandou-lhe dinheiro para mim? - sussurrou com dificuldade.
- Ele no possua mais nada para lhe dar. Que coisa, Diana, voc  advogada. O que teria lhe acontecido se sua tia no a aceitasse?
Orfanatos, pensou ela.
- Tia Adelaide podia ter ficado com Justin, tambm.
Serena a olhou longamente.
- Ela faria isso?
Diana massageou as tmporas que tinham comeado a latejar.
- No. Mas quando eu estava mais velha, Justin poderia ter me contatado.
- Ele achou que voc estava feliz, e melhor em Boston do que viajando o pas a seu lado. Justin escolheu sua prpria vida,  verdade, mas fez o que pensou ser o 
melhor para voc da nica maneira que sabia fazer.
- Por que ele no me contou?
- Porque no quer sua gratido - replicou Serena, impaciente. - No v que tipo de homem ele ? Justin no vai me agradecer porque eu lhe contei. E eu nunca lhe 
contaria se voc no tivesse dito que ainda o amava. - Serena observou a palidez e os olhos tristes da cunhada e se aproximou para toc-la. - Diana...
- No. - Diana ergueu uma das mos para impedi-la. - Voc me contou a verdade?
Serena a encarou.
- No tenho razes para mentir.
Uma risada amarga escapou da garganta de Diana.
- Que estranho, quando todo mundo parece ter mentido, a minha vida toda.
- Deixe-me lev-la para cima e preparar-lhe um drinque.
- No. - Reunindo o que lhe restava de autocontrole, Diana foi para a porta. - Obrigada por ter me contado tudo, Rena. Eu precisava saber. 
Quando a porta se fechou, Serena sentou na cadeira atrs da mesa.
Oh, Deus, pensou, como pude fazer isso to sem compaixo? Lembrando-se do semblante melanclico de Diana, comeou a se levantar, ento parou. No, Diana precisava 
de tempo, e certamente no de sua companhia no momento. Mordiscando o lbio, pegou o telefone.
- Caine MacGregor, por favor.
Mesmo depois de uma hora, Diana ainda no se sentia controlada. Sua mente girava, perseguida por emoes. Tudo em que tinha acreditado era falso. Tudo o que possua 
devia a algum a quem estava pagando com frio ressentimento. A nica coisa que estava clara, agora, era que teria de encarar Justin mais uma vez, e depois partiria. 
Era mais fcil se preparar para a segunda tarefa.
Pegando as malas, comeou a guardar as roupas meticulosamente, fazendo a simples tarefa ocupar-lhe a mente. Se pudesse, faria aquilo durar a tarde inteira. Talvez 
at l, no se sentisse to perdida.
Ouvindo uma batida insistente  porta, foi abri-la.
- Caine. - Diana ficou parada na abertura, mostrando claramente que ele no era bem-vindo.
- Diana - disse ele no mesmo tom, enquanto estudava-lhe o rosto. Ento, moveu-se para a frente a fim de entrar.
- Estou ocupada no momento.
- No vou atrapalhar - murmurou ele, entrando na saleta dos aposentos e indo at a janela. Sempre gostei da viso desse quarto.
- Fique  vontade, ento. - Virando-se, Diana foi para o quarto fazer as malas.
- Mudou de planos? - perguntou Caine.
- Obviamente. - Diana dobrou um suter e o guardou na mala. - Rena deve ter lhe contado sobre a nossa conversa essa manh.
- Ela disse que aborreceu voc. Diana dobrou outra pea.
- Voc sabia o tempo todo. Sabia que Justin era o responsvel pelo meu sustento e estudos.
- Rena s me contou depois que escreveu para voc. Justin nunca mencionou o fato. - Saindo da saleta e entrando no quarto, Caine puxou a manga de um vestido e o 
estendeu sobre a cama. - Por que est fugindo, Diana?
- No estou fugindo.
- Voc est arrumando as malas - apontou ele.
- No so sinnimos. - Diana virou-se de costas para continuar a tarefa. - Tenho certeza de que Justin ficar mais confortvel quando eu partir.
- Porqu?
Diana encheu a primeira mala e fechou-a.
- V embora, Caine.
Ele se perguntou por que ela reprimia tanto as emoes. Era mais saudvel liber-las. Talvez pudesse lhe ensinar aquilo.
- Com quem voc est zangada?
- No estou zangada! - Virando-se para o armrio, Diana tirou roupas dos cabides. - Foi tudo mentira! - Incendiada, bateu a porta do armrio e o encarou comas mos 
cheias de roupas. - Durante todos esses anos, tia Adelaide me fez sentir como se eu dependesse de seu senso de obrigao familiar. Obrigava-me a usar sapatos de 
couro quando eu queria ficar descala. E eu obedecia porque a temia. Porque devia a ela. E o tempo todo, era Justin.
Ela amassou as roupas na mo quando a frustrao a dominou.
- Ela no falava do meu irmo. Insistia que eu esquecesse os seis primeiros anos da minha vida. Eu era comanche! Mas tia Adelaide no queria que eu me lembrasse 
disso. Roubou minha herana, e eu ainda sentia que lhe devia. Aprendi sobre meu sangue em livros e museus, e esforcei-me para lembrar, em segredo, quem eu era. Paguei 
 tia Adelaide, e enquanto meu irmo estava sozinho na cadeia, eu fazia aulas de bal e comia caviar.
Caine aproximou-se devagar, observando que Diana ainda reprimia as lgrimas.
- No importa que era isso que Justin queria?
- No! - Ela jogou as roupas em cima da cama. Passei a maior parte da vida ressentida com meu irmo e satisfazendo uma mulher que nunca pde me aceitar pelo que 
sou. Pensei que eu a tivesse recompensado com meus estudos, saindo com os homens que ela aprovava, aceitando o emprego que ela aprovava. Agora, nem sei mais quem 
eu sou. - Diana enrolou uma blusa na mo e jogou-a no cho. - No sei mais nada!
Caine segurou-lhe os braos e a sacudiu com impacincia.
- Voc est sendo tola. Descobre que sua tia no era completamente honesta, e que seu irmo nunca a esqueceu. Por que isso muda quem voc ?
- No v que fui criada sobre uma mentira?
- Ento, agora voc sabe a verdade. O que vai fazer com isso?
Diana suspirou e parecer relaxar.
- Oh, Caine, fui to odiosa com Justin. To fria. Quanto mais eu queria me aproximar, mais me afastava.
Ele a beijou brevemente, num gesto quase fraternal.
- Da prxima vez, voc no vai fazer isso.
- No. - Afastando-se, ela se abaixou para pegar a blusa que jogara no cho. - Vou v-lo assim que me recompor. - De costas para Caine, alisou as roupas que tinha 
amassado. - Voc parece estar por perto toda vez que me despedao. No gosto disso.
- Tambm no sei se gosto - murmurou ele, ento virou-a para encar-lo. -  difcil resistir  vulnerabilidade. - Caine traou-lhe o rosto com o polegar.
- No - sussurrou Diana quando sentiu os olhos dele fixos nos seus. Neles havia tanto desejo quando determinao.
- Tenho o hbito de tocar o que quero ter, Diana. - Ele deslizou as duas mos pelo rosto dela, entrelaando os dedos nos cabelos macios. - Voc mexe comigo - sussurrou 
antes de tocar-lhe a boca com a sua.
Ela poderia ter impedido o beijo. Enquanto suas mos o puxavam para mais perto, sabia que poderia ter se distanciado e ordenado que ele sasse do quarto. Mas os 
lbios de Caine estavam to perto, to tentadores. Mordiscavam-lhe beijinhos, prometendo infinito prazer, enquanto mos fortes deslizavam para baixo de seu suter 
e lhe acariciavam as costas.
Ele sabia como dar prazer a uma mulher. Conhecia todos os truques da seduo. Mas agora, com Diana nos braos, a boca sedenta na sua, esqueceu-se de tudo isso. O 
aroma feminino entorpeceu-lhe a mente, at que a estava agarrando quase com desespero. De sbito, Caine se deu conta de que era ele quem estava sendo seduzido. Ouviu 
um gemido baixinho de desejo e percebeu que vinha de si mesmo.
Para Diana no existia mais nada alm do mar de sensaes. Sensaes que a dominavam e a faziam querer mais. O beijo era profundo e apaixonado, porm, desejava ir 
alm. Pela primeira vez, entendia completamente a fora do desejo sexual.
Mos quentes deslizaram por seu corpo, desde as laterais dos seios at a cintura e os quadris. Ele a moldava como um escultor dando vida  sua argila. E, de alguma 
maneira, ela sabia que Caine entedia seu corpo como se estivesse nua.
Caine afastou a boca para sussurrar com voz rouca:
- Eu quero voc. Agora, Diana.
Voltando  realidade, ela se afastou. Virando-se, passou as mos pelos cabelos.
- Eu no estou pronta para isso. No com voc.
- Que coisa, Diana! - Ele a virou.
- No. - Diana o empurrou, distanciando-se um pouco. - No sei o que est acontecendo dentro de mim no momento. Tudo est indo muito rpido. Mas sei que no serei 
uma das mulheres de Caine MacGregor.
Ele estreitou os olhos, mas no se moveu.
- Voc no pra de rotular as pessoas, no ?
- Quero pr minha vida em ordem, Caine, no complic-la ainda mais.
- Complicar? - repetiu ele em tom controlado. - Tudo bem, Diana, faa o que tem de fazer. - Aproximando-se, no a tocou. - Mas Boston no e uma cidade to grande, 
e esse caso est longe de terminar...
- Isso  uma ameaa, advogado?
Caine sorriu ento.
-  uma promessa. - Segurando-lhe o queixo, deu-lhe um beijo rpido, virou-se e partiu.
Diana no soltou a respirao at que a porta foi fechada.
Aquilo era tudo de que precisava, pensou olhando para a baguna de roupas. Ele apenas a atingira porque suas emoes estavam  flor da pele. Se havia algo que aprendera 
naqueles anos, era conter-se com os homens... no tribunal e na cama. Caine MacGregor no teria sido diferente se no a encontrasse num momento de vulnerabilidade.
No pensaria mais nisso. Diana fechou os olhos e tentou se acalmar. Agora precisava enfrentar seu irmo e vinte anos de enganos. Antes que pudesse enfraquecer, saiu 
do quarto e foi em direo  cobertura.
Justin podia no ter voltado ainda, pensou quando ergueu a mo para bater. Se ele no estivesse, ela iria para seu escritrio e esperaria, linha de fazer isso agora. 
Bateu  porta, ento prendeu a respirao.
Justin abriu-a, o peito nu, uma camisa pendurada sobre o ombro e os cabelos ainda molhados do banho.
- Diana? Est procurando Serena?
- No. - Ela olhou para a cicatriz nas costelas dele. - Posso entrar?
-  claro. - Depois de fechar a porta, ele observou-a cruzar os dedos e andar para o centro da sala. - Gostaria de um caf? Um drinque?
- No, nada.
- Sente-se, Diana.
- No, eu... - A voz falhou e ela meneou a cabea. - No.
- O que foi?
Seria mais fcil se ela no o olhasse, pensou. Mais fcil se fosse covarde e falasse as palavras de costas. Mas manteve os olhos no irmo.
- Eu quero me desculpar.
Justin ergueu uma sobrancelha e comeou a vestir a camisa.
- Pelo qu?
- Por tudo que no fiz ou falei desde que cheguei aqui.
Ele a fitou enquanto abotoava a camisa, mas os olhos no revelavam nada. Justin sabia como manter os pensamentos para si mesmo, percebeu Diana. Por isso era um jogador 
de sucesso.
- Voc no tem do que se desculpar, Diana.       
- Justin. - Ela se aproximou, ento parou e se virou por um momento. - No estou fazendo isso direito. Estranho, sobrevivo juntando as palavras certas, mas agora 
no consigo encontr-las.
- Diana, voc no precisa fazer isso. - Ele queria toc-la, mas, com medo da rejeio, enfiou as mos nos bolsos. - No espero que voc sinta nada.
Reunindo coragem de novo, ela o encarou.
- Eu devo a voc - murmurou.
Instantaneamente, os olhos dele se tornaram distantes e impenetrveis.
- Voc no me deve nada.
- Tudo - corrigiu ela. - Justin, voc devia ter me contado. Eu tinha o direito de saber.
- Saber o qu?
- Pare com isso! - exclamou Diana e agarrou a frente da camisa dele com ambas as mos.
Arqueando uma sobrancelha, ele estudou o rosto teimoso e furioso da irm, fazendo-o lembrar de quando ela era uma garotinha.
- Voc sempre foi estourada. Acalme-se e me explique o que est acontecendo.
- Pare de me tratar como se eu tivesse seis anos de idade - protestou ela quase aos gritos, ainda segurando-lhe a camisa.
- Ento pare de se comportar como uma criana - devolveu ele, divertido. - Voc veio aqui para me falar alguma coisa. Pois fale agora.
Diana respirou fundo. Queria se desculpar, no gritar e acus-lo. Mas o controle parecia lhe escapar das mos.
- Fiquei profundamente magoada com voc durante todos esses anos, at mesmo tentei odi-lo por me esquecer. 
- Acho que entendo isso - murmurou Justin calmamente.
- No. - Meneando a cabea, Diana sentiu os olhos marejados. - Como voc poderia entender se eu nunca lhe falei? Perdi tudo to rapidamente, Justin. Perdi todos. 
Acreditei que voc tinha partido porque eu dava muito trabalho.
Ele a tocou pela primeira vez... alisando-lhe os cabelos como fizera tantas vezes no passado.
- Eu no sabia como faz-la entender. Voc era to pequena.
- Eu entendo agora - comeou Diana. - Justin, tudo o que voc fez por mim...
- Foi necessrio - ele a interrompeu. - Simples assim.
- Justin, por favor. - Ela no sabia como pedir amor. Se tinha algum medo, era o de tentar e fracassar. - Quero agradecer-lhe. Voc tem todo o direito de estar zangado, 
mas...
- Voc no precisa me agradecer por nada.
Diana mordiscou o lbio para parar de tremer.
- Voc se sentiu na obrigao.
- No, Diana. - Ele tocou-lhe a ponta dos cabelos de novo. - Eu amava voc. Ainda amo.
Os lbios de Diana se entreabriram, mas no houve som. Seu irmo estava lhe oferecendo amor... no aceitaria gratido. Ela no lhe daria lgrimas. Em vez disso, 
pegou-lhe a mo.
- Seja meu amigo.
Justin sentiu um n se desfazer no estmago. Lentamente, levou-lhe a mo at os lbios, beijou-a e ento entrelaou a mo na dela.
- Ns temos o mesmo sangue, irmzinha. Sempre amei voc. A partir de hoje, somos amigos.
- A partir de hoje - concordou ela e apertou-lhe a mo.


Quatro

Estava extremamente frio. Diana aumentou o aquecedor do carro enquanto enfrentava o trnsito lento de Boston. At que o veculo esquentasse, pensou sentindo os ps 
congelarem, j estaria dentro do restaurante.
Tinha decidido aceitar o convite de Matt Fairman para jantar. Como promotor auxiliar, ele possua boas conexes. Embora ela preferisse ficar em casa aconchegada 
embaixo das cobertas e vendo um filme, no podia perder a oportunidade de marcar alguns pontos a seu favor.
Diana tinha se demitido de Barclay, Stevens e Fitz na semana que voltara de Atlantic City. Uma maneira de protestar contra a manipulao da tia. Sabia que estava 
se arriscando tanto financeira quanto profissionalmente, e nas duas semanas que se seguiram, sentiu pura insegurana. Barclay representava estabilidade, mas tinha 
sido a escolha de sua tia. Diana queria independncia, e, apesar do medo, no se arrependia de sua deciso.
Se tinha algum arrependimento, era de ter passado to pouco tempo com Justin depois que eles haviam se reconciliado. Mas era essencial que voltasse para Boston e 
cuidasse de sua vida. A demisso do emprego precisava ser feita no auge da raiva. Sentia pressa de procurar a prpria carreira como advogada. E descobriu que tambm 
tinha pressa de explorar Diana Blade, todas as partes de si mesma que estavam enterradas h tantos anos.
Havia tambm uma outra razo pela qual deixara Atlantic City antes do planejado: Caine MacGregor. Precisava colocar alguma distncia entre os dois, principalmente 
aps o ltimo interldio emocional antes de falar com Justin. Caine estava mexendo com ela.
Um homem que tinha a habilidade de fazer isso com as mulheres, cuja reputao com o sexo oposto vinha desde a poca da faculdade. Circunstncias, ou talvez destino, 
a tinham feito ouvir falar de Caine em Harvard, e depois, atravs de associaes mtuas em Boston. Diana j sabia bastante sobre Caine antes de conhec-lo pessoalmente... 
mas foi ento que o problema surgiu.
Era pura atrao fsica, disse a si mesma, e um caso com Caine estava fora de questo. Eles tinham muitos elos, na profisso, e agora na famlia. Ele era mulherengo, 
e ela era cautelosa.
No fundo, sabia que era mais que desejo. Caine mexia com emoes que Diana no podia definir. No estava pronta para defini-las. Portanto, o melhor era ficar longe 
dele.
Exercer sua prpria prtica em advocacia iria requerer todo seu tempo e energia por meses. A perspectiva a amedrontava e a excitava, embora ainda no tivesse achado 
a sala adequada para seu escritrio, e sua lista de clientes fosse pequena. Dessa vez, estaria sozinha. No teria tia Adelaide trocando segurana por obedincia. 
Dessa vez, tomaria suas decises, faria os prprios erros e acertos. Sabia exatamente o que queria: trabalho, desafio, sucesso. Tudo de que precisava era da chance 
para encontrar isso.
Diana parou o carro no estacionamento e desceu. O frio penetrou seu casaco, e uma chuva gelada e forte comeou a cair, deixando o asfalto escorregadio. Ela ignorou 
as pernas quase congeladas e foi em direo ao restaurante.
Quando abriu a porta, o ar quente a fez suspirar de prazer. Diana se aproximou do maitre. 
- Diana Blade. O sr. Fairman j chegou?
O maitre deu uma olhada na lista que tinha cm mos.
- Ainda no, srta. Blade. Quando ele chegar, avise-o de que estou esperando no saguo.
Diana andou em direo  grande sala confortvel, onde sofs e poltronas estavam espalhados no redor de uma imensa lareira de pedra. A luz do fogo era suave e aconchegante, 
enquanto conversas e risadas davam ao ambiente uma atmosfera familiar. Sentou-se em uma das poltronas para esperar.
Eu queria tirar os sapatos e ficar aconchegada aqui pela prxima hora, somente olhando para o logo, pensou. Um dia, terei uma casa parecida com isso. Vou me deitar 
no cho e observar as sombras do fogo danando no teto.
Com um suspiro, afundou mais na poltrona. Estou ficando sentimental, decidiu com uma olhada para seu relgio. Considerando o trnsito e o clima, era normal que Matt 
estivesse atrasado.
De sbito, um garom apareceu ao seu lado e comeou a abrir uma garrafa de champanhe.
- Perdoe-me, isso  um engano - disse ela. - Eu no pedi nada.
- O cavalheiro quer lhe oferecer um drinque, srta. Blade.
- Cavalheiro? - Diana virou a cabea enquanto o garom servia a taa. Assim que o viu, sentiu uma emoo que no poderia categorizar como aborrecimento. Ele lhe 
dissera, afinal, que Boston no era uma cidade to grande.
- Ol, Caine.
- Diana. - Pegando-lhe a mo, ele levou-a aos lbios. - Posso lhe fazer companhia?
- Parece justo. - Ela gesticulou para o champanhe e as duas taas que o garom deixara na mesinha ao lado da poltrona.
Em um terno cinza-claro, ele era o tpico advogado sofisticado. Ela se lembrou de como ele parecera natural em jeans e jaqueta de couro.
- Como vai? - perguntou, erguendo uma das taas.
- Estou bem. - Ele sentou na poltrona oposta, estudando-a. O vestido de seda azul-turquesa brilhava contra a pele suave. A escolha de cores de Diana parecia combinar 
com a escolha do perfume. Vibrantes e ousados.
- Voc est aqui sozinho? - perguntou ela. 
- Sim.
Ela deu um gole no champanhe. 
- Vou encontrar Matt Fairman. Suponho que voc o conhea.
- Sim - confirmou Caine com um sorriso. - Eu o conheo. Pensando em trabalhar para a advocacia jurisdicional agora que se demitiu de Barclay?
- No, eu... Como voc sabe que me demiti?
- Eu me informei - replicou ele simplesmente. - Quais so seus planos?
Diana franziu o cenho por um momento, ento relaxou.
- Pretendo abrir minha prpria firma.
- Quando?
- Assim que eu cuidar de alguns detalhes.
- J encontrou um escritrio?
- Esse  um dos detalhes. - Ela passou um dedo ao redor da borda da taa. - No  to fcil como imaginei, se eu quiser uma boa localizao  um aluguel razovel. 
Tenho trs possibilidades para verificar amanh. 
Caine assentiu.
- Eu conheo um espao que talvez possa interess-la.
- Verdade?
- Fica do outro lado do rio, no muito longe do Palcio da Justia. - Ele deu um gole, observando-lhe os ombros marcados pelo tecido de seda. H semanas vinha pensando 
em como seria a sensao daqueles ombros em suas mos. Tambm vinha se perguntando como Diana estaria em Boston, agora que descobrira sobre a tia e Justin. E principalmente 
depois de se demitir do emprego. Esse tipo de preocupao era maior do que o desejo que sentia por ela. - Um sobrado que foi reformado para acomodar uma rea de 
recepo, salas de conferncias, escritrio - continuou.
- Parece maravilhoso. No sei por que meu corretor no mencionou essa propriedade. - A menos que o preo da casa estivesse alm de suas condies, pensou Diana. 
No ia tocar no fundo que sua tia guardara para ela. Ou Justin? De qualquer forma, no gastaria um centavo do que no ganhara por si mesma. - Como voc soube desse 
sobrado?
- Conheo o dono - respondeu Caine, e servindo mais champanhe para os dois.
Diana percebeu alguma coisa no tom das palavras e o estudou cuidadosamente.
- Voc  o dono.
- Voc  rpida. - Ele sorriu. Ignorando o sorriso, ela recostou-se e cruzou as pernas.
- Se possui uma casa to maravilhosa, por que no a est usando para si mesmo?
- Eu estou. Essa cor fica muito bem em voc Diana.
Ela suspirou.
- Por que eu estaria interessada no seu escritrio?
- Estou com excesso de trabalho. Terei de rejeitar alguns clientes pela simples razo de que no serei capaz de dar-lhes o melhor de mim em termos de tempo e energia. 
Ela ergueu uma das mos.
- E ento?
- Interessada? Diana arqueou as sobrancelhas.
- Em seus clientes?
- Vou transform-los em seus clientes - corrigiu ele.
- Interessada?, pensou Diana. Daria quase tudo para ter a chance de receber alguns casos. Mas precisava ser prtica. - Obrigada, Caine, mas no estou interessada 
em formar uma parceria no momento.
- Nem eu. Confusa, ela meneou a cabea.
- Ento, o que voc est...
- H salas vagas que voc pode alugar na minha propriedade. Tenho alguns casos que serei obrigado a recusar ou transferir para algum. - Caine ainda no sabia por 
que queria transferi-los para ela. Diana era da famlia, justificou para si mesmo. -  uma simples questo de oferta e procura.
Diana ficou em silncio por um longo momento, parecendo pensativa. Estava ainda mais linda do que ele se recordava.
Por duas semanas, Caine havia resistido  vontade de procur-la. At aquela noite, quando finalmente, aceitou que no conseguiria tira-la da cabea. A secretria 
eletrnica de Diana o informara onde encontr-la. Com a oferta que acabara de fazer j em mente, tinha ido ao restaurante. Se Diana aceitasse, ele teria a vantagem... 
e a desvantagem... de estar ao lado dela todos os dias.
- Caine - comeou ela, olhando-o fixamente - , estou muito tentada, mas gostaria de lhe fazer uma pergunta.
- Claro.
- Porqu?
Recostando-se, ele acendeu um cigarro.
- Acredito em voc como profissional. E de certa maneira, somos parentes.
- Obrigaes familiares novamente - disse ela.
- Prefiro a palavra lealdade.
Aps um instante de reflexo, Diana respondeu:
- Eu tambm.
- Pense sobre isso. - Enfiando a mo no bolso do palet, ele tirou um carto. - Aqui est o endereo. V l amanh e d uma olhada.
- Obrigada, eu irei. - Quando Diana foi pegar o carto, descobriu a mo presa na de Caine. Eles se entreolharam.
- Voc fica linda vestida de seda, bebendo champanhe, com um leve toque do brilho do fogo nos olhos - murmurou Caine, acariciando-lhe a mo. - Tenho pensado muito 
em voc, Diana. Quando sua voz se aprofundou, ela sentiu uma forte onda de desejo. - Pensei no seu rosto bonito, no seu aroma, no seu gosto. Na sensao do seu corpo 
contra o meu.
- No. - A palavra era um sussurro de desejo. No faa isso.
- Quero fazer amor com voc por horas, at que seu corpo esteja fraco e que na sua mente s exista eu.
- No - repetiu Diana e retirou a mo. O corao estava disparado no peito. Como ele podia faz-la se sentir assim apenas com palavras? - Isso no vai dar certo 
- acrescentou.
- No? - V-la lutar contra o desejo o fez se sentir poderoso. - Pelo contrrio, Diana, isso vai dar muito certo.
Diana pegou seu champanhe e bebeu. Um pouco mais firme, encarou-o.
- Preciso de uma sala para o escritrio e clientes. - Ela respirou fundo, perguntando a si mesma se seu corao voltaria ao normal. - Tambm necessito de uma atmosfera 
de profissionalismo.
- A oferta  estritamente profissional, doutora - murmurou ele com um sorriso nos olhos. - E voc vai aceitar ou recusar, no tem nada a ver com outros... aspectos 
do nosso relacionamento, nem vai mudar o que est acontecendo entre ns.
- No entende que eu no quero nenhum relacionamento com voc? - devolveu ela. - No pretendo que nada acontea entre ns.
- Ento, no importa se trabalharmos na mesma casa, certo? - Comum sorriso, Caine colocou o carto na mesinha lateral. - Acho difcil acre ditar que voc tem medo 
de mim, Diana. Parecia-me uma mulher muito forte.
Os olhos dela esfriaram.
- No tenho medo de voc, Caine.
- timo - murmurou ele. - Ento, nos veremos amanh. Fairman acabou de entrar, portanto estou indo. - Levantando-se, deu-lhe um beijo no rosto. - aproveite a noite, 
amor.
Irritada, Diana o observou partir. Pegando carto da mesa, rasgou-o em duas partes. No queria saber do escritrio ou dos clientes de Caine MacGregor. Com medo?, 
uma vozinha questionou em sua cabea. Com um gemido de frustrao, abriu a bolsa e jogou os pedaos do carto l dentro.
No estava com medo. E no ia perder uma oportunidade profissional porque Caine MacGregor s pensava em sexo. Iria ao escritrio dele, decidiu, e num impulso bebeu 
o resto do champanhe num gole s. Se as acomodaes fossem boas, aceitaria. Ningum iria impedi-la de chegar onde queria. Nem ela mesma.
Pela manh, Diana foi ver as duas propriedades indicadas pelo corretor de imveis. A primeira era um "no" positivo, a segunda um "talvez". Em vez de ir para a terceira 
casa indicada, pegou-se indo para o endereo do carto de Caine.
Seria objetiva como fora com as outras, disse a si mesma. Consideraria o espao, a localizao e o aluguel. O fato de a casa ser dele no poderia influenci-la.
Com alguma sorte, ele nem estaria no escritrio, e a secretria lhe mostraria o local. Seria mais fcil tomar a deciso sem a presena de Caine.
Ela amou o lugar assim que o viu. A casa era antiga e lindamente preservada, aninhada com toda elegncia entre arranha-cus de vidro e a Havia caminhos de neve no 
gramado, mas pequena rea de estacionamento ao lado esta limpa.
Enquanto seguia o piso azulejado, Diana olhou ao redor. Havia uma sentinela de carvalho no jardim, uma longa cerca viva separando o gramado da calada. O Palcio 
da Justia ficava menos de um quilmetro. At agora, era bom demais para ser verdade.
Ao lado da porta pesada, uma discreta placa de lato anunciava: "Caine MacGregor, Advogado". Ela imaginou uma placa similar embaixo com o seu nome. Calma, Diana, 
voc ainda nem viu o interior, a voz voltou. Mas quando abriu a porta, lembrou-se do comentrio de Caine sobre destino algumas semanas atrs.
A rea de recepo era em tons rosa e marfim. Mesas de ferro ladeavam um sof entalhado. Diana sentiu a fragrncia de flores frescas vindo de um pequeno vaso sobre 
a mesa. O piso era de madeira brilhante, e acima da lareira; onde um fogo queimava vigorosamente, havia um espelho oval.
Caine MacGregor tinha estilo, pensou ela.
Atrs de uma mesa de madeira, na qual muitas pastas e papis estavam espalhados de forma desorganizada, uma mulher de meia-idade segurava o telefone entre a orelha 
e o ombro enquanto datilografava freneticamente. Ela sorriu para Diana e gesticulou para que sentasse.
- A agenda do sr. MacGregor est cheia at a prxima quarta - murmurou ao telefone. - Posso marcar uma hora para quinta  tarde, s duas horas. Sim, sra. Patterson, 
 o primeiro horrio livre dele... Sim, eu retorno se houver algum cancelamento. - Ela parou de datilografar para anotar na agenda.
Diana tirou o casaco e colocou-o no brao do sof. Quando a secretria desligou o telefone, sorriu-lhe.
- Boa tarde, posso ajud-la?
- Sou Diana Blade...
- Oh, sim - interrompeu a mulher e se levantou, revelando que o resto do corpo era to redondo quanto o rosto. - O sr. MacGregor disse que talvez voc viesse. Sou 
Lucy Robinson.
- Prazer. - Diana apertou a mo da mulher. A senhora parece muito ocupada. Talvez eu deva voltar outra hora...
- Bobagem. - Lucy deu-lhe um tapinha maternal no brao. - O sr. MacGregor est com um cliente, mas me deu ordem para lhe mostrar a casa. Vamos subir e ver a sua 
sala, primeiro.
Antes que Diana pudesse explicar que no era ainda a sua sala, Lucy j estava indo em direo  escada. Deixou a mquina de escrever ligada e Diana perguntou-se 
se deveria avisar.
- Sra. Robinson...
- Chame-me de Lucy. No somos formais aqui,  mais como uma famlia.
Famlia, pensou Diana. Parecia no haver como fugir disso.
Enquanto subiam a escada, cujo corrimo era impecavelmente lustroso, Lucy continuou falando:
- No andar debaixo, h uma sala de conferncias e uma pequena cozinha. Muitas vezes no samos para almoar e comemos aqui mesmo. Voc sabe cozinhar?
- Ah... no muito bem.
- Que pena. - Lucy - parou no topo da escada.
- Nem Caine nem eu somos muito talentosos na cozinha. - Ela estudou Diana por um momento.
- Ele no me disse que voc era to bonita. So parentes, no?
- De certa forma. Meu irmo  casado com a. irm dele.
- Eu sabia que era algo assim. - Lucy apontou para uma porta. - A sala de Caine  essa, a sua, fica no fim do corredor.
-  uma casa adorvel - comentou Diana enquanto seguiam o corredor. - Parece que Caine no precisou mexer muito na estrutura para transform-la em escritrios.
- S foi preciso derrubar algumas paredes - concordou Lucy. - Quando se passa muito tempo em um lugar, este deve ser confortvel.
- Hum. - Diana pensou no cubculo que era a firma Barclay, Stevens e Fitz. - Faz tempo que voc trabalha para Caine?
- Comecei quando ele era advogado do estado - contou Lucy. - Quando Caine me convidou para ser sua secretria particular, no pensei duas vezes. Aqui estamos. - 
Ela abriu a porta, indicando que Diana entrasse.
Era perfeito demais, pensou Diana, andando pela sala vazia. Pequena, mas no apertada, com duas grandes janelas. Seus saltos ecoaram no piso de madeira quando se 
aproximou da bonita lareira de mrmore branco.
Podia facilmente visualizar a sala mobiliada. com algumas poltronas confortveis, talvez um sof vitoriano de dois lugares com uma mesinha baixa. Em uma das paredes, 
faria uma prateleira para seus livros de Direito. Se quisesse comear sua prtica com estilo, jamais encontraria nada mais apropriado.
- No sei como Caine no achou um uso para essa sala - pensou em voz alta.
- Oh, a sala esteve mobiliada por um tempo. Ele ficava aqui em vez de ir para casa quando trabalhava at mais tarde - disse Lucy. - Ento, decidiu que o trabalho 
no podia virar obsesso.
- Entendo.
- A biblioteca fica nesse andar - continuou a secretria. - H tambm um banheiro completo, tudo de porcelana original. Ops, o telefone est tocando. Fique  vontade. 
- Sem esperar resposta, ela correu de volta para o corredor.
Lucy no se parecia nada com a jovem secretria que Diana compartilhara em Barclay. Mas ento, no local de trabalho de Caine tudo era diferente e muito mais agradvel.
Os clientes se sentiriam relaxados l, cercados por um toque pessoal e aconchegante. Estudando as possibilidades, ela foi para o corredor e abriu uma porta ao acaso, 
encontrando a biblioteca de Caine.
Uma mesa longa dominava o centro da sala, na qual alguns livros estavam amontoados. Pegando um livro aberto, Diana leu: "Estado versus Sylvan." Aquele tinha sido 
um caso voltil no fim dos anos setenta, com muita publicidade e um longo julgamento repleto de emoes. Por que Caine estaria consultando aquilo?, perguntou-se. 
Intrigada, abaixou o livro para comear a ler. Quando ele apareceu  porta dez minutos depois, estava absorta.
Ele no falou por um momento, percebendo que era a primeira vez que a via to entretida em alguma coisa. A expresso era concentrada e os lbios estavam levemente 
entreabertos. Com as mos apoiadas sobre a mesa, ela estava inclinada para a frente, e os cabelos atrs da orelha revelavam delicados brincos de ouro. Ele sabia 
que quando se aproximasse, sentiria o aroma maravilhoso de Diana, fazendo promessas incrveis. Cauteloso, enfiou as mos nos bolsos e permaneceu onde estava.
- Leitura interessante?
Diana ergueu a cabea, mas endireitou o corpo devagar.
- "Estado versus Sylvan." Um caso fascinante. A defesa s faltou tirar um coelho da cartola no julgamento de trs meses.
- O'Leary  um grande advogado de defesa. - apoiando as costas contra a porta, ele a estudou.
- Entretanto, aps duas apelaes, ele perdeu - apontou ela.
- O cliente dele era culpado. O processo formou um caso cuidadosamente estruturado.
Diana traou um dedo pelo livro aberto.
- Voc tem um caso parecido, ou isso  somente leitura casual?
Ele sorriu.
- Virginia Day - respondeu, ento esperou pela reao dela.
Diana arregalou os olhos.
- Voc a est defendendo?
- Isso mesmo.
Diana conhecia a histria. Um assassinato na alta sociedade. Marido infiel, esposa ciumenta, um pequeno revlver mortal.
- Voc no pega casos fceis, verdade?
Ele deu de ombros e mudou de assunto.
- Lucy me disse que lhe mostrou a sala.
- Sim. Vi evidncias da desorganizao dela - comeou Diana com um sorriso. - Assim como muita eficincia. A nica coisa que no percebi foi o vcio de Lucy em novelas.
- A menos que voc tenha uma hora para perder, no lhe pergunte sobre novelas.
Com uma risada, Diana se levantou, aproximando-se.
- Sua casa  maravilhosa, Caine. Sou forada a admitir que  melhor do que qualquer outra que j vi.
- Forada? - disse ele, descobrindo que estava certo sobre o aroma de Diana.
- Quase esperei que no fosse adequada, de modo que eu no precisasse tomar uma deciso. - Voc mesmo escolheu os mveis?
- Sim. Gosto de leiles e lojas de antiguidades. Alm disso, no confio no julgamento de outras pessoas quando se trata de algo com que eu terei de conviver.
- Muito sensato. Se eu no ficar com o espao, voc vai alug-lo de qualquer maneira?
- No necessariamente. - Ele observou-lhe as mos, e mais uma vez achou quase um pecado que os dedos no fossem adornados por anis. - No quero arriscar passar 
tanto tempo com algum com que no sei se sou compatvel.
Ela arqueou as sobrancelhas.
- E acha que ns dois somos compatveis?
- Acho que nos damos bem o suficiente, Diana. Por que no vamos nos sentar na minha sala?
Enquanto seguiam o corredor, Caine a olhou.
- Posso pedir que Lucy traga um caf.
- No, estou bem... e ela parece bastante atarefada.
O escritrio de Caine era grande, mas astutamente dominado por uma mesa antiga de madeira. Como a de Lucy, estava repleta de arquivos e blocos, no entanto, a mesa 
de Caine refletia organizao escrupulosa. Com certeza, ele no exagerara sobre o excesso de trabalho.
A lareira estava acesa l tambm, e as paredes exibiam aquarelas vivas e alegres. Diana olhou ao redor antes de escolher uma poltrona de couro.
- Tudo muito bonito - comentou quando ele se acomodou na poltrona ao lado. - No quero tomar o seu tempo, Caine. Segundo Lucy, sua agenda est cheia at a prxima 
semana.
- Acho que posso tirar alguns minutos de intervalo. - acendendo um cigarro, relaxou contra o encosto da poltrona. - Uma vez que voc gostou do lugar, parece que 
tem uma deciso a tomar.
- Sim. - Diana suspirou. - Eu gostaria de ficar com a sala, Caine. Mas  claro, preciso saber o preo.
Soltando a fumaa, ele forneceu um valor que estava dentro do oramento de Diana, mas alto o bastante para que ela no considerasse caridade.
- Lucy concordou em trabalhar para voc at que esteja totalmente instalada. Ento, voc decide se quer continuar com ela ou contratar sua prpria secretria.
Diana assentiu com um gesto de cabea.
- Certo, acho que podemos fazer negcio. Quanto ao fato de voc me passar clientes, no sei se me sinto muito confortvel com isso.
- Por que no? - questionou ele. - Voc no estava esperando por um pouco de propaganda, jantando com Fairman ontem?
Diana o olhou.
- No gosto da forma como voc coloca isso, mas sim.  um pouco diferente do que voc props.
- Se no quer os meus clientes, vou pass-los para outra pessoa - murmurou ele. - No momento, h dois casos que eu gostaria de pegar, mas no posso. O caso Day vai 
requerer centenas de horas.
Diana queria muito saber detalhes, mas conteve-se.
- Por que voc os transferiria para mim? No sabe se sou boa ou no.
- Pelo contrrio. Investiguei voc.
- O qu?
Ele sorriu do semblante indignado de Diana.
- No acha que eu recomendaria clientes para um advogado se no soubesse que ele  competente, acha?
Ela suspirou, frustrada.
- No. Tudo bem, quais so os dois casos?
- O primeiro  uma acusao de estupro. O menino tem dezenove anos. Cabea quente, m reputao. Ele alega que a garota estava disposta... diversas vezes, na verdade... 
ento, eles tiveram uma briga. Logo depois, ele foi acusado. O segundo,  um caso de divrcio. A esposa  a pleiteadora. Quando chegou aqui, o olho esquerdo estava 
inchado e iria precisar de cirurgia dental extensiva.
- Esposa que apanha - disse Diana com desgosto.
- Aparentemente. Ela diz que isso j acontece h um bom tempo, mas agora chegou ao limite E ele a est processando por abandono do lar. O homem  rico e tem poder, 
e a esposa est relutante em acus-lo formalmente. Ser um caso complicado.
- Nunca pensei que voc me passaria alguma coisa simples - murmurou Diana. - Eu gostaria de falar com os dois na prxima semana.
- timo.
- Voc vai fazer o contrato para o aluguel, ento?
- Estar pronto na segunda-feira.
- Vou deix-lo trabalhar agora. - Com um sorriso, Diana se levantou. - Parece que terei de comprar uma mesa - acrescentou, guardando o momento de empolgao para 
quando estivesse sozinha. - Obrigada, Caine. - Ela estendeu a mo. - Apreciei muito o fato de voc me dar a primeira chance.
- Aceito sua gratido agora. Talvez no fique to feliz depois de falar com essas duas pessoas.
Levantando-se, ele aceitou a mo oferecida.
- Negcios concludos. Agora - erguendo um dedo, brincou com a gola da blusa de Diana - , jante comigo hoje, Diana.
Com que facilidade a voz dele assumia aquele tom ntimo, pensou ela, sentindo o sangue esquentar em resposta instantnea.
- Acho que ser mais sbio se nos concentrarmos somente nos negcios, Caine.
- Na hora certa - murmurou ele. - Penso em coisas melhores numa noite fria de sexta-feira. H um pequeno lugar em Back Bay, onde o peixe  fresco e delicioso. Em 
um dos cantos, tem uma mesa que a luz mal alcana. Voc pode sentir o cheiro de velas e nunca ver nenhum conhecido.
Ele gentilmente traou-lhe o lbulo, brincando com o brinco de ouro.
- Eu gostaria de lev-la l, tomar vinho, ouvir sua risada. Ento, mais tarde, eu a levaria para minha casa e acenderia a lareira. - Lentamente, os olhos de Caine 
percorreram-lhe o rosto, demorando-se em cada nuance. - Eu faria amor com voc at que restassem apenas as brasas.
Ele se aproximou, mas Diana no notou, apenas ofegando contra seus lbios. Podia visualizar a cena que Caine descrevera. Ele seria um amante maravilhoso... o tipo 
de amante que toda mulher desejava, mesmo sabendo que poderia no sobreviver  experincia. E ela o queria, mais do que j quisera qualquer homem. Todavia, seria 
apenas mais uma mulher na lista dele.
- No. Isso no  o que eu quero - murmurou sem convico.
- , sim - corrigiu ele. Ento, puxou-a para seus braos e beijou-a ardentemente.
Sem poder evitar, Diana correspondeu com a paixo que sentia pulsar em seu interior. Entregando-se s carcias, desejou que pudesse fundir-se a Caine para sempre. 
Aquilo era to tentador que poderia lev-la para um caminho perigoso e sem volta. Pensando nisso, Diana gemeu e saiu dos braos dele.
- No! - repetiu com mais fora dessa vez. - Estou lhe dizendo que isso no  o que quero.
Os olhos de Caine brilharam com algo que parecia fria, mas a voz era calma o bastante. No estava acostumado a sentir desejo e raiva ao mesmo tempo, e esforou-se 
para encontrar o equilbrio.
- Eu sei que  - insistiu ele. - Mas posso esperar um pouco mais para que voc admita isso.
- Voc ter de esperar muito - retorquiu ela, pegando a bolsa com a mo trmula. - Apronte os papis para segunda-feira e eu trago o cheque. Se no puder lidar com 
as coisas dessa maneira, ento vamos esquecer tudo.
Caine no se moveu quando ela saiu e bateu a porta. Precisava de um momento para controlar as emoes. No pretendia ter perdido o controle. Na verdade, prometera 
a si mesmo que no perderia. Enfrentava tribunais com promotores que tentavam esmag-lo. Sentava-se em salas de conferncias com clientes que o amaldioavam. E tinha 
perfeito controle sobre tudo. Diana podia destru-lo com uma palavra, um nico olhar.
Alguma coisa inesperada estava acontecendo. Se fosse esperto, pensou, faria exatamente o que Diana exigia. Eles poderiam ser colegas de trabalho, discutir casos 
atuais e reclamar dos juzes.
Mas no era esperto, decidiu, esperando que o n em seu estmago se desfizesse. Iria ter Diana... e no demoraria tanto quanto ela pensava.


Cinco

Por que algum estaria martelando no meio da noite?, perguntou-se Diana, cobrindo a cabea com as cobertas. O som da batida continuou mais alto e mais claro. Enterrou 
a cabea debaixo do travesseiro e praguejou.
Trinta segundos depois, no agentou mais e abriu os olhos. Sete e meia, viu no relgio do criado-mudo. No era meio da noite, mas quase, considerando que era sbado. 
E no era martelo, percebeu, e sim algum batendo  sua porta. Irritada e sonolenta, levantou e vestiu um robe.
- Estou indo - gritou no caminho. Diana abriu a porta com tanta fora que a corrente de segurana rangeu.
- Ol. - Caine sorriu atravs da abertura. - Acordei voc?
No primeiro impulso, Diana bateu a porta na nua dele. Aps um momento de reflexo, abriu a corrente.
- O que voc quer? - perguntou, abrindo a porta completamente.
- Bom dia para voc, tambm. - Caine deu-lhe um beijo breve nos lbios antes de passar por ela.
Cerrando os dentes, Diana fechou a porta e encostou-se contra ela.
- Voc sabe que horas so?
- Claro... so 7h35 - anunciou ele aps checar o relgio. - Voc tem caf?
- No. - Diana apertou o cinto do robe. - So 7h35 de um sbado - acrescentou com ironia.
- Certo - concordou ele distrado, enquanto olhava ao redor.
A casa ainda no estava toda mobiliada. Diana decoraria seu primeiro lar com muito cuidado. Havia um tapete oriental que comprara numa loja de segunda mo, um sof 
elegante e uma mesinha de centro francesa que ela pintara no poro do prdio. O nico quadro da sala tinha sido comprado na sua viagem a Paris.
Caine enfiou as mos nos bolsos do jeans e estudou as peas. Como Diana, eram clssicas, especiais e cuidadosamente posicionadas.
- Gosto disso - comentou ele. - Voc ps muito de si mesma nesse local.
- Devo lhe dizer o que sua aprovao significa para mim? - perguntou Diana, bocejando.
- Hum. Voc est sensvel essa manh - murmurou ele. - Por que no fao um caf?
- Voc no vai ficar - disse Diana quando ele foi para a cozinha.
- Eu fao o caf sem problemas.
- Caine, eu estava dormindo. Algumas pessoas gostam de dormir at mais tarde nos fins de semana.
- O que atrapalha todo o seu sistema - respondeu ele enquanto mexia nos armrios. - Por isso, as pessoas tm dificuldade em se levantar nas segundas-feiras. - Caine 
achou a lata de caf e comeou a medir.
- No me importo de levantar nas segundas-feiras. - Irritada, ela suspirou. - O que voc est fazendo aqui, afinal?
- Caf. A menos que voc esteja com fome. - Ele sorriu. - No entendo muito de cozinha, mas sei fazer ovos mexidos.
- Eu no quero nada retorquiu Diana rudemente, ento esfregou os olhos. No acredito que estou aqui, tendo essa conversa ridcula.
- Vai fazer mais sentido depois que voc tomar um caf. - Ele virou-se para olh-la. Diana estava adorvel, com os cabelos despenteados e a expresso sonolenta. 
- Eu j lhe disse que voc fica linda de manh.
- Oh, claro.
-  verdade. - Caine segurou-lhe o queixo.
- Acho que tem algo a ver com a sua pele. - Ele traou-lhe o maxilar. Era macio e forte ao mesmo tempo. - Conte-me, voc usa alguma poo indgena mstica?
- No conheo nenhuma poo indgena. E seu caf est pronto.
- Est? - Ele se virou para servir uma xcara.
- Voc quer?
- Acho que sim, j que  bvio que no poderei dormir mais. - Diana abriu a geladeira e pegou o leite.
Sorrindo, Caine levou sua xcara para a sala de estar.
- Ns temos quase a mesma vista - disse ele.
- Meu apartamento fica a uma quadra daqui.
- Isso no  cmodo?
- Destino - replicou Caine, acomodando-se no sof. - Fantstico, no acha?
- Qualquer hora dessas vou lhe dizer o que fazer com o seu destino. - Ela sentou ao lado dele, descansando o cotovelo no brao do sof, a cabea apoiada na mo. 
Baixando os clios, bocejou de novo.
Caine sorriu.
- Lucy vai fazer o contrato de aluguel. Deve estar pronto na segunda  tarde.
- Tudo bem. Pretendo fazer umas compras para o escritrio hoje. - Diana bebeu o caf quente, e agora estava completamente acordada.
- Boa idia. Eu vou com voc.
- Aonde?
- Fazer compras.
- Aprecio a oferta, mas no  necessrio. Voc deve ter outras coisas para fazer.
- No realmente. - Caine riu, e inclinou-se para tocar-lhe os cabelos. - Por que acho irresistvel quando voc me dispensa de forma educada?
Ela lhe lanou um olhar frio.
- No tenho a menor idia.
- Gosto de passar o tempo com voc, Diana.
- Ele recostou-se, mas no tirou os olhos dela.
- Por que tem tanta dificuldade para aceitar isso?
- No tenho... Isto , tenho, mas...
- H trs motivos - interrompeu ele. - Ns somos famlia, temos a mesma profisso e estou atrado por voc. No apenas por seu rosto fascinante, mas tambm por sua 
mente peculiar.
- No tenho a mente peculiar - protestou ela e se levantou. Pondo as mos nos bolsos, foi para a janela. Admitia o fato de terem a mesma profisso, estava tentando 
aceitar a idia de famlia, mas... - Voc me confunde. - Diana se virou abruptamente. - No quero ficar confusa. Quero saber exatamente o que estou fazendo, por 
que e como estou fazendo. Quando voc est por perto, minha mente fica em branco. Que coisa, Caine, no posso permitir que me faa esquecer coisas toda vez que comeo 
a resolv-las.
Intrigado pela sbita exploso, ele a observou calmamente, ento deu um gole do caf.
- J considerou deixar as coisas se resolverem sozinhas?
- No. Deixei o barco correr por muitos anos. No mais.
Caine ps a xcara sobre a mesa e se levantou, estudando-a de perto.
- Devido a algumas circunstncias que voc no pde evitar, vai se fechar a quaisquer sentimentos ou desejos que tem por mim porque no se encaixam nos seus planos 
atuais?
- Isso mesmo. - Irritada, Diana passou a mo pelos cabelos.
- Seu caso  muito fraco, advogada - comentou Caine se aproximando. - Eu poderia achar muitos furos interessantes nele.
- No estou interessada em sua contra-investigao.
- Podemos resolver isso fora do tribunal - sugeriu ele, aproximando-se mais.
- Tambm h a sua reputao de perseguir mulheres. - Diana deu um passo atrs.
- Voc no pode me condenar sob evidncias circunstanciais ou boatos. - Ele tocou-lhe o ombro e o massageou. - Precisa construir seu caso em algo mais forte. - Caine 
roou-lhe uma das faces com os lbios, depois a outra. - Ou voc pode tentar confiar em mim.
Diana sentiu a fraqueza dominando-a e forou-se a se concentrar.
- Posso tentar pular da janela. De qualquer forma, arrisco me machucar.
Desejando que tivesse alguma defesa contra vulnerabilidade, Caine afastou-se. Falava srio, queria a confiana de Diana, mesmo que no soubesse se podia confiar 
em si mesmo.
- Voc quer promessas, garantias. No posso lhe dar isso, Diana. Mas ento, voc tambm no pode me dar o mesmo.
-  mais fcil para voc.
- Por qu?
- Eu no sei. - Ela suspirou. - Apenas parece ser.
Caine no tinha certeza de quais eram suas prprias motivaes, mas queria proporcionar-lhe coisas novas... divertimento, paixo. Pensaria nos seus motivos mais 
tarde.
- V se vestir e passe o dia comigo. Por que no se d um tempo para me conhecer melhor?
- No sei se quero conhec-lo melhor - murmurou ela.
- Justin ficou com todo o sangue de jogador, Diana?    
Caine ficava to lindo quando sorria. Ela sentiu enfraquecer de novo.
- Talvez.
- Um advogado  um jogador de certa maneira.
- O problema  que no estou pensando como advogada no momento. - Relaxando agora, Diana sorriu. - Se estivesse, eu citaria vrios precedentes que provariam meu 
direito de mand-lo embora e voltar para a cama.
Ele a olhou em silncio por um longo momento. Ento sorriu.
- Diana, se voc no for se vestir agora, vou satisfazer minha curiosidade e descobrir o que h por baixo do seu robe.
Ela arqueou uma sobrancelha.
- Verdade?
- Ns podemos negociar,  claro. - Caine; pegou a lapela do robe entre o polegar e o indicador. - Mas devo avis-la de que estou preparado para chegar a esse ponto... 
num futuro muito prximo.
- J que voc coloca dessa maneira... vou tomar um banho.
- Certo, eu vou terminar o caf. - Caine observou-a andar, olhando para o robe na altura dos quadris. - Diana, o que voc tem embaixo desse robe?
Ela o fitou por sobre o ombro.
- Absolutamente nada.
- Foi o que pensei - murmurou Caine quando ela fechou a porta.

Rindo, Diana abriu a porta da loja.
- No acredito que voc fez isso!
Caine a seguiu para dentro do estabelecimento.
- Apenas fui sincero - disse ele. - Vi um abajur idntico na outra loja, vinte dlares mais barato.
- Mas tinha de falar para a mulher na frente do vendedor?
Caine deu de ombros.
- Ele devia manter os preos competitivos.
- O homem quase teve um ataque - Diana lembrou com uma risada. - E eu quase morri de vergonha. Nunca mais poderei entrar l.
- Eu no entraria... a menos que ele baixe os preos.
Ela estreitou os olhos e o estudou.
- H muito mais de escocs em voc do que aparece na superfcie.
- Obrigado. Vamos dar uma olhada na loja.
Diana comeou a procurar algo que a interessasse entre os artigos expostos.
-  culpa sua que estamos andando h uma hora e ainda no comprei nada. Gostei daquela poltrona de canto - murmurou ela.
- Podemos voltar l se voc no gostar de mais nada. Olhe isso. - Ele achou um par de pistolas escocesas numa capa. Do sculo XVIII, calculou quando olhou mais de 
perto. Seu pai as adoraria.
- Voc coleciona esse tipo de coisa? - perguntou Diana.
- Meu pai.
- Elas so extraordinrias, no so?
Caine virou a cabea para ver Diana olhando concentrada para as pistolas.
- No so muitas as mulheres que olham um arma dessa maneira.
Ela deu de ombros.
- So parte da vida, no so? E voc sabe que meu povo foi guerreiro. Assim como o seu. - Com um sorriso, Diana voltou a olhar para as armas. -  claro, voc no 
encontraria um comanche com pistolas to elegantes. Sabe de onde elas so?
- Escocesas - respondeu ele, sentindo-se mais fascinado por ela do que nunca.
- Imaginei. - Diana lhe lanou um olhar penetrante. - Talvez eu as compre, ou acabarei indo para casa de mos vazias. - Ela notou uma vendedora se aproximando. - 
Descubra o preo, enquanto vou dar uma volta.
Ela foi para o outro lado da loja. Quem diria que apreciaria um sbado visitando lojas? Quem diria que passaria a pensar em Caine MacGregor como uma companhia agradvel 
e um amigo? Meneando a cabea, alisou a superfcie de um gaveteiro.
Quanto mais tempo passava com ele, mais fcil era ser ela mesma. No havia necessidade de ser Diana Blade de Beacon Hill. Oh, estava cansada daquelas mulheres da 
sociedade! Entretanto, vinte anos de treinamento tinham deixado sua marca.
Tia Adelaide havia martelado regras rgidas em sua cabea. Mesmo quando as questionava, Diana obedecia, rebelando-se esporadicamente e com discrio. Sempre controlando 
paixo e emoes. No se podia mudar uma vida da noite para o dia, disse a si mesma. Mas estava fazendo progressos.
Talvez o desejo de ser bem-sucedida na carreira fosse uma outra expresso da mesma revolta. No seria uma advogada que escreveria contratos e testamentos. Queria 
mais do que isso. Num tribunal, poderia vivenciar mais paixo. L, isso era aceitvel, at mesmo considerado eloqente. Com palavras, podia brigar pelo que acreditava.
A advocacia sempre a fascinara. Era um assunto amplo e estreito, sucinto e nebuloso. Entretanto, considerava-o slido, apesar de seus infinitos ngulos. Queria o 
excitamento, a presso e a glria do direito criminal. Sua mente voltou a Caine.
Tinha de admitir que o queria, tambm. Ele a fazia se sentir necessria. O doce prazer que Caine podia despertar a tentava cada vez mais Talvez por isso, ela lutasse 
contra. Conhecia o desejo e o prazer, mas sempre permanecera racional sobre isso. No com ele. Portanto, prometeu a si mesma que seria cuidadosa.
Olhou para trs e o viu examinando uma das pistolas. Estranho que a arma antiga ficasse to bonita nas mos dele. Havia algo de aristocrtico em Caine, inteligncia 
e perigo pareciam se refletir em seus olhos. Um rosto magro e celta com uma boca que prometia fora e gentileza ao mesmo tempo.
Um sculo atrs, Caine teria lutado com pistolas em vez de palavras, pensou ela. E teria vencido do mesmo jeito.
Caine pegou a arma, sentindo o peso. Ergueu os olhos para encontrar os de Diana. Eram frios e perigosos. Enquanto ele lhe prendia o olhar. Diana experimentou a agora 
familiar luta entre o intelecto e emoo. A batalha parecia mais longa dessa vez, com resultados mais incertos. Quando a razo voltou a assumir o controle, estava 
tremendo e fraca... como se ele a estivesse beijando, o corpo quente colado ao seu.
Cuidado, Diana, disse a si mesma e se virou. Ela observou uma poltrona estofada com brocado azul-claro, ainda em excelente estado. Aps verificar a etiqueta com 
o preo, achou que poderia compr-la. Quando endireitou o corpo para procurar um vendedor, viu a mesa.
Era aquela... perfeita. Com um suspiro de prazer, comeou examin-la. Feita de elegante cerejeira, a mesa possua o tamanho e as linhas que ela esperava encontrar. 
A base era belamente entalhada, as gavetas adornadas com puxadores de lato e, no interior, o cheiro de cerejeira permanecia.
Minha, pensou de maneira possessiva. J podia visualizar a mesa diante da lareira... esperanosamente repleta de pastas.
- Vejo que voc achou o que queria.
Sorrindo, Diana segurou o brao de Caine.
-  maravilhosa, no ? Exatamente como eu queria. - Ela pegou-lhe a mo. - Tenho de compr-la.
Entrelaando os dedos nos dela, Caine olhou o preo da etiqueta no canto da mesa.
- Tente no demonstrar muita ansiedade - avisou-a. - A vem o vendedor.
- Mas eu...
- Confie em mim. - Inclinando a cabea, ele deu-lhe um beijo rpido. -  claro que  bonita, querida, mas voc tem de ser prtica.
- Caine...
- Posso ajudar?
Caine sorriu para o vendedor que lhe mostrara as pistolas.
- A moa gostou da mesa, mas...
- Um timo preo - interrompeu o homem voltando-se para Diana. - Observe os entalhes, Ningum mais faz um trabalho assim hoje em dia.
- Era exatamente o que eu estava procurando. - Ela sorriu-lhe. O vendedor j podia v-la assinando o cheque.
- Diana. - Caine passou o brao ao redor do ombro dela, apertando-o mais do que o necessrio. - Vamos precisar de vrios outros mveis, lembra? A mesa  muito bonita, 
mas a outra que vimos tambm . - Ela abriu a boca para dizer-lhe que no haviam visto nenhuma, mas ento percebeu o brilho nos olhos dele.
- Bem, sim. Mas realmente gostei desta. E daquela poltrona - acrescentou ela, apontando para o pequeno brocado azul.
- Uma outra escolha excelente, senhora - palpitou o vendedor, animado com a venda que faria. - Perfeita para uma verdadeira dama, assim, como a mesa.
Diana suspirou, deslizando o dedo pela mesa adorvel. Espero que ele saiba o que est fazendo, pensou e olhou para Caine.
Ele sorriu.
- Mas voc tambm vai precisar de uma cadeira para a mesa, e do abajur certo. Quase poderia comprar as duas coisas com a diferena de preo entre esta mesa e a outra.
- Voc tem razo. - Foi necessrio um esforo, mas Diana deu um sorriso apologtico ao vendedor. - Estou mobiliando meu escritrio, e h tantas coisas que necessito.
- Entendo perfeitamente. - O homem pensou se poderia perder a venda das pistolas, tambm. - Ns gostamos de proporcionar mveis certos para as pessoas certas - murmurou. 
- Vou falar com o gerente. Tenho certeza de que ele pode dar um desconto.
- Bem... - Caine beliscou-lhe o brao para impedir que concordasse to rapidamente. Diana conteve-se para no empurr-lo. - No custa nada ouvir, querido - disse 
com uma doura que no estava refletida nos olhos. - Tudo bem. - Caine sorriu. - Vamos olhar os abajures enquanto voc fala com o gerente - murmurou para o vendedor.
- Se voc me fizer perder essa mesa, mato voc - ameaou Diana quando o vendedor se retirou apressado.
- Vou faz-la poupar 1O%. E voc vai me pagar o almoo. - Caine parou diante de um abajur de lato. - O que acha desse? - perguntou passando a mo sobre a base do 
abajur. Combina com a mesa.
- Sim,  lindo. - Ela brincou com a cpula delicada, ento o fitou. - Voc gosta de regatear, no?
- Est no sangue. Meu pai vive disso.
- E muito bem - murmurou Diana. - Estou lhe avisando, vou comprar a mesa com ou sem barganha.
- Quer a poltrona, tambm, ou estava inventando?
- Sim, quero! - Ela riu. - No sou to demonaca quanto voc.
- Fique por perto e aprender.
O vendedor apareceu, sorrindo de modo triunfante.
- Bem, acho que podemos negociar.
Quinze minutos depois, Diana estava do lado de fora, vermelha de frio e de prazer.
- Como voc sabia que ele ia tirar 1O%?
- Experincia - replicou Caine, segurando-lhe a mo.
- De agora em diante, farei compras com uma nova viso. - Ela sorriu docemente. - Obrigada pelo abajur. Foi gentileza sua compr-lo para mim. E suponho que as pistolas 
vo para seu pai?
- Hum. O aniversrio dele est prximo.
- No comprou nada para si mesmo - apontou ela. - H algo que voc queira?
- Sim. - Virando-se, Caine puxou-a para seus braos, e a beijou ardentemente.
A calada estava repleta de pessoas entrando e saindo de lojas. Diana no notou nada. Com as mos enluvadas no rosto de Caine, entregou-se ao beijo, esquecendo de 
tudo  sua volta.
- Inestimvel - murmurou Caine, afastando-a. Com um suspiro, Diana olhou ao redor.
- Voc gosta de chamar a ateno das pessoas. Rindo, ele pegou-lhe a mo de novo e comeou a andar.
- Essa no foi a minha inteno. Que tal almoarmos?
- Suponho que lhe devo isso.
- Com certeza. H um restaurante ali na esquina...
- Charley's! - exclamou Diana, surpresa quando Caine se aproximou da porta.
- Excelente chili.
- Eu sei. S o descobri quando estava na faculdade. - Eles compartilhavam muitos gostos, pensou Diana enquanto entravam no local que te e aconchegante.
- Voc gosta daqui? - perguntou Caine.
- Sempre adorei. Como voc gosta do seu chili?
- Picante.
Rindo, Diana tirou o casaco.
- Eu tambm.
A atmosfera era vitoriana, com seus quadros brilhantes e um longo bar com barra de lato Diana costumava ir l frequentemente na poca da faculdade, sabendo que 
no encontraria Adelaide ou as amigas da tia, as quais preferiam elegncia do Ritz Caf. Quando se sentou na frente de Caine, um grupo no bar comeou a cantar vigorosamente.
- Que tal um vinho? - inclinando-se sobre mesa, ele pegou-lhe as mos. - Vai aquec-la. 
- Vinho tinto. - Ela permitiu ficar de mos dadas enquanto ele fazia o pedido. - Conte-me sobre sua famlia - disse abruptamente. - Os MacGregors tm uma reputao 
quase mstica em Boston.
Caine riu enquanto lhe acariciava a mo com o polegar.
- Suponho que voc ter de conhec-los pessoalmente para saber o que  fato e o que  mera fico. Meu pai  um enorme escocs ruivo com sangue de guerreiro. Pode 
tomar cinco usques sem piscar um olho, mas esconde os cigarros da minha me. Reclama constantemente que nenhum dos filhos est aumentando a famlia MacGregor. "A 
me de vocs est louca para balanar um neto no colo!" - Caine imitou o pai num perfeito sotaque escocs.
Diana riu quando o vinho chegou  mesa.
- E o que sua me pensa disso?
- Minha me  uma pessoa muito tranqila, quase o oposto do meu pai. Cada um do seu jeito, ambos so eficientes. - Inconscientemente, Caine comeou a brincar com 
o bracelete de ouro no pulso dela. Diana tentou ignorar o prazer de sentir aqueles dedos contra sua pele.
- Poucas vezes eu a vi perder a serenidade - continuou Caine, quase para si mesmo. - Uma vez, eu estava no hospital quando ela perdeu um paciente. Sempre pensei 
que mame fosse estritamente profissional, quase fria em relao ao trabalho. Depois disso, entendi que nunca levava os problemas para casa. Ento quando Rena foi 
seqestrada...
Vendo a mudana nos olhos dele, Diana apertou-lhe a mo.
- Deve ter sido muito difcil para vocs. As horas de espera, sem saber se ela estava bem.
- Sim. - Caine reprimiu a raiva e ergueu copo. - Ento, h Alan. Ele  parecido com minha me... muito calmo, paciente. Raramente perde o controle. Mas quando perde, 
 melhor sair de perto.
Diana deu um gole no vinho.
- Voc brigava com ele frequentemente?
- O bastante - confirmou Caine. - Mais com Rena, suponho. Temos o temperamento mais parecido.
- Voc no batia na sua irm, batia?
Caine sorriu e serviu-se de mais vinho.
- Bem que ela mereceu algumas vezes. - Ele riu enquanto Diana o observava com um misto de horror e fascinao. - No, nunca fiz isso, mas s porque ela era quatro 
anos mais nova e bem menor. No considerei Rena como uma garota at que ela tinha catorze anos.
Ele ama a famlia, pensou Diana. E faz isso com tanta facilidade.
- Voc teve uma infncia feliz - comentou ela e abaixou a cabea, lembrando-se do irmo. - Estranho, quando fui falar com Justin, eu estava com raiva, podia sentir 
a distncia que havia entre ns. Mas ento, de repente, a raiva passou e a distncia desapareceu. - Diana ergueu os olhos e o fitou. - Fiquei furiosa com voc, tambm. 
Por interferir, e por estar com a razo. Detesto-o por ter sempre razo.
-  um pssimo hbito meu - disse ele quando o chili foi servido. - No consigo abandon-lo.
- Estou comeando a pensar que eu gostaria de enfrent-lo num tribunal.
- Estranho, pensei a mesma coisa. - Caine deu a primeira garfada. - Seria uma luta interessante. Como est seu chili?
- Excelente. - Diana continuou olhando-o enquanto comia. - Diga-me, advogado, voc tem tanta certeza que venceria?
- Raramente perco.
- Ah, a sndrome de Perry Mason. - Diana riu e gostou do som. Era fcil esquecer as prprias regras quando estava com ele. - Talvez seja uma pena que eu no tenha 
tentado uma posio como procuradora - continuou. - Se eu trabalhasse para o estado, ns cruzaramos as espadas mais cedo ou mais tarde.
- Faremos isso, de qualquer forma - murmurou ele. - Embora, talvez, no no tribunal.
- Talvez - concordou ela, sentindo as ondas de excitao novamente. - Mas, se eu fosse voc, no teria tanta certeza que venceria.
- Quem sabe - comeou Caine devagar quando o veredicto sair, ns dois seremos vencedores.
- Um jri que no pode chegar a uma deciso unnime.
Ele sorriu novamente, ento levou-lhe a mo aos lbios. O beijo foi suave e confiante.
- Um jri que quer justia.


Seis

Depois de passar uma noite analisando o relatrio policial e todas as anotaes que Caine lhe dera sobre Chad Rutledge, Diana concluiu que era um caso confuso, com 
vrias desvantagens para seu cliente em potencial.
Chad negara as acusaes de estupro, alegando que era ntimo de Beth Howard, que vinha, h seis meses, repetindo ser vtima. Ela negou tudo, exceto que eles se conheciam.
Mesmo antes de o relatrio mdico ser confirmado, ele admitiu ter feito sexo com Beth na noite do suposto estupro. Quando a me de Beth a levara ao hospital, a garota 
estava machucada e histrica, revelando as marcas que Chad lhe deixara. Entretanto, Caine parecia acreditar na histria do garoto.
Com um suspiro, Diana fechou o arquivo Tinha formado sua prpria opinio. Eles levariam Chad para a sala de conferncias a qualquer minuto. Olhando para as paredes 
verdes, pensou na manh de sbado que passara com Caine apenas alguns dias atrs. Aquela parte do trabalho tinha pouco a ver com a escolha da mesa certa.
Aporta pesada com sua minscula janela se abriu Diana deu a primeira olhada em Chad Rutledge.
- Ficarei do lado de fora, srta. Blade - disse o guarda quando Chad sentou-se  mesa.
- Obrigada. - Ela se voltou para seu cliente Era jovem, bonito e com espessos cabelos pretos ento, observou-lhe as mos, que se abriam e se fechavam como se estivessem 
tentando controlar uma dor.
Voc pode mentir com os olhos, mas no com as mos. Lembrando-se das palavras de Caine, Diana recostou-se. O garoto estava apavorado 
- Sou Diana Blade - apresentou-se, descobrindo que tambm estava nervosa. - Vou cuidar do seu caso, se voc concordar. - Chad deu de ombros e no disse nada. - O 
sr. MacGregor conversou com voc e sua me inicialmente, mas sua carga de trabalho no permite que ele d a seu caso o tempo e a ateno necessrios para defender 
voc da forma como ele gostaria.
- Que tipo de trabalho uma mulher vai fazer para defender um sujeito acusado de estupro? - Chad perguntou para a parede que olhava.
- Voc ter a melhor defesa possvel, independente do seu sexo ou do meu. - respondeu Diana. - Contou a sua histria para o sr. MacGregor, agora eu gostaria que 
me contasse.
Chad apoiou um cotovelo sobre o espaldar da cadeira.
- Tem um cigarro, doura?
- No.
Ele tirou do bolso um cigarro sem filtro pela metade.
- Pelo menos, ele me passou para uma mulher bonita. - Chad virou-se e a olhou pela primeira vez, desviando o olhar para seus seios, em seguida. Diana esperou que 
ele a encarasse de novo.
- Por que no pra com essa bobagem e vamos ao que interessa?
Ele pareceu irritar-se.
- Voc tem o relatrio policial nesse arquivo a. O que mais quer? - Com mos nervosas, Chad acendeu o cigarro.
- Conte-me o que aconteceu em dez de janeiro. - Diana pegou um bloco e uma caneta da pasta e esperou. - Voc est desperdiando meu tempo, Chad. E o dinheiro de 
sua me.
Ele lhe lanou um olhar furioso, ento falou:
- Em dez de janeiro, eu acordei, tomei banho me vesti, tomei caf e fui trabalhar.
Ignorando a agressividade dele, Diana comeou a tomar notas.
- Voc  mecnico na Oficina Mayne?
- Isso mesmo.
- Ficou na oficina o dia inteiro?
- Sim. Tnhamos uma Mercedes para consertar. Cuido dos carros importados.
- Entendo. A que horas voc saiu?
- s seis. - Chad tragou o cigarro e soltou a fumaa.
- Para onde voc foi?
- Fui para casa e jantei.
- E depois?
- Depois, eu sa. Para paquerar, voc sabe. - Ele sorriu.
- Por quanto tempo voc... paquerou?
- Algumas horas. - Ele deu outra tragada antes de acrescentar: - Ento, estuprei Beth Howard.
Diana continuou escrevendo, sem quebrar o ritmo, embora por dentro estivesse ansiosa.
- Decidiu mudar sua declarao, Chad?
Ele fechou a mo livre.
- Acho que no vou sobreviver com minha declarao anterior.
- Tudo bem - disse Diana. - Conte-me sobre o estupro, Chad.
- Tem certeza de que consegue ouvir esse tipo de coisa?
- Voc a pegou no seu carro?
- Sim. - Ele apagou o cigarro. - Ela tinha sado do cinema e estava indo para casa, e eu lhe ofereci carona. Ns fizemos o ensino mdio juntos. Beth me reconheceu, 
ento entrou. Conversamos sobre o que tnhamos feito depois de nos formar, enquanto eu dirigia. Gostei da aparncia dela, ento inventei que precisava pegar alguma 
coisa na oficina.
- Ela foi com voc para a oficina sem protestos?
Chad umedeceu os lbios. Havia suor acima deles.
- Eu disse a ela que precisava pegar umas ferramentas. Quando chegamos l, a agarrei.
- E ela resistiu?
- Sim, tive de bater um pouco nela. - Ele ps a mo no bolso e achou outro cigarro esmagado. Diana viu que os dedos do garoto tremiam.
- E depois?
- Ento, rasguei-lhe as roupas e a estuprei! - explodiu ele. - O que voc quer? Todos os detalhes, grficos?
- O que ela estava usando? Chad passou uma das mos pelos cabelos. - Um suter cor-de-rosa e uma cala de veludo cinza.
- E voc rasgou essas roupas? - persistiu Diana, ainda escrevendo.
- Eu j disse que sim.
Largando a caneta, Diana o olhou diretamente. 
- As roupas dela no foram rasgadas, Chad.
- Eu disse que as rasguei! Sei o que fiz. Eu estava l, moa, voc no.
- As roupas de Beth Howard no estavam danificadas quando ela chegou ao hospital.
O garoto estava tremendo inteiro agora.
- Ela trocou de roupa.
- No - respondeu Diana calmamente - porque voc nunca as rasgou. Assim como no a estuprou. Por que est tentando me convencer do contrrio?
Chad ps os cotovelos sobre a mesa, pressionando as mos nos olhos.
- Droga, no consigo fazer nada certo.
Diana estudou o topo da cabea dele enquanto fazia uma pausa.
- No foi voc quem machucou o rosto de Beth tambm, foi?
Lentamente, sem descobrir os olhos, ele meneou a cabea.
- Eu nunca machucaria Beth.
- Voc est apaixonado por ela?
- Sim. E isso est uma confuso.
- Comece de novo - sugeriu Diana. - E dessa vez, tente a verdade.
Com um suspiro, Chad abaixou as mos e comeou.
Ele e Beth haviam estudado juntos no ensino mdio, mas mal se conheciam. Andavam em turmas diferentes. Ento um dia, seis meses atrs, ela levara o carro para consertar 
na Oficina Mayne, e tudo aconteceu de uma vez.
Eles comearam a namorar. O pai de Beth desaprovava e ordenou que a filha rompesse a relao. Eles continuaram se encontrando secretamente.
- Foi como um jogo, sabe? - Chad riu. - Nem os nossos amigos sabiam. Ela sempre inventava uma desculpa para sair. Se conseguia escapar  noite, amos para a oficina, 
nos trancvamos l dentro, conversvamos e fazamos amor. Eu estava economizando para que pudssemos casar.
- O que houve na noite em que voc foi preso?
- Tivemos uma briga. Beth disse que no queria continuar desse jeito. No se importava se no tnhamos dinheiro ou um lugar para morar, queria casar imediatamente. 
Ela no me ouvia.
Comeou a chorar e eu comecei a gritar e soquei a parede. - Chad olhou para baixo como se ainda esperasse ver o ferimento. - Ento, ela entrou no carro e foi embora. 
Depois, os policiais chegaram. Nossa, fiquei com medo no comeo.
- Por que voc acha que ela o est acusando, de estupro?
- Eu sei por qu. - Seus olhos eram desafiadores agora. - Ela me mandou um bilhete pela minha me. Quando Beth chegou em casa naquela noite, ainda estava aborrecida. 
O pai a pressionou e, enquanto discutiam, Beth lhe contou tudo. Ele enlouqueceu. Bateu nela e a ofendeu, assustando-a terrivelmente. Ela disse que o pai ameaou 
matar ns dois se Beth no fizesse exatamente o que ele queria. Beth estava apavorada o bastante para acreditar nisso. - Chad suspirou. - Quando a me dela chegou 
em casa, encontrou a filha histrica. O pai contou a histria e chamou os policiais enquanto a me a levava para o hospital.
- Onde est esse bilhete?
- Eu me livrei dele. - Chad meneou a cabea com a expresso de Diana. - E minha me no leu porque estava selada.
- Se Beth lhe escrever de novo, quero que guarde a carta.
- Oua, eu no quero que Beth se machuque mais. Logo que eles me pegaram, fiquei com medo, sabe? Mas estava furioso, tambm, achando que ela tinha feito isso para 
me punir. - Ele deu de ombros. - Vou arriscar passar alguns anos na priso.
- Gosta de sua cela, Chad? - questionou Diana empurrando as anotaes de lado e inclinando-se sobre a mesa. - Isso  um piquenique comparado  penitenciria estadual.
Os lbios dele tremeram quando engoliu em seco.
- Ficarei bem.
- Existem estupradores reais l dentro - disse ela friamente. - Assassinos. Homens que o cortam ao meio sem pensar duas vezes. E como acha que Beth vai se sentir 
sabendo que voc esta preso l, e por que motivo?
- Ela ficar bem. - Suor comeou a escorrer pelo rosto de Chad. - No permanecerei l por muito tempo.
- Quer arriscar vinte anos de sua vida? Quer que o pai dela escape com o que armou para voc? Cresa, Chad - ordenou Diana, impaciente. - Isso no  mais um jogo. 
Voc vai a julgamento por estupro. A pena mxima  perptua. - Chad no disse nada, mas Diana podia ver o rosto jovem empalidecendo. - Voc e Beth tero de sentar 
l e contar  Corte exatamente o que aconteceu naquela noite. Se mentir, vocs dois sero condenados por falso testemunho.
- Eu no sei...
Diana guardou o bloco na pasta.
- Se voc quer brincar de heri s porque sua namorada tem medo do pai, arranje outro advogado. No defendo idiotas.
Ela comeou a levantar, mas Chad estendeu a mo e segurou-lhe o brao.
- S no quero machuc-la. Ela est apavorada.
- Ela j foi machucada - disse Diana. - E vai continuar assustada at que conte a verdade. Ou talvez voc no acredite que ela o ama.
Os dedos de Chad se apertaram no brao dela, mas Diana no se moveu. Aps um momento, ele a liberou.
- Diga-me o que preciso fazer.
- Muito bem.
Quando Diana entrou no escritrio uma hora depois, estava sem energia. Lucy a olhou, ento parou de datilografar.
- Parece que voc precisa de um caf.
Diana deu um sorriso fraco.
- Parece?
- Sim. Posso fazer um... -antes que ela terminasse, o telefone tocou.
- Tudo bem, Lucy, cuide do telefone. Eu fao o caf. - Enquanto ia para a cozinha, Diana tirou o casaco. Ainda podia ver o rosto plido e assustado de Chad. Ver 
as mos tremendo e o nervosismo.
E como Beth Howard estava se sentindo?, perguntou-se, pondo o casaco de lado e virando-se para o fogo. Se eu pudesse falar com ela, pensou, ento suspirou frustrada. 
Essa era a ltima coisa que o advogado de acusao ou o pai dela permitiriam. Chad teria de esperar pelo dia do julgamento.
Diana olhou pela janela sobre a pia, o caf esquecido. Com alguma sorte, poderia tirar a verdade de Beth durante as preliminares. Mas se a garota tivesse tanto medo 
do pai... se no amasse Chad e estivesse somente jogando... Ela suspirou. Tantas possibilidades quando a vida de um garoto estava em risco.
- Manh difcil? - perguntou Caine da soleira da porta.
Diana se virou.
- Sim. - Estava feliz em v-lo, percebeu. Feliz em saber que algum entenderia o que estava sentindo. - Voc est ocupado?
Caine pensou nos relatrios no andar de cima, mas meneou a cabea.
- Eu tomaria um caf. - Ele pegou duas xcaras e serviu. - Voc viu Chad Rutledge essa manh.
- Oh, Caine, pobre garoto. - Diana se sentou  pequena mesa enquanto ele adicionava leite ao caf. - Ele queria se fazer de duro, mas tremia muito.
Caine entregou-lhe o caf e se sentou  sua frente.
- Foi difcil lidar com o garoto?
- No comeo sim - disse Diana. - Ele falou que estuprou Beth Howard.
Ele arregalou os olhos.
- O qu?
- Ele fez uma confisso completa. Com muito cuidado, como se fosse algo que tinha decidido fazer porque estava meio entediado. Quanto mais falava, mais as mos tremiam.
Caine meneou a cabea.
- No faz sentido.
- Tambm achei que no. - Diana deu um gole do caf. - Eu o pressionei por detalhes, e Chad tentou me convencer de que levou a garota  oficina onde trabalha, bateu 
nela e a estuprou. Caine franziu o cenho.
- Isso confirma a histria da garota.
- Chad disse que rasgou as roupas dela.
- As roupas de Beth no estavam rasgadas.
Diana sorriu.
- Exatamente. Ele inventou tudo isso somente para proteg-la.
Caine recostou-se e acendeu um cigarro.
- Conte-me.
Enquanto Diana relatava a conversa, Caine observava a emoo brincar no bonito semblante. Ela estava lutando para no se envolver pessoalmente, mas j era tarde 
demais.
- Se tudo que Chad diz  verdade, a garota est destruda.
- Eu acredito nele. Chad queria confessar a culpa e mant-la fora disso.
- O que voc fez? - Caine quis saber.
- Eu  convenci do contrrio. No sei o que vai acontecer se esse caso chegar ao tribunal. Consegui uma lista dos amigos mais prximos deles. Chad afirma que o relacionamento 
dos dois era segredo, mas provavelmente algum ficou sabendo durante os ltimos seis meses. - Levantando-se, Diana foi para a janela de novo. - Oh, Caine fui to 
dura com ele.
Diana estava extravasando as emoes. Ele queria que ela o fizesse, at mesmo a pressionara para tal. Entretanto, tinha sentimentos constantes em relao a isso, 
pois no queria v-la sofrer. Toda vez que uma concha se quebrava, abria, havia dor. Caine falou cuidadosamente tentando manter o tom profissional:
- Diana, voc sabe que no pode tratar clientes com luvas de pelica. A vida dele est e risco.
- Eu sei. Mas no  fcil perceber de repente que voc pode ser cruel. O garoto estava plido suando e tremendo, e eu no lhe ofereci um pingo de simpatia.
- Voc lhe deu exatamente o que ele precisava. - Caine se levantou, mas no se aproximou; Dessa vez, estava inseguro. - Agora, est se martirizando porque fez o 
que tinha de ser feito. A me de Chad lhe dar simpatia. Voc deve dar-lhe a melhor defesa, custe o que custar.
- Eu sei. - Ela observou um passarinho andando pelo gramado. - Mesmo que isso signifique destruir a garota. Mas  o pai dela que eu gostaria de destruir. Embora 
eu saiba que, por falsificar uma declarao policial, ele no vai pegar mais que uma priso condicional. E um garoto de 19 anos est preso numa cela, apavorado.
Caine reprimiu a vontade de confort-la.
- Ele no  Justin, Diana. 
Ela suspirou longamente.
- Sou to transparente assim? 
- No momento, .
-  difcil no comparar - murmurou Diana. - Ele tem a mesma insolncia atraente que Justin linha quando adolescente. E quando penso em Chad naquela cela,  muito 
fcil imaginar como meu irmo se sentiu. - Ela deu uma pequena risada. - E pergunto-me se isso pode ser uma outra manobra do destino.
- Voc vai perder a objetividade, Diana. - O tom de voz era duro, embora Caine se sentisse bem diferente disso. - No pode vencer num julgamento sem objetividade.
- Sei disso. - Ela se virou. No tinha objetividade no momento, e sim muitas comparaes e arrependimentos. Queria ser abraada, confortada, mas no pediu porque 
sabia que tinha de encontrar o prprio controle. - Preciso me recompor antes de voltar para ver Chad de novo.
Era o que Caine queria ouvir. Automaticamente, tocou-lhe o ombro com carinho. Ento, virou-a para si.
Em silncio, olhou-a fixamente e, embora ela o tivesse circulado com as mos, no se aproximou mais. Ele sabia que Diana estava procurando apoio, mas no respostas. 
Ela as encontraria por si mesma.
Naquele momento, Caine descobriu que nunca a desejara tanto. E no apenas o corpo suado contra o seu, o gosto maravilhoso da boca. Que ria os pensamentos dela, os 
sentimentos. Queria compartilhar o que os dois eram, de modo que no houvesse mais barreiras ou dvidas. E enquanto a ternura o envolvia, ele lhe acariciava os cabelos. 
Percebendo alguma coisa, Diana ergueu a cabea.
Eles se entreolharam. Havia uma pergunta nos olhos de Caine? Ou era um pedido? Ento, ele tocou-lhe os lbios com os seus.
Aquilo no tinha nada a ver com os outros beijos que haviam trocado. Podia ter sido o primeiro. A boca de Caine era to suave. E cuidadosa, como se ele estivesse 
inseguro. Ocorreu a Diana que ele a estava beijando como nunca beijara ningum antes, o homem que tivera tantas mulheres.
As mos fortes no a apertavam, mas descansavam levemente contra suas costas, como se pudesse liber-la ao menor movimento. Diana estava imvel. Qualquer que fosse 
aquela mgica, ou a razo para o ato, queria que continuasse.
Quando Caine a afastou, eles se entreolharam, ambos perplexos e emocionados.
- Para que foi isso? - perguntou Diana aps um momento.
Caine abaixou as mos e afastou-se.
- No sei - murmurou. Abalado, voltou para a mesa e pegou seu caf. - Voc est bem agora?
- Sim. - No, murmurou Diana silenciosamente, mas conseguiu sorrir. - Acho que vou subir e trabalhar na defesa de Chad. A sra. Walker vem amanh cedo. - Quando ele 
franziu o cenho, ela acrescentou: - O caso de divrcio que voc me passou.
- Oh, sim. - Caine olhou para a xcara vazia e perguntou-se o que estava acontecendo, enquanto Diana permanecia na janela, incerta sobre o que fazer.
- Vou subir ento - disse ela, mas ainda no se moveu.
- Diana - comeou Caine - voc tem algum outro compromisso alm da sra. Walker, amanh?
- No. Vou apenas trabalhar com os relatrios.
- Preciso ir a Salen ver algum sobre o caso Day. Por que no vai comigo? E uma viagem agradvel. Voc pode clarear a mente e fazer seu trabalho enquanto estou ocupado.
- Tudo bem - concordou ela num impulso. - Vai ser bom. Posso no ter tantas tardes livres no futuro.
- timo. Sairemos assim que voc termina com a sra. Walker.
Eles ficaram parados em silncio por um mo mento. Era estranho, pensou Diana, que duas pessoas que tinham tanta facilidade com palavras, subitamente tivessem uma 
conversa to tensa.
- Bem, vou subir.
Caine assentiu enquanto voltava para a cafeteira. Quando ouviu os passos dela se afastando bebeu o caf e ps a xcara sobre o balco.
O que era aquilo, afinal? Quando a convidara para a viagem, tinha se sentido como um adolescente convidando uma garota para sair. Rindo voltou  mesa. No, nunca 
se sentira to inseguro no perodo da adolescncia. Nunca se sentira to inseguro em nenhum perodo de sua vida.
Aps acender um cigarro, olhou para a brasa, pensativo. Era sempre seguro em relao ao sexo oposto. Apreciar mulheres sempre fora uma parte tranqila de sua vida, 
e tinha a firme inteno que continuasse assim. Sabia que no precisava passar uma noite sozinho, a menos que quisesse.
Ento, por que ultimamente vinha passando tantas noites sozinho? E quando tinha sido a ltima vez que pensara em alguma mulher que no fosse Diana?
Suspirando, Caine analisou a situao. Pensar cm Diana o deixava desconfortvel. Mas por qu? Considerava-a uma boa companhia. E a desejava. Tragando o cigarro, 
lembrou-se da paixo turbulenta que sentira quando a beijara. Desejo no o deixava desconfortvel. Prometera a si mesmo que faria amor com ela mais cedo ou mais 
tarde... e sempre cumpria suas promessas.
No tinha sido desejo momentos atrs, refletiu. Tambm no fora um tipo de afeio fraternal. Diana no se encaixava em nenhuma categoria. No era a mulher sofisticada 
por quem normalmente se sentia atrado, nem era a prima mais nova com quem queria se divertir.
Irritado, levantou-se e andou at a janela. Se ela o deixava desconfortvel, por que a convidara para a viagem do dia seguinte? Por que necessitava estar com Diana?
Necessitar era uma palavra perigosa. Querer era mais seguro, mais compreensvel, mas no era seu verdadeiro sentimento.
Meu Deus, pensou apavorado, sentindo o vento bater no rosto. Estava apaixonado? No, isso era ridculo. Amor no era uma palavra que usava, porque amor tinha repercusses. 
Num gesto de raiva, jogou o cigarro pela janela. Um homem no vivia trinta anos para, de sbito, pular de uma ponte. A menos que... acordasse uma manh descobrisse 
que tinha enlouquecido.
Devia estar trabalhando demais, decidiu. Mui tas noites mal-dormidas procurando por resposta O que precisava era de uma noite com uma mulher atraente, depois, oito 
horas de sono. No dia seguinte, prometeu a si mesmo, estaria pensando com clareza novamente.
No dia seguinte, lembrou quando saiu da cozinha, Diana ainda estaria l. Praguejando, Caine subiu a escada.


Sete

Diana teria apreciado mais o passeio se no tivesse a sensao de que alguma coisa estava errada. Caine agia de modo amigvel, entretanto ela podia jurar que havia 
algo sob a superfcie de camaradagem. Disse a si mesma que estava imaginando, talvez vendo nele um eco dos prprios sentimentos.
Estava tensa desde o dia anterior, em parte pelo encontro com Chad Rutledge. Irritava-a o fato de no conseguir relaxar. Uma boa advogada tinha de encontrar o equilbrio 
emocional, algo que era crucial tanto para o cliente quanto para o advogado. Diana sabia disso intelectualmente, mas era difcil. Seu nico consolo era que quanto 
mais se envolvesse nos pontos tcnicos do caso, menor seria a tendncia de comparar Chad com Justin.
Por enquanto, faria o que Caine sugerira... iria clarear a mente e aproveitar a viagem.
- Voc no mencionou quem vai procurar era Salen - comentou ela.
Ele teve de se esforar para controlar a tenso que estava sentindo. Disse a si mesmo que era o caso Day que o estava deixando nervoso, nada pessoal.
- Tia-av Agatha. Diana suspirou.
- No precisa inventar nada, Caine. Podia simplesmente dizer que no  da minha conta.
- A tia-av Agatha de Virgnia Day - repetiu Caine especificamente, sorrindo. Discuta o caso, disse a si mesmo. Isso pode ajud-lo a se distrair dos pensamentos 
sobre Diana. - Ela tem a reputao de ser uma mulher formidvel, e conhece Ginnie melhor do que ningum. Infelizmente, estava esquiando algumas semanas atrs e quebrou 
o quadril. Vou visit-la no hospital. 
- A tia-av Agatha esquia? 
- Aparentemente. 
- Quantos anos ela tem? 
- Sessenta e oito.
- Hum. O que voc est procurando? Caine acelerou o Jaguar e ultrapassou uma caminhonete antes de responder. O que estava procurando?, perguntou-se. Ento, forou-se 
a se concentrar no caso novamente.
- A acusao  de assassinato em primeiro grau. A primeira coisa que quero estabelecer  que Ginnie carregava uma pistola habitualmente. Se vou provar autodefesa, 
preciso convencer os jurados de que Ginnie foi ao apartamento de Laura Simmons para confrontar o marido com sua amante atual, mas no para matar.
- Amante atual - repetiu Diana. - Aparentemente, ele teve muitas.
- O relatrio do detetive que Ginnie contratou alguns meses atrs indica que o dr. Francis Day era um homem muito ocupado. No fazia todas as suas cirurgias no Hospital 
Geral de Boston. Se eu puder mostrar o relatrio na Corte, o jri amolecer... Ento, novamente, isso d a Ginnie mais de um motivo.
- Ento, h a questo da arma. Caine assentiu e acendeu um cigarro.
- Segundo Ginnie, ela nunca saiu de casa sem a arma. Tem fixao sobre ser roubada, o que no  surpreendente, uma vez que adora usar jias que valem milhes de 
dlares.
- Sim, e Ginnie Day no  muito simptica com a imprensa ou com o pblico - apontou Diana. - Passa uma imagem de criana egosta e mimada, com mais dinheiro do que 
classe.
- Verdade - concordou Caine. - Mas agradeo por voc no estar no banco de jurados.
- Suponho que me sinto impaciente com o tipo dela no momento - murmurou Diana, virando-se no banco para olh-lo. - Irene Walker  a anttese de Virginia Day.
- Como foi essa manh?
- Os machucados no rosto dela ainda no sumiram - comeou Diana. - Nunca conheci uma mulher que se valorizasse menos.  como se ela sentisse que merecia apanhar. 
- Com um som impaciente, Diana tentou afastar a frustrao que sentiu. - Pelo menos a amiga com quem est morando a convenceu a dar queixa contra o marido. - Ela 
meneou a cabea. - Mas tenho a impresso de que Irene Walker  como uma esponja, absorvendo as emoes das pessoas com quem convive. Convenceu-se de que no  nada 
sem o marido. Eu a aconselhei a fazer terapia. O divrcio e o julgamento do marido no sero fceis para Irene. - Diana suspirou. - Ela ainda usa a aliana de casamento, 
acredita?
- Tir-la representaria o final de tudo para uma mulher como Irene Walker - disse Caine.
- Eles esto casados somente h quatro anos, e ela no pode lembrar o nmero de vezes que apanhou. - Seus olhos assumiram uma expresso furiosa. - Vou adorar conden-lo.
- Pelo que me recordo, havia duas testemunhas da ltima vez que ele bateu na esposa. Voc vai conseguir conden-lo.
-  o que quero. E espero que seja rpido, enquanto Irene ainda v as marcas quando se olha no espelho. Acho que  uma mulher que esquece muito facilmente.
Caine olhou para a pasta de trabalho aos ps dela.
-  nisso que voc vai trabalhar hoje?
- Vou bolar os interrogatrios. Quero peg-lo imediatamente. Entre o divrcio e o julgamento, s vou causar problemas a esse homem.
- Advogada decidida - brincou Caine.
Diana assentiu, ento passou um dedo sobre o encosto de couro do banco.
- Diga-me, h quanto tempo tem esse carro?
- O carro? - Ele a olhou intrigado com a sbita mudana de assunto.
- Sim, eu adoraria comprar um carro novo.
Caine sorriu. Oh, ela estava definitivamente se abrindo, pensou. Manifestando-se.
- Um Jaguar?
- Algum dia. - Diana arqueou uma sobrancelha. - Ou voc acha que eles so reservados apenas para ex-advogados do estado?
- Acho que imaginei voc numa Mercedes... majestosa e elegante.
Diana estreitou os olhos.
- Est tentando me insultar?
-  claro que no - respondeu Caine enfaticamente. - Sabe dirigir um carro com cmbio?
- Voc est tentando me insultar.
Sem comentrios, Caine foi para o acostamento e parou. Curiosa, Diana o observou descer, rodear o carro e abrir a porta de passageiro.
- Dirija por um tempo.
- Eu?
Ele tentou esconder um sorriso. Talvez aquilo, acima de tudo, fosse o que no conseguia resistir... quando a sofisticao e inteligncia eram substitudas por um 
prazer puro e simples.
- Se voc est pensando em comprar um carro, deve sentir como , primeiro. A menos que no possa dirigir um carro de cinco marchas - acrescentou.
- Posso dirigir qualquer coisa. - Diana comeou a sair do carro.
- timo. - Caine recostou-se quando ela trocou de lugar. - Eu a aviso quando parar.
Ela segurou o volante com uma das mos, e com a outra engatou a primeira. Sob a palma, sentia a leve vibrao de poder e a promessa de velocidade. Aps olhar no 
espelho retrovisor, voltou para a estrada.
- Oh,  maravilhoso - exclamou imediatamente. Ento olhou para o velocmetro e riu. -  tentador. Talvez eu acabasse tendo de ser defendida num julgamento de trnsito 
se eu tivesse um desses.
- Gosto de saber que  uma questo de pisar no acelerador para alcanar muita velocidade.
Diana tambm gostava de velocidade, pensou quando engatou a quinta e acelerou.
- Foi por isso que voc o comprou?
- Gosto das coisas com meu estilo - murmurou Caine, estudando-lhe o perfil. - Coisas que me desafiam. - As mos no volante eram confiantes, capazes. Ele visualizou-a 
dirigindo numa estrada vazia em uma noite de vero, as janelas abertas, os cabelos voando. - Voc me fascina, Diana.
Ela lhe deu um sorriso rpido.
- Por qu? Porque posso dirigir um Jaguar sem vacilar?
- Porque voc tem estilo - replicou Caine. - Pegue a prxima sada.
Enquanto Diana se acomodava em uma sala de espera para trabalhar, Caine seguiu o corredor do hospital para o quarto de Agatha. Encontrou-a em seu esplendor solitrio, 
os cabelos brancos impecavelmente penteados, uma maquiagem leve... com diversas revistas rodeando a cama. Quando Caine entrou, Agatha abaixou a revista que estava 
lendo para olh-lo com apreciao.
- J estava na hora de algum bonito vir me visitar - brincou ela. - Entre e sente-se, querido.
O sorriso dele era espontneo quando se aproximou da cama.
- Sra. Grant, sou Caine MacGregor.
- Ah, o advogado de Ginnie. - Agatha gesticulou para uma cadeira. - A garota sempre soube reconhecer um rosto bonito. Parece que isso a colocou numa tremenda confuso 
desta vez.
Caine sentou.
- Espero que possa me ajudar com a defesa de Ginnie, sra. Grant. Obrigado por me receber, to pouco tempo depois do seu acidente.
Agatha sorriu.
- Estarei em p antes do que os mdicos imaginam - murmurou. - Mas, diga-me, querido, o que quer saber?
- A senhora sabe que Ginnie foi acusada de assassinar Francis Day. - Aps Agatha assentir levemente, Caine continuou: - O alegado  que ela foi ao apartamento de 
Laura Simmons, sabendo que o marido estava l e que a srta. Simmons era sua amante.
- A ltima de muitas - acrescentou Agatha com ironia.
Caine apenas prosseguiu:
- A srta. Simmons deixou Ginnie sozinha com Day, a pedido dele. Quando retornou ao apartamento, vinte minutos depois, Day estava morto e Ginnie estava sentada no 
sof com a arma ainda na mo. Ele levou dois tiros de uma curta distncia. A srta. Simmons ficou histrica, correu para um vizinho e chamou a polcia.
- Ginnie o matou - confirmou Agatha sem prembulos. - No h dvidas quanto a isso.
- Sim, ela mesma admitiu. Mas alega que Day tornou-se violento quando estavam sozinhos. No comeo, tiveram uma discusso aos gritos, algo que j era um hbito do 
casal havia algum tempo. Ento ela o ameaou com um divrcio que envolveria correspondentes e relatrios policiais... uma coisa que ele queria evitar, uma vez que 
estava prestes a se tornar o cirurgio - chefe no Hospital Geral de Boston.
Agatha deu uma risada melanclica.
- Sim, ele detestaria isso. Ginnie resguardou a reputao do marido como um homem distinto e dedicado  medicina. A ltima coisa que Day queria era que o fato de 
ser corrupto se tornasse pblico.
Caine assentiu.
- Durante a discusso, ele perdeu o controle e espancou Ginnie. Ela alega que o marido enlouqueceu, jogou-a no cho, pegou um abajur e disse que ia mat-la. Quando 
ele se aproximou, Ginnie pegou a arma na bolsa e atirou.
Agatha assentiu com um gesto de cabea, ento olhou fixamente para Caine.
- Voc acredita nela?
Caine retornou o olhar por vrios segundos antes de responder:
- Acredito que Virginia Day atirou no marido em um momento de pnico, e em sua prpria defesa.
- Ginnie  uma garota teimosa - disse Agatha com um suspiro. - Ns a mimamos demais. E ela tem um temperamento forte, explodindo facilmente sem pensar nas conseqncias. 
Mas no tem sangue-frio. Ela nunca, jamais, planejaria um assassinato.
- Para provar isso - retornou Caine - a primeira coisa que preciso estabelecer  por que ela tinha uma arma quando foi confrontar o marido.
- A garota no sai na porta sem um revlver. - Com um som de desgosto, Agatha movimentou-se contra os travesseiros. - Uma coisa feia, em minha opinio. Mas diz que 
se algum tentar roub-la, vai ter uma surpresa. - a senhora idosa suspirou. - Ginnie  uma tola por pensar que pode andar por a cheia de jias sem que nada lhe 
acontea contanto que tenha uma arma. 
- A senhora sempre a viu de posse da arma?
- Todas as vezes que ns amos a algum lugar, eu a via guardar a arma na bolsa - confirmou Agatha. - Uma vez, estvamos em uma festa e vi o revlver l dentro quando 
fui pegar um batom emprestado. Para o bem da garota, passei-lhe um sermo por isso.
- Ento, a senhora juraria diante da Corte que Virginia Day habitualmente carregava um revlver calibre 22 na bolsa? E que, inmeras vezes, presenciou esse fato 
e discutiu com sua sobrinha por isso?
- Querido, eu mentiria diante do diabo por ela. - Agatha sorriu friamente. - Nunca suportei o marido canalha da minha sobrinha.
- Sra. Grant...
- Relaxe - disse ela com uma risada. - Nesse caso, no vou jurar em falso, ou arriscar minha alma mortal. Se Ginnie no estivesse com a arma naquela noite, no sei 
o que teria acontecido.
- timo. - Caine relaxou. - E essa coisa de mentir diante do diabo fica s entre ns, certo?
- Claro. - Ela lhe deu um sorriso astuto ento, enquanto o observava. - Suponho que voc e Ginnie no...
- Sou o advogado de defesa dela. - Caine se levantou e apertou a mo surpreendentemente forte da mulher. - Obrigado, sra. Grant.
- Se eu fosse quarenta anos mais nova e estivesse sendo acusada de assassinato, voc seria muito mais do que meu advogado - disse ela.
Sorrindo, Caine levou-lhe a mo aos lbios.
- No mate ningum, Agatha. Acho muito difcil resistir a voc.
Encantada, ela soltou uma risada que o seguiu pelo corredor.
Caine encontrou Diana onde a deixara, um livro de Direito sobre um joelho, um bloco sobre o outro. Sem falar, pegou uma cadeira e esperou que ela terminasse. Gostava 
de v-la absorvida no que estava fazendo e inconsciente das redondezas. Sem barreiras agora. Ele queria ajud-la a conseguir isso, assim como queria lev-la para 
sua cama. Agora que Diana estava no caminho do primeiro, ele percebeu que no poderia tentar o segundo.
Talvez tivesse sido a sbita percepo na noite anterior de que poderia conquist-la com o tempo que o tornara cauteloso demais para tentar. Era hora de colocar 
o relacionamento deles em um nvel equilibrado e deix-lo ali. Pela segurana de Diana?, perguntou-se. Ou pela sua prpria?
Quando Diana parou de escrever, dez minutos depois, fechou o livro e comeou a endireitar os ombros antes de ver Caine.
- Oh, quando voc voltou?
- H poucos minutos. Sabe, nem todos so capazes de ignorar as distraes e trabalhar da maneira que voc trabalha.
- Uma das minhas habilidades mais bsicas - replicou Diana, guardando tudo na pasta. - Fui obrigada a desenvolv-la quando no queria perceber a presena da minha 
tia. - Como foi com Agatha? 
- Perfeito. - Caine se levantou, pegando o casaco de Diana para ajud-la a vestir. - Voc teve muitos problemas com sua tia, Diana?
Ela ficou imediatamente tensa, fechando-se.
- Minha tia? - murmurou com a voz fria e sem emoo.
- Voc teve muitos problemas com ela? 
- Ela gostava de frases como: "Uma dama nunca usa diamantes antes das cinco."
- Muitos problemas, obviamente - concluiu Caine quando pegou o prprio casaco. - Imagino se fui meio rude com voc em Atlantic City.
Surpresa, Diana o olhou enquanto andavam para o elevador.
- No h necessidade de se desculpar. - Mas a postura dela ainda evidenciava que estava em guarda. - O que trouxe esse assunto?
- Eu estava pensando sobre Agatha. - Eles entraram no elevador. - Ela no aprova a sobrinha particularmente, mas a ama. Isso  evidente. - Ele pegou uma mecha dos 
cabelos de Diana que estava presa na gola. - Estou comeando a pensar que era o oposto no seu caso.
- Tia Adelaide aprovava a pessoa em que pensou ter me transformado. - Dando de ombros, Diana saiu do elevador. - Quanto ao amor, ela nunca me amou. Mas ento, nunca 
fingiu amar, tambm. No posso culp-la por isso.
- Por que no?
Ela o olhou longamente.
- Voc no pode culpar uma pessoa por suas emoes ou pela falta das mesmas. - Quando Diana se virou, era um sinal de que a conversa estava encerrada. Incapaz de 
conter-se, Caine segurou-lhe o brao.
- Sim, voc pode - contradisse ele, zangado.
-  claro que pode!
- Esquea isso, Caine. Eu j esqueci. - Ele comeou a protestar, mas ela se virou de novo, ento parou. - Oh, meu Deus, olhe! - Diana olhou atravs das portas de 
vidro.
Caine seguiu-lhe o olhar. Estava nevando forte, j branqueando o solo.
- Os meteorologistas nunca acertam - resmungou Caine. - O tempo no deveria mudar at essa noite.
Diana vestiu as luvas.
- A viagem de volta para Boston vai ser muito interessante. E muito lenta - acrescentou ela quando eles saram e enfrentaram a fora total da tempestade.
Caine assentiu e segurou-lhe o brao com firmeza enquanto andavam para o estacionamento. Estavam encharcados quando chegaram ao carro, e ele murmurou:
- Est nevando muito forte. Podemos voltar para o hospital e esperar a neve parar, se voc quiser.
- No, a menos que voc no queira arriscar dirigir com esse tempo.
Caine olhou para a estrada  frente.
- Vamos tentar.
Nos primeiros vinte minutos, eles dirigiram na tempestade sem muitos problemas. Caine era um bom motorista, e o carro confivel ajudava. Diana observou a neve caindo, 
pintando o cho, cobrindo as rvores nuas. Quanto mais para o sul iam, maior o vento, de modo que a neve cobria o vidro to logo o pra-brisa limpava. Prendendo 
a respirao, Diana viu o carro da frente derrapar no centro da pista antes que o motorista recuperasse o controle.
- Est muito ruim - murmurou, dando uma olhada para Caine.
- Sim, est - concordou ele. Estava dirigindo devagar e com cuidado, mas, a cada quilmetro que passava, a visibilidade diminua e a pista se tornava mais escorregadia. 
Do outro lado da pista, dois carros colidiram e pararam. Caine e Diana permaneceram em silncio pelos prximos vinte quilmetros.
Estava escurecendo e, quando ele ligou os faris, a neve danou freneticamente no brilho das luzes. Diana comeou a desejar que tivesse aceitado a sugesto de Caine 
de permanecer no hospital.
Um veculo os ultrapassou pela direita, numa velocidade perigosa, deslizando em direo ao pra-choque do Jaguar e forando Caine a desviar e em seguida lutar contra 
uma derrapagem.
-  suicdio viajar numa estrada nessas condies - murmurou Caine quando recuperou o controle do carro.
Diana assentiu, o corao disparado de medo.
- Vamos parar no primeiro hotel que aparecer, pedir dois quartos e esperar at amanhecer. - Ele tirou os olhos da estrada apenas o bastante para olh-la. - Voc 
est bem?
Diana suspirou longamente.
- Pergunte de novo quando eu no estiver rezando.
Caine deu uma risadinha, ento estreitou os olhos quando avistou uma placa de non no meio da neve.
- Acho que estamos com sorte.
Parte do "M" da palavra Motel tinha sumido, mas o resto da placa estava visvel.
- Um motel - disse Diana com um sorriso. - Que melhor abrigo para uma tempestade?
Caine olhou para o prdio trreo antes de parar o carro.
- No conseguiremos acomodao muito melhor nessa rea.
- Teremos um teto sobre a cabea?
- Provavelmente.
-  o suficiente. - Ela teve de usar ambas as mos para abrir a porta contra o vento. Do lado de fora, respirou fundo e caiu na gargalhada.
- Qual  a graa? - Caine quis saber quando a levou em direo a uma porta marcada: Escritrio.
- Nada, nada! - replicou ela. - Estou me sentindo maravilhosamente bem agora.
- Voc devia ter me dito que estava to apavorada. - Ele apertou o brao ao redor da cintura dela quando o vento os desequilibrou levemente.
Diana ergueu o rosto para a neve. 
- Eu teria lhe dito depois que acabasse meu repertrio de oraes.
Caine abriu a porta e eles entraram. O aroma frio e limpo da neve foi imediatamente substitudo por um cheiro de tabaco e cerveja velha. Atrs de um balco laminado, 
um homem grisalho levantou os olhos de uma revista. - Pois no?
- Precisamos de dois quartos para essa noite. 
- S tenho um. - O homem acendeu um fsforo e olhou para Diana. - Nevasca  bom para o negcio.
Diana olhou para Caine, ento para a porta de vidro atrs dos dois. Ele estava deixando a deciso em suas mos, percebeu sentindo um arrepio na coluna. Lembrou-se 
da ltima ocorrncia perigosa na estrada.
- Vamos ficar com esse. O homem pegou uma chave embaixo do balco.
- So US$22,5O - disse a Caine, ainda segurando a chave. - Adiantado e em dinheiro.
- H algum lugar para comer por aqui? - Caine perguntou enquanto contava as notas.
- Jantar na porta ao lado. Aberto at as duas da manh. Seu quarto  do lado de fora,  esquerda. Nmero 27. Sada s dez horas, ou ter de pagar outra diria. O 
quarto tem tev grtis e filmes pagos.
Caine trocou o dinheiro pela chave.
- Obrigado.
- Voc mencionou comida? - murmurou Diana enquanto procuravam o nmero 27.
- Com fome?
- Morrendo de fome. No percebi at... - Diana parou quando ele abriu a porta, os olhos arregalados em perplexidade.
O quarto tinha uma nica cama. As paredes eram pintadas de rosa-choque, combinando com a colcha da mesma cor. Havia uma cadeira e uma mesa minscula, ambas brancas. 
O tapete gasto e fino era roxo, e levava a uma porta que Diana supunha ser o banheiro. E no teto sobre a cama havia um espelho redondo e empoeirado.
- Bem, no  o Ritz - comentou Caine, contendo-se para no rir da expresso atnita de Diana. Colocou as duas pastas sobre uma pequena cmoda de plstico branca. 
- Mas tem um teto.
- Hum. - Diana deu uma olhada duvidosa para o espelho. Era melhor no pensar sobre aquilo no momento. - Est muito frio aqui. - Virando-se, viu que as cortinas tambm 
combinavam com a colcha.
Vendo-lhe a expresso, Caine sorriu.
-  um quarto que fica melhor no escuro. Verei se consigo ligar o aquecedor.
Ignorando o humor dele, Diana sentou-se na beira da cama. A nica cama, lembrou. O nico quarto, o nico hotel.
- Parece que voc est gostando desse fiasco.
- Quem, eu? - Caine girou um boto e o velho aquecedor funcionou. Gostar no era a palavra que escolheria. Mesmo o pensamento de passar a noite com ela naquele quarto 
pattico lhe causava um n no estmago. Pelas prximas horas, teria de se concentrar em fingir que era o irmo mais velho de Diana, se quisesse cumprir sua deciso 
de no toc-la. - Vou buscar o jantar - anunciou. - Quer alguma coisa em especial?
- Algo rpido e comestvel. - Lembrando da tempestade de neve, ela sorriu-lhe. Se Caine aceitava a situao sem reclamar, ela faria o mesmo. - Obrigada. Eu lhe devo 
US$11,25.
- Mando a conta para voc - prometeu ele, ento, inclinou-se para lhe dar um beijo breve antes de sair.
Sozinha, Diana olhou ao redor do quarto mais uma vez. No era to ruim, disse a si mesma, se voc mantivesse os olhos semicerrados. E o aquecedor estava realmente 
funcionando. Ela tirou o casaco e procurou por um armrio. No havia. Pondo o casaco sobre a cmoda, abriu o zper das botas.
A idia de um banho quente era atraente, mas saber que teria de se despir s para se vestir de novo a fez desistir. Deitaria um pouco at que Caine chegasse com 
o jantar. Talvez um pouco de televiso, pensou, ento notou uma caixa preta ao lado do aparelho de tev. Examinando mais de perto, percebeu que era um tipo de mquina 
alimentada por moedas. Os filmes pagos, recordou-se, e decidiu tentar a sorte.
Pegando a carteira na bolsa, achou trs moedas de 25 centavos, o que daria para 45 minutos de qualquer filme que estivesse passando. Aps seguir as instrues da 
caixa e colocar as moedas, Diana se sentou no centro e deu um suspiro de pura apreciao.
Foi enquanto ajeitava os travesseiros atrs da cabea que um movimento na tela chamou-lhe a ateno. Olhou para a tev, boquiaberta, ento, deitou e caiu na gargalhada.
Meu Deus, pensou, de todos os hotis ou motis em Massachusetts, eles tinham de encontrar um com paredes cor-de-rosa e filmes pornogrficos. Diana estava desligando 
o boto quando Caine entrou.
- Sabe que tipo de filmes passa se voc alimenta essa mquina? - perguntou ela antes que ele fechasse a porta.
Ele balanou a cabea como um cachorrinho, tirando a neve dos cabelos.
- Sim. Precisa de algumas moedas? 
- Engraadinho! - Mesmo tentando, ela no pde evitar um sorriso. - Acabei de gastar 75 centavos. Eu no ficaria surpresa se a polcia batesse  porta.
- Com esse tempo? - Caine colocou duas sacolas sobre a pequena mesa.
- Esse  o jantar?
- Mais ou menos. Foi rpido, mas no garanto que seja comestvel. - Ele removeu dois hambrgueres embrulhados. - Voc prova primeiro.
- Jovem advogada envenenada em motel - murmurou Diana, abrindo um dos sanduches.
- H batatas fritas, tambm. - Ele espiou dentro do saco. - Acho que so batatas. De qualquer forma, eu trouxe vinho para agora e caf para mais tarde. - Caine removeu 
dois copos descartveis, antes de pegar a garrafa de vinho. - O melhor que posso dizer  que  tinto.
- Oh, no sei. - Diana mordeu o hambrguer, pegando a garrafa com a mo livre. - Esse lugar tem copos ou temos de beber no gargalo?
- Vou ver no banheiro. Nenhuma sbita dor no estmago? - perguntou ele no caminho.
- No. - Ela decidiu arriscar as batatas fritas. Suponho que no parou de nevar?
- Pelo contrrio, est nevando mais forte. - Caine voltou com dois copos de plstico.
Diana se sentou na beira da cama e aceitou o copo oferecido.
- Acho que podemos ver o noticirio - murmurou, olhando para a televiso. - Se voc conseguir fazer essa coisa pegar.
Rindo, ele sentou na cadeira e pegou o hambrguer.
- Pobre Diana, que choque isso deve ter sido.
- No sou puritana - defendeu-se ela. - Foi simplesmente inesperado. - Deu um gole, fez uma careta, e deu outro gole. - No  to ruim assim.
- O melhor da casa - disse Caine. - Dois dlares a garrafa.
- Nesse caso, vou beber mais devagar. Caine, h um pequeno detalhe que devemos discutir.
Ele bebeu um pouco do vinho. Sabia o que o esperava. Enquanto andava na neve tinha decidido como lidar com aquilo.
- Eu no vou dormir no cho.
Diana fez uma careta por ele ter lido sua mente.
- H sempre a banheira. 
- Fique  vontade.
- Ento o cavalheirismo definitivamente acabou.
- Oua- comeou ele, mordendo o sanduche - a cama  grande. Se voc no quiser us-la para nada alm de dormir...
- Eu no quero.
- Certo, ento voc dorme de um lado e eu durmo do outro - terminou ele, dizendo a si mesmo que era simples assim.
- No tenho certeza se gosto da rapidez com que voc concordou com isso - murmurou ela. 
- Se voc quer ser convencida do contrrio...  - Caine sorriu.                                                    
- No foi isso o que eu quis dizer. - Ela acabou o hambrguer. Afinal, pensou, ele havia dirigido por quase duas horas na neve. No podia negar-lhe uma boa noite 
de sono. - Voc fica do seu lado da cama, e eu fico do meu - repetiu. Ele inclinou-se para completar-lhe o copo.
- Se voc insiste. Detesto me repetir citando Clark Gable novamente.
- Clark Gable? - murmurou Diana, ento riu. - Claudette Colbert... Aconteceu naquela noite.
- Exatamente - replicou ele com um sorriso divertido. - Numa situao similar, eles imaginaram algo ao longo das linhas das paredes de Jericho.
Ela o olhou longamente.
- Como  a sua imaginao?
Caine deu um gole do vinho.
- Eu lhe disse uma vez que podia esperar at que voc admitisse que me queria. - Deliberadamente, olhou-a, sabendo que ela recuaria. - Posso ser muito paciente.
Recusando-se a reconhecer o desafio, Diana meramente assentiu.
- Contanto que voc conhea as regras. Acho que vou desistir do caf e tomar um banho antes de deitar. - Levantando-se, ele acariciou-lhe os cabelos de modo casual. 
- Voc devia dormir. Foi um longo dia.
Ela sentiu um pequeno arrependimento, mas o reprimiu com firmeza.
- Sim, acho que farei isso. Devo deixar a luz acesa?
- No  necessrio.  impossvel errar o lugar dela cama nesse quarto. - Desejando desesperadamente beij-la, Caine apressou-se para o banheiro.    Boa noite, Diana.
- Boa noite. - Ela esperou at ouvir a gua correndo, ento levantou.
Voc est sendo uma tola, murmurou uma vozinha impaciente em sua cabea. No h nada que queira mais do que fazer amor com ele. Perder-se em Caine.
Era exatamente isso, pensou Diana em pnico. Ela se perderia, ou perderia uma parte sua que no sabia se estava preparada para perder. Passou uma mo pelos cabelos 
e ouviu o som. Com Caine seria diferente do que tinha sido com outros homens. Eleja quebrara muitas barreiras e, uma vez que quebrasse a barreira fsica, no pararia 
mais. Ela no podia permitir esse tipo de invaso.
Oh, mas queria-o esta noite.
Como Caine, Diana deixou o caf esfriar. No queria nada que a mantivesse acordada enquanto compartilhava a cama com ele. Aps um momento, despiu-se para ficar com 
a camiseta de baixo. No ia dormir de roupas. Cuidadosamente, deitou-se na extremidade da cama, sentindo o colcho afundar no centro. Praguejando contra o que Caine 
teria chamado de destino, apagou a luz e fechou os olhos.
Quando Caine saiu do banheiro, o quarto estava silencioso. Podia ver o contorno do corpo de Diana em um dos cantos da cama, O banho quente no fizera nada para acalmar-lhe 
o desejo. Era melhor tomar o resto do vinho como se fosse um comprimido para dormir, pensou. Saber que ela estaria to prxima na cama seria uma verdadeira tortura. 
Mas tinha dado a sua palavra de que no a tocaria, e agora teria de cumprir.
Caine deixou a toalha cair e foi para cama. Conforme o prometido, se acomodou do outro lado, deixando o centro vazio.
Com o hbito de anos, Caine acordou cedo e devagar. Alguma coisa quente e macia estava envolvendo seu corpo. Embora estivesse mais dormindo que acordado, pelo aroma, 
sabia que era Diana. Sem pensar, puxou-a para mais perto, ento ouviu um suspiro quando ela se aconchegou contra ele. Com um prazer preguioso, deslizou a mo pela 
lateral do corpo delicado, enquanto ela pressionava-se contra ele e deslizava os dedos pelas suas costas.
Murmurando o nome dela, ele beijou-lhe a testa enquanto deslizava a mo por baixo da camiseta de algodo. Simultaneamente, os dois gemeram de prazer. Ele pensou 
que aquilo fosse um sonho... tinha sonhado que fazia amor com ela, mas no fora daquela forma, to lenta e sensualmente. Quando Caine se mexeu, uma de suas pernas 
deslizou intimamente entre as dela, enquanto a boca iniciava uma jornada preguiosa sobre o rosto adormecido. Com um murmrio inarticulado, Diana inclinou a cabea 
para trs, de modo que ele encontrasse seus lbios.
O que mais parecia um sonho continuou... o beijo demorado, enquanto ele lhe acariciava a pele por baixo da camiseta. No havia lugar para dvidas na luz parca do 
quarto, no havia espao para reservas no colcho macio e afundado. Caine a tocava, seduzindo ambos em uma rendio sonolenta.
To quente, pensou ele, sentindo o sexo enrijecer quando encontrou um dos seios de Diana. Ela gemeu e arqueou-se contra ele. Caine pensou ter ouvido seu prprio 
nome sussurrado contra os lbios, ento as belas mos moviam-se pelo seu corpo.
Colocando-se parcialmente sobre ela, removeu-lhe a camiseta pela cabea, pressionando beijos molhados ao longo dos braos delgados.
Podia ouvi-la respirando um pouco mais rpido agora, e descobriu a prpria boca brincando com um dos mamilos. Estava inconsciente da paixo at que o desejo provocou-lhe 
um n no estmago e a respirao acelerou. O corao de Diana batia fortemente, parecendo exigir mais. E ela estava nua, embora ele no pudesse se lembrar de quando 
lhe tirara a calcinha.
Os dedos de Diana enterravam em sua pele, os quadris se moviam num ritmo rpido, enquanto o nome de Caine era sussurrado pelos doces lbios entreabertos. Por um 
momento, ele tentou clarear a mente... separar o sonho da realidade, mas seu corpo estava no total comando.
Ento, estava no interior do corpo de Diana, esquecendo as fantasias, e alm da razo.


Oito

A luz era acinzentada e fraca. Tremendo e perplexa, Diana abriu os olhos para ver somente sombras. Estava no meio da cama, aninhada embaixo de Caine e do fino cobertor 
que haviam compartilhado na noite anterior. O rosto dele estava enterrado contra seu pescoo, mas ela podia ouvir-lhe a respirao irregular e sentir as batidas 
do corao contra o seu. Apele de ambos estava quente e mida. Seus dedos se entrelaavam nos cabelos de Caine e o gosto dele permanecia em sua boca. Ondas de prazer 
ainda vibravam em seu corpo. Numa rpida exploso, seu crebro clareou.
Com um som estrangulado, Diana saiu debaixo dele e foi para o canto da cama.
- Como voc pde?
Zonzo, Caine abriu os olhos e a fitou.
- O qu?
- Voc deu a sua palavra! - exclamou ela, procurando freneticamente a camiseta embaixo das cobertas.
Ainda excitado pelo ato de amor, e igualmente perplexo, Caine passou uma mo pelos cabelos.
- Diana...
- Eu nunca devia ter confiado em voc - disse ela, vestindo a camiseta e a calcinha antes de sair da cama. Seu corpo formigava, os membros pareciam pesados. - Pensei 
que voc me respeitaria.
- Espere um minuto. - Na luz fraca, Caine no podia ver mais que a silhueta do corpo de Diana e o brilho nos olhos. Mas podia sentir a prpria raiva crescendo, e 
saiu da cama.
- No me diga para esperar um minuto - respondeu Diana, cruzando os braos e comeando a tremer. - Isso foi desprezvel.
Fria e algo que ele no reconheceu como mgoa o dominaram.
- Desprezvel! - repetiu em tom ameaador.
- Voc no pareceu achar isso alguns minutos atrs.
Diana enterrou as unhas no brao. No, no considerara o ato desprezvel minutos atrs, apenas sentira, desejara. Caine tinha sido gentil, sedutor, maravilhoso.
- Voc no tinha o direito!
- Eu no tinha o direito? - retorquiu ele. - E quanto a voc?
- Eu estava meio dormindo.
- Eu tambm, Diana! - Lutando por calma, Caine pegou a cala e vestiu. Sentia-se culpado por t-la levado a fazer algo para o qual no estava preparada. Com isso, 
havia mudado as coisas entre eles justamente quando estava determinado a mant-las estveis. - Oua, simplesmente aconteceu. Eu no planejei.
- Coisas como essa no acontecem simplesmente. - Tremendo, ela pegou a colcha na cama e a enrolou no corpo.
- Isso aconteceu - respondeu Caine, vestindo o suter de gola olmpica. Nem a raiva dissipava completamente a sensao de que acordara de um sonho confuso. - Nem 
mesmo sei como tudo comeou. Sei quando terminou, e antes de terminar, voc estava to envolvida quanto eu.
A verdade incomodava... e assustava.
- Espera que eu acredite que voc no sabia o que estava fazendo? - gritou ela. - Que no planejou que isso acontecesse?
Numa onda de fria incontrolvel, ele vestiu o casaco e se aproximou dela.
- Por que voc no me culpa pela nevasca? - demandou. - Ou pelo fato de que esse hotel decadente s tinha um quarto? Ou porque a droga do colcho afunda no meio?
- Sei exatamente pelo que culp-lo - disse Diana. - E do que me arrepender.
Um silncio mortal se instalou ento, quebrado apenas pelo som da respirao nervosa de ambos. Ela viu algo violento escurecendo os olhos de Caine, estreitando-os. 
Em sua prpria fria confusa, deu as boas-vindas a uma briga.
- Voc no se arrepende disso mais do que eu murmurou ele suavemente. Sem mais uma palavra, saiu do quarto e bateu a porta.
Sozinha, Diana abraou a colcha ao corpo, mas ainda sentia a pele gelada. Aquilo era ultrajante, disse a si mesma. Confiara em Caine e ele a trara. Ele afizera... 
se sentir maravilhosa, viva, desejada.
Um gemido escapou de seus lbios quando deitou da cama.
- No, no! - murmurou, fechando os punhos. Aquilo no devia ter acontecido. Uma vez que se entregara, seria apenas o comeo. O comeo de nina vida dominada por 
algum que podia abandon-la a qualquer momento. No novamente, jurou, batendo o punho no joelho. Nunca mais.
Mal tinha comeado a descobrir a si mesma. Em todos os lugares, em todos os aspectos de sua vida, Caine estivera presente, incentivando-a a se reconciliar com Justin.
Esteve presente com uma resposta para seus problemas profissionais quando ela retornara para Boston. Agora estava l, tentando-a a desnudar suas defesas, expor a 
ltima de suas emoes.
Seria diferente de Irene Walker se permitisse isso?, perguntou-se Diana. Quando uma mulher era regrada por emoes, no se abria para qualquer coisa que um homem 
escolhesse lhe dar?
Fechando os olhos, mordiscou o lbio. No permitiria que isso acontecesse. Durante toda a vida, fora forada a aceitar o que as pessoas escolhessem lhe dar.
Fora um erro, disse a si mesma, que ela poderia ter evitado se no houvesse baixado a guarda. E tinha todo o direito de estar furiosa com Caine. Ele explorara a 
situao, excitando-a quando ela estava adormecida e sem defesas.
Diana suspirou. Caine no tinha mais culpa do que ela, admitiu. Estivera meio sonhando quando ele passara as mos pelas suas costas nuas. E podia lembrar-se do prazer 
que o corpo quente e rgido contra o seu lhe provocara. Em algum lugar no fundo da mente, sabia exatamente o que estava fazendo, entretanto, no fizera nada para 
parar aquilo. Ento culpava Caine porque era mais fcil do que admitir que queria am-lo.
Diana fechou os olhos de novo. Oh, como podia ter dito aquelas coisas para ele? Como podia ler agido como uma hipcrita quando ele parecia to atnito quanto ela?
Abrindo os olhos, passou-os ao redor do quarto vazio. E agora?, perguntou-se. Deveria desculpar-se. Estava errada, e admitir o erro era a nica coisa certa a fazer.
Com um suspiro, Diana levantou. Tomaria um banho quente, e esperaria que Caine voltasse.
Duas horas depois, andava pelo quarto apertado, sentindo um misto de preocupao e aborrecimento. O que ele estava fazendo na rua?, perguntou-se pela milsima vez. 
Uma olhada pela janela a informou de que continuava nevando forte. Mais uma vez, considerou sair para procur-lo, mas ento lembrou que Caine tinha a nica chave.
De repente, imaginou-o sentado em um restaurante, apreciando um enorme caf da manh e tomando xcara aps xcara de caf. A imagem a irritou, principalmente porque 
seu estmago insistia em lembr-la que estava vazio.
Caine estava fazendo isso de propsito, decidiu, fechando a cortina. Punindo-a. A culpa que sentira mais cedo era agora substituda por puro ressentimento.
Furiosa, Diana pegou sua pasta e colocou-a no centro da cama desfeita. No ia perder tempo se preocupando com Caine MacGregor. Trabalharia mais um pouco, ento esperaria 
l fora, na neve. Se ele nunca voltasse, tudo bem. Pegando o bloco, colocou toda sua raiva e frustrao no trabalho.  
Quase mais uma hora se passou antes que Diana ouvisse o barulho da chave na fechadura, Abaixando o bloco, continuou de pernas cruzadas no centro da cama quando Caine 
entrou. Coberto de neve e com o mesmo humor sombrio que sara de l trs horas mais cedo, fitou-a, ento tirou o casaco.
A inteno inicial que Diana tinha de desculpar-se desapareceu, assim como a de ignor-lo.
- Onde voc se meteu? - ela exigiu saber. Caine jogou o casaco molhado sobre a mesa.
- A neve vai continuar durante a tarde - disse ele. - Esse hotel continua sem vagas, e o prximo fica a dezesseis quilmetros daqui.
Diana sentiu outra onda de culpa, que desapareceu quando Caine sentou numa cadeira calmamente e acendeu um cigarro.
- Voc no levou trs horas para descobrir isso - disse ela. - No lhe ocorreu que eu estava presa aqui?
Ele a olhou com o cenho franzido. 
- Voc no achou a porta?
Irritada, Diana saiu da cama. 
- Voc tem a nica chave. Se eu no o achasse, como iria entrar de novo no quarto?
Dando de ombros, Caine enfiou a mo no bolso, pegou a chave e colocou-a sobre a mesa.
-  toda sua. - Ele removeu um saco de papel do outro bolso. - Comprei duas escovas de dente.
Ela pegou no ar uma que ele lhe jogou.
- Obrigada - disse friamente. No ia se desculpar nem que eles ficassem presos naquele quarto horrvel pelo prximo ms. - Uma vez que parece que vamos ficar encalhados 
aqui mais uma noite,  melhor discutirmos os arranjos.
Caine controlou a raiva crescente. Tinha vontade de estrangul-la.
- Faa os arranjos que quiser - respondeu. - Vou me barbear. - Pegando o saco de papel, ele levantou.
- Espere um minuto. - Diana ps a mo no peito dele. - Vamos esclarecer isso.
A expresso nos olhos dele era furiosa quando falou:
- No me pressione, Diana.
- Pressionar voc. Acha que pode simplesmente entrar aqui, dizer que vai se barbear, depois do que aconteceu esta manh? Acha que vou esquecer tudo, como se fosse 
um leve erro de julgamento?
- Isso - replicou ele, segurando-lhe o pulso e erguendo-o - seria muito sbio.
Liberando o pulso, Diana ficou parada firmemente no caminho dele.
- Bem, no vou fazer isso. E voc no vai se barbear at que oua exatamente o que tenho a dizer.
- Ouvi tudo o que queria esta manh. - Empurrando-a no muito gentilmente, Caine comeou a ir para o banheiro.
- No ouse fugir de mim! - Diana segurou-lhe o brao.
- Para mim basta. - Nervoso alm da conta, ele se virou, agarrando-lhe os ombros com fora suficiente para faz-la gemer. - No mereo isso - gritou. - No vou ficar 
parado aqui calmamente enquanto voc me acusa de armar algum plano sujo para seduzi-la na cama. No preciso de plano algum, entendeu? Eu poderia ter tido voc a 
noite passada e muitas vezes antes sem necessitar de planos. - Ele a sacudiu de leve. - Ns dois sabemos disso, Diana. Eu a queria e voc me queria, mas voc no 
tem coragem de admitir isso.
Com expresso raivosa, ela se desvencilhou.
- No me diga o que admitir! Esta manh eu estava dormindo...
- Est acordada agora? - perguntou ele.
- Sim, estou acordada e...
- timo. - Com um movimento rpido, Caine a puxou para seus braos e beijou-a de forma quase selvagem. Ouviu o som abafado de protesto, sentiu os esforos dela para 
se liberar, mas apenas aprofundou o beijo e apertou-a mais contra si.
Pensou em punio, em liberar a raiva e a tenso que estavam instaladas em seu interior desde aquela manh. Ento pensou em quanto precisava dela, e no foi capaz 
de pensar em mais nada.
Com os dedos ainda enterrados nos ombros dela, afastou-a. Respirando com dificuldade, eles se entreolharam. Diana sentiu o desejo consumindo-a, precisando ser liberado. 
Meneou a cabea como se para negar isso, mas em seguida rendeu-se, no podendo evitar, e puxou-o para mais um beijo.
No havia toques gentis ou sonolentos agora, listavam ambos acordados, explorando a boca ou do outro como se anos tivessem se passado sem que experimentassem aquele 
tipo de prazer. J comeando a se despir, os dois caram na cama. Agora a fria era toda paixo, e. a paixo era urgente.
Impaciente, Diana removeu-lhe o suter pela cabea, ento gemeu quando suas mos encontraram msculos rgidos. Desesperada por mais, acomodou-se at que ficasse 
com metade do corpo em cima dele. Todo o desejo que reprimira explodiu violentamente.
Sabia desde o comeo que seria Caine quem derrubaria a ltima barreira que ela guardava com tanto cuidado.
Liberdade, pensou enquanto mordiscava-lhe o lbio, querendo enlouquec-lo como ele a enlouquecia. Quando comeou a remover-lhe a cala, Caine gemeu e rolou para 
cima de Diana, pressionando-a contra o colcho.
Como amante, ele no era menos do que ela esperava... maravilhoso, vital, excitante. O ato de amor vagaroso da manh tinha sido apenas uma amostra do que Caine poderia 
lhe dar. O corpo de Diana estava livre agora, pulsando loucamente, enquanto ele a despia em movimentos frenticos.
Ela ouviu o gemido de Caine soar juntamente com o seu quando ele sugou-lhe um dos mamilos.
A paixo era puro fogo, enquanto as carcias continuavam, levando ambos em direo ao xtase.
Diana gritou quando ele penetrou seu centro feminino, um grito abafado que mal podia expressar o prazer infinito que estava sentindo. A excitao veio em ondas alucinantes, 
crescendo a cada momento. A realidade havia se resumido em um nico homem, em um nico desejo. Ela pensou que, naquele momento, eles eram uma s pessoa. Sussurrou 
o nome dele com lbios trmulos, enquanto Caine a levava para o mais incrvel paraso.
Ento, suas bocas estavam fundidas mais uma vez. Com as plpebras pesadas, Diana abriu os olhos e viu o reflexo deles no espelho acima da cama. Experimentando, abriu 
os dedos sobre as costas largas e observou o movimento no espelho. Como sua pele parecia escura ao lado da dele. E que contraste de cores era os cabelos de ambos.
Suspirando com prazer, correu os dedos pelos cabelos macios de Caine.
Ele emitiu um som impaciente e comeou a se afastar. Com um murmrio de protesto, ela o abraou apertado.
- Diana. - Erguendo a cabea, ele a olhou, ento saiu de cima dela. - Eu no queria ter feito isso. Parece uma desculpa fraca depois desta manh, mas...
- No, Caine. - Diana inclinou-se sobre o peito dele, ento o beijou at que sentiu a resistncia diminuir. - Sinto muito pelas coisas que falei esta manh. Eu estava 
errada. Sabia disso enquanto gritava com voc, mas no pude parar. Se eu parasse, teria de admitir que o queria. - Deitando a cabea no ombro forte, fechou os olhos.
Com um longo suspiro, Caine acariciou-lhe os cabelos.
- Eu no pretendia toc-la de novo quando voltei aqui.
Ela riu baixinho.
- E eu ia me desculpar quando voc voltasse.
- De alguma forma, isso que aconteceu foi muito melhor para ns dois. - Ele afastou-a do ombro para encontrar-lhe os olhos. - Diana, eu nunca desejei ningum da 
maneira que desejo voc. Acredita nisso?
Ela abriu a boca para falar, mas sabia que ele nunca entenderia suas dvidas, seus medos.
- Sem perguntas agora - murmurou, roando-lhe os lbios. - Sem razes. Isso basta.
Controlando a necessidade de aprofundar o assunto, Caine a puxou para mais perto.
- Por enquanto - concordou e descobriu o surpreendente prazer de simplesmente t-la deitada a seu lado. Ele olhou para o teto. - Sabe que estou comeando a gostar 
desse quarto? Afinal, tem uma vista fascinante.
Seguindo a direo do olhar dele, Diana sorriu.
- Daqui a pouco voc vai me pedir uma moeda para a televiso. - No reflexo, ela o viu arquear as sobrancelhas interrogativamente. - No.
- Tudo bem. - Ele a puxou para cima de seu corpo. - Sempre preferi fazer as coisas por mim mesmo.
- Caine. - Quando ele mordeu-lhe o pescoo, Diana inclinou a cabea para acomod-lo. - Detesto falar de algo to mundano, mas estou faminta.
- H h. - Ele deslizou os lbios ao longo do queixo dela, enquanto traava o formato dos ombros. - Quo faminta?
- Estou at disposta a arriscar um outro daqueles hambrgueres.
- Isso soa mais como desespero - murmurou ele, e com um gemido, rolou de lado. - Certo, vou comprar-lhe outra poro de veneno.
- Obrigada - disse Diana e sentou quando ele fez o mesmo. No momento em que o contato entre os dois foi quebrado, ela sentiu a tenso retornar. Tola, disse a si 
mesma. Era adulta e sexo fazia parte da vida. No era simples assim? - Eu vou com voc.
- L fora est nevando quase tanto quanto ontem - comeou ele e pegou a cala para vestir. Por que sentia a necessidade de assegurar-lhe de que nada havia mudado? 
Assim como assegurar a si mesmo? Tudo tinha mudado.
- Quero sair um pouco desse quarto. Estou comeando a ficar sufocada aqui.
Caine vestiu o suter.
- Tudo bem, vamos comer na cena do crime. - Ele arqueou a sobrancelha quando Diana examinou a camiseta que ele rasgara na nsia de despi-la. - Suponho que voc vai 
dizer que eu lhe devo uma dessas?
- Eu poderia process-lo - brincou ela, vestindo a blusa sem a camiseta de baixo.
Caine deu uma gargalhada e a abraou pela cintura.
- Valeria a pena s para ouvir sua declarao de abertura. - Quando ela inclinou a cabea para sorrir-lhe, ele foi envolvido por uma forte onda de emoo. Desejo, 
disse a si mesmo quase desesperado. Somente desejo, e desejo era algo com que era fcil lidar.
Caine a beijou. Atravs dos lbios entreabertos, Diana ouviu um som de prazer que parecia vir do mago dele e expandir-se. Uma vez antes, sentira aquela estranha 
textura suave no beijo de Caine. Era extremamente gentil, mas parecia demandar mais do que paixo. Quando ele a liberou, ela teve de piscar para clarear a viso.
Ele deu um passo atrs, desconfortvel com a insegurana que Diana lhe despertava.
- Acho melhor voc se vestir, caso contrrio no posso me responsabilizar pela sua fome.
Com dedos que no estavam muito firmes, Diana abotoou a blusa.
- Acho que voc gosta de me confundir - murmurou ela. - No sou muito boa em reconhecer estados de esprito, e voc nunca est com o mesmo.
- Talvez eu queira manter voc no mesmo estado de esprito que eu - respondeu ele, sabendo que Diana era a responsvel por sua vulnerabilidade.
Ela o olhou com intensidade antes de sorrir.
- Eu confundo voc, Caine?
Ele encontrou-lhe o olhar enquanto calava os sapatos. Alguma coisa vibrava no quarto, mas obviamente nenhum deles queria notar.
- No vou responder a pergunta dessa vez.
- Interessante. - Diana fechou o zper da saia.
- Isso me leva a presumir que eu o confundo. - Vestindo o casaco, acrescentou: - Acho que gosto disso.
- Voc precisa de luvas - foi tudo o que Caine falou quando guardou a chave no bolso de novo
No minuto que saram do lado de fora, Diana absorveu a fora do vento e do frio. Os flocos estavam mais finos, pensou, quando enganchou o brao firmemente no de 
Caine, mas o vento; parecia traioeiro. O cenrio era pitoresco, e at o hotel decadente parecia mais aconchegante coberto de branco.
- O lugar no  to ruim assim - disse ela.
- Parece ainda melhor depois que voc passa um tempo na rua.
Havia um caminho entre os oitenta centmetros de neve, que outros hspedes do hotel haviam formado em seus trajetos de ida e volta ao restaurante. Mesmo assim, Diana 
ainda encontrou-se afundando na neve at os joelhos. Quando tropeou, segurou mais forte em Caine.
- Tem certeza que no quer voltar e esperar? - perguntou ele.
- Est brincando? - Ela ergueu o rosto, franzindo-o contra a neve que caa. -  aquele? - Com a mo livre, apontou para o contorno de uma construo iluminada brilhando 
contra a brancura total.
- Sim. O lugar est fazendo sucesso desde a nevasca. Nosso motel est com seus 35 quartos ocupados.
- Voc  uma fonte de informao - brincou ela. - Eu podia comer dois hambrgueres.
- Discutiremos suas tendncias ao suicdio assim que entrarmos. Cuidado, h degraus enterrados por aqui. - Segurando-lhe o brao com firmeza, ele a guiou.
Sem flego, Diana entrou no restaurante quando Caine abriu a porta. O cheiro de fritura pairava no ar, misturado com tabaco e algo que podia ser bacon. Diversas 
mesas cobertas com toalhas de plstico estavam espalhadas ao redor do salo. No fundo do espao, havia um balco com muitos de seus bancos j ocupados por fregueses, 
os quais se viraram para ver os recm-chegados.
Em um prato coberto no canto, tinha alguns doces com aparncia de velhos, enquanto atrs do balco, placas anunciavam o especial do dia.
- De volta? - a garonete gorducha atrs do balco sorriu alegremente para Caine. - E trouxe sua companheira. Seja bem-vinda, querida - disse para Diana. - Voc 
quer caf, aposto.
- Sim. - a atmosfera desleixada foi esquecida diante do cumprimento amigvel. - Eu adoraria,
- Caf por conta da casa enquanto durar - anunciou a garonete, colocando duas xcaras sobre o balco. - Sou Peggy. Sentem-se e bebam. Com fome?
- Muita - replicou Diana, sentando-se no banco alto ao lado de um homem de aparncia nervosa, com cabelos desalinhados e culos.
- Temos sopa de legumes hoje - disse Peggy, entregando-lhe os cardpios escritos  mo. - Foi feita esta manh.
- Parece bom - decidiu Caine com uma olhada para Diana.
- Para comear - disse ela, estudando o cardpio.
- Duas sopas, Hal - Peggy gritou atravs da abertura que levava  cozinha. - Cheeseburguer  o especial de hoje - acrescentou.
- Tudo bem, pode ser. - Fechando o cardpio, Diana alcanou o leite enquanto a garonete fazia o resto do pedido.
Caine inclinou-se e sussurrou no ouvido de Diana:
- Coma tudo o que quiser. Depois, vamos estocar chocolates e refrigerantes para passar a noite.
- Voc  to rico em expedientes - zombou ela, virando a cabea para tocar-lhe os lbios com os seus.
- Vocs so de fora da cidade? - perguntou Peggy.
- Boston - respondeu Caine.
- Charlie aqui estava indo para Boston - disse a garonete, dando um tapinha amigvel no ombro do homem que estava ao lado de Diana. - Com a noiva.
- Estamos em lua-de-mel - murmurou Charlie, olhando para seu caf. - Lori deu uma olhada para o quarto e comeou a chorar.
- Oh. - Diana deu-lhe um sorriso compreensivo. - Suponho que no era exatamente o que ela estava esperando.
- Ns tnhamos reserva no Hyatt. - Ele ergueu a cabea, ajeitando os culos no nariz. - Lori  muito sensvel.
- Sim, tenho certeza. - Diana sentiu pena do homem obviamente desolado. - Bem, talvez voc possa tomar o quarto um pouco mais... romntico.
- Aquele quarto? - Bufando, Charlie voltou a olhar para o caf.
- Velas - sugeriu Diana com sbita inspirao quando a sopa foi colocada  sua frente. - Talvez algum tenha velas.
- Claro, tenho algumas no depsito. - Peggy falou enquanto limpava o balco. - Sua noiva gosta de velas, Charlie?
- Talvez.
-  claro que gosta. - Diana o observou. - Que mulher no gosta de velas? E flores - acrescentou. - Onde podemos arranjar flores?
- Temos alguns copos- de- leite de plstico no quintal - animou-se a garonete. - Ns os usamos no Natal. Realmente iluminam o lugar.
- Maravilha.
- Voc acha que ela vai gostar disso? - Charlie questionou Diana.
- Acho que ela vai ficar emocionada.
- Bem...
- Vou buscar as flores - anunciou Peggy, indo para a porta dos fundos.
Charlie inclinou-se e olhou para Caine.
- O que voc acha?
Esforando-se para permanecer srio, Caine ergueu os olhos da sopa.
- Eu confiaria na opinio das mulheres numa questo como essa.
- V em frente, amigo - algum no fundo da ponta do balco aconselhou. - Tente.
- Sim. - Decidido, Charlie levantou quando Peggy apareceu com os braos cheios.
- Aqui esto, querido. - Ela entregou-lhe trs velas em castiais de plstico e diversos copos-de-leite artificiais. - V arrumar sua sute de lua-de-mel. Sua noiva 
vai se sentir muito melhor.
- Obrigado. - Ele sorriu para Diana. - Muito obrigado.
- Boa sorte, Charlie - murmurou Diana, e voltou a se concentrar na sopa. Percebendo o olhar de Caine, arqueou a sobrancelha. - Acho que esse  um gesto muito doce.
- Eu no disse uma palavra.
- Nem precisava, seu cnico. - Quando ele sorriu, ela se voltou para o prato. - Tome sua sopa. Algumas pessoas apreciam romance.
- Devo lhe comprar uma outra garrafa de vinho?
- No ouse. - Rindo, ela inclinou-se para beij-lo.


Nove

Atrs da mesa, com o fogo queimando ruidosamente, Diana trabalhava em ritmo acelerado. Tinha dedicado pesquisas meticulosas e longas horas de reflexo ao caso Walker. 
A histria era quase tpica demais. Irene Walker era jovem e tinha acabado de se formar na faculdade quando casou. O marido nunca permitiu que ela trabalhasse, exigindo 
que cuidasse da casa, cozinhasse e dedicasse a vida ao conforto dele. Agora que o casamento estava se destruindo, Irene no tinha salrio, nenhuma experincia profissional 
e uma criana para cuidar. Diana pretendia que sua cliente fosse compensada pelos quatro anos que passara como empregada, cozinheira e anfitri. O fato de que Irene 
apanhava do marido deixava Diana ainda mais determinada a fazer justia.
E vou conseguir, pensou com satisfao, e fechou o livro de advocacia. George Walker vai pagar. Se Irene ao menos continuasse com as sesses de terapia...
Meneando a cabea, Diana disse a si mesma para ir devagar. J estava muito envolvida emocionalmente no caso de Chad Rutledge. Devia tomar cuidado.
Chad, pensou, pressionando as tmporas por um momento. O caso no estava indo to bem quanto o de Irene Walker. Diana j contatara metade dos nomes da lista que 
ele dera. At agora, ningum lhe dera uma prova favorvel.     Preciso de alguma coisa, pensou, jogando a caneta de lado. Tenho de ir ao tribunal com mais do que 
a histria de Chad e meus prprios sentimentos.
Recostando-se na cadeira, olhou para o teto e pensou no caso em questo. Uma bonita estudante universitria, com uma famlia privilegiada financeiramente. Um garoto 
de rua com uma atitude hostil e um temperamento explosivo. Se fosse a palavra de Chad contra a de Beth, Diana tinha poucas dvidas de qual seria o resultado. Ento, 
havia a evidncia mdica, a condio de Beth quando fora admitida na Emergncia do hospital, a admisso de Chad de que estivera com ela. No, Diana no podia ir 
ao tribunal com aquilo e esperar que desse certo. Especialmente quando no confiava inteiramente em seu cliente.
Oh, ele era inocente, no duvidava disso. Mas temia que o garoto perdesse a cabea se ela pressionasse Beth, cometendo a loucura de fazer uma confisso em pleno 
tribunal.
Com um suspiro, Diana lembrou que ainda possua alguns nomes na lista de Chad para contatar. De dois deles, s tinha o primeiro nome, o que significava que teria 
de fazer uma viagem at a universidade e um pequeno trabalho de detetive.
- Diana?
Distrada, ela olhou para cima.
- Sim, Lucy.
- Vou embora agora, a menos que voc precise de alguma coisa. Caine ligou meia hora atrs, dizendo que a reunio acabou, mas que passaria aqui antes de ir para casa.
- Oh. - Diana no notou o olhar especulativo de Lucy, enquanto mirava o fogo na lareira. - No, Lucy, pode ir. Preciso terminar algumas coisas. Eu tranco a casa.
- Quer que eu lhe faa um caf antes de ir? 
- No, obrigada. - Diana a fitou. - Boa noite, Lucy.
- Para voc, tambm - murmurou Lucy com um olhar significativo antes de virar-se para o corredor. - Diga a Caine que deixei os recados sobre a mesa.
- Certo. - Lucy era muito mais perspicaz do que parecia, pensou ela. Embora Caine e Diana trabalhassem diariamente na mesma casa mantendo uma relao profissional 
e amigvel, a mulher mais velha parecia perceber alguma coisa. Diana perguntou-se se era possvel manter o relacionamento com Caine em segredo, e de repente questionou 
por que sentia que isso era necessrio.
Pensativa, levantou e andou at a lareira. O fogo estava baixo, e ela adicionou lenha, observando os violentos estalos. Talvez suas emoes estivessem assim, brandas 
e cuidadosas at que Caine entrara em sua vida. Agora sabia como era se sentir em chamas, ser tomada por um calor ardente.
Aquilo a assustava. Caine tinha a habilidade de faze-la deseja-lo com uma paixo desinibida e irrestrita. O poder de faze-la pensar nele nos momentos mais estranhos.
Ele parecia no ter problemas com emoes, ou em demonstra-las, enquanto Diana fora treinada a suprimir paixes e controlar os sentimentos. Mesmo agora que j se 
libertara de muitos medos, ainda estava longe da personalidade aberta de Caine. Nunca teria a espontaneidade dele. Ao mesmo tempo que o invejava, no o compreendia 
completamente. Entendia, contudo, que Caine tinha a habilidade de dominar apenas pela fora da personalidade.
Talvez por isso ela tivesse insistido que eles mantivessem o relacionamento em nvel profissional durante as horas de trabalho. Momentos em que Diana precisava ter 
controle sobre suas emoes, seus sentimentos e pensamentos.
Vou me apaixonar se no tomar cuidado, pensou com uma onda de pnico enquanto assistia  lenha nova pegar fogo. Seja no estivesse apaixonada!
Com um gemido de irritao, afastou-se da lareira, ento ouviu o telefone da sala dele tocar. Uma olhada no relgio a informou de que eram quase seis horas e os 
escritrios estavam oficialmente fechados. Dando de ombros, foi at a porta ao lado para atender.
- Escritrio de Caine MacGregor - disse enquanto acendia a luz.
- Ele ainda no voltou? - perguntou uma voz irritada.
- No, lamento. - Diana pegou uma caneta e sentou na cadeira de Caine. - O sr. MacGregor est fora do escritrio. Quer deixar recado?
- Onde est esse garoto? - gritou a voz exasperada. - Venho tentando falar com ele a tarde inteira.
- Sinto muito, o sr. MacGregor est em uma reunio fora daqui. Quer que eu lhe pea para retornar amanh?
- Esse garoto nunca pra quieto - murmurou a voz.
- Perdo? 
- Hah!
Diana franziu o cenho.
- Posso anotar seu nome e nmero, e tambm um recado se desejar.
- No  Lucy quem est falando - afirmou o homem de repente. - Onde est Lucy?
Divertida, e um pouco perplexa, Diana largou a caneta. 
- Lucy j foi embora. Aqui  Diana Blade. Sou associada do sr. MacGregor. H alguma coisa...
- A irm de Justin! - interrompeu a voz. - Tenho desejado conversar um pouco com voc, garota. Soube que est trabalhando a com Caine.
- Sim - comeou ela confusa. - Conhece meu irmo?
- Se o conheo? - Houve uma exploso de risada. -  claro que o conheo, menina. Permiti que ele casasse com a minha filha, no permiti?
- Oh. - Entendendo quem era, Diana recosto se. No tinha sido avisada sobre Daniel MacGregor? - Como vai, sr. MacGregor? J ouvi falar muito do senhor.
- Hah! - exclamou ele. - Voc no escuta meu filho, escuta?                                                   
Ela riu, brincando com o fio do telefone, sem cincia de que estava relaxando pela primeira vez em oito horas.
- Caine fala muito bem do senhor. Lamento que ele no esteja no momento.
- Hum, bem... - Ele parou como se uma idia tivesse se formado em sua mente. - Voc tambm  advogada, no ?
- Sim, eu me formei em Harvard alguns anos depois de Caine.
- Que mundo pequeno! Rena me contou que voc fez as pazes com Justin. Boa linhagem.  
- Bem, sim... - Um pouco confusa pela frase. Diana parou.
- Os laos de sangue so importantes, sabia?
- Suponho que sim.
- Voc no tem de ficar supondo, menina. Precisa manter os laos fortes. Meu aniversrio est chegando - anunciou ele sem uma pausa. 
- Parabns.
- Eu no queria fazer nada, mas minha esposa adora uma festa. No gosto de desaponta-la.
- No - concordou Diana, sorrindo. -  claro que no gosta.
- Ela sente falta das crianas, sabe? Cada um foi para um lado - murmurou ele em tom melanclico. E no h netos.
- Ah - murmurou Diana, sem saber o que dizer.
- Alguns netinhos para que ela mime nos anos de inverno - continuou Daniel com um suspiro. Mas quando as crianas pensam nas necessidades dos pais?
- Bem...
- Anna quer todas as crianas aqui no prximo fim de semana - interrompeu ele. - Uma reunio de famlia. Queremos que Caine traga voc.
- Obrigada, sr. MacGregor, eu...
- Daniel, garota. Afinal, voc  parte da famlia agora. Os MacGregors cuidam de sua famlia.
-Tenho certeza que sim - replicou ela, ento riu. - Eu adoraria ir ao seu aniversrio, Daniel.
- timo. Est combinado, ento. Diga a Caine que a me dele o quer aqui na sexta  noite. Advogada tambm, no? Isso  conveniente. Sexta  noite, Diana.
- Sim. - Meio confusa, Diana se despediu. - Boa noite, Daniel.
Ela desligou com a estranha sensao de que tinha concordado com muito mais do que passar um fim de semana em Hyannis Porte franzino o cenho, pensou sobre a conversa. 
Parecia que Daniel MacGregor era to excntrico quanto a lenda dizia.
O quanto Caine seria parecido com Daniel? Certamente, tinha herdado a habilidade do pai em dominar a conversa quando queria. E havia alguma coisa na risada. E o 
que era aquilo de boi linhagem?
Ouvindo a porta da frente se abrir, Diana levantou e foi para o topo da escada.
- Ol.
Caine olhou para cima.
- Oi.
Reconhecendo a fadiga na nica slaba, Diana desceu e se aproximou.
- Como foi?
Ele pendurou o casaco num cabide do hall.
- Trs horas com Ginnie Day.
Diana no precisava de mais. Erguendo a mos, comeou a massagear-lhe os ombros.
- Voc no gosta dela - afirmou quando Caine deu um suspiro.
- No, no gosto. Ela  mimada, egosta vaidosa. Tem a cortesia de uma garota de cinco anos.
-Deve ter sido uma tarde muito prazerosa - brincou Diana.
Caine riu e levou as mos para os pulsos dela. 
- No preciso gostar da mulher, apenas tenho de defende-la. Seria mais fcil se a prpria Ginnie no fosse a melhor arma do promotor. No h uma maneira de fazer 
o jri simpatizar com a r. A maior parte das emoes estar do lado de quem a acusa, e eu terei de lidar somente com a lei. 
- Voc vai a julgamento - disse Diana.
Um sorriso brincou nos lbios de Caine quando assentiu em concordncia.
- Eu preferia apresentar esse tipo de caso a um juiz. Quando disse a Ginnie, ela teve um chilique e me despediu. - Rindo da expresso ultrajada de Diana, ele segurou-lhe 
o rosto, depois a beijou. - Por cinco minutos - acrescentou. Ela pode ser rude, mas no  estpida.
- Ela teria uma lio se voc tivesse aceitado a dispensa e partido.
- Voc faria isso?
Diana sorriu.
- No, mas teria ficado tentada. Seu trabalho acabou por hoje?
- Sim. - Ele deslizou as mos para a cintura dela e a abraou.
- Ento, pegue seu casaco - ordenou Diana num impulso que a teria surpreendido semanas antes. - Vou leva-lo para jantar. E depois, para minha casa.
- Srio?
- Srio. - Diana pegou o prprio casaco e entregou-lhe o dele.
Caine a estudou, notando que os olhos escuros estavam to confiantes quanto as palavras. Tocou-lhe os cabelos.
- Gosto do seu estilo, advogada. 
- MacGregor - retornou Diana abotoando o casaco -, voc ainda no viu nada.
Vermelha de frio e segurando uma garrafa de champanhe gelado, Diana abriu a porta de seu apartamento. O jantar os relaxara, afastando da mente as exigncias do trabalho 
e as pessoas envolvidas nos casos judiciais. Agora, eram apenas um homem e uma mulher com vidas problemas prprios.
- Vou pegar os copos - declarou Diana, entregando a garrafa a Caine.
Ele olhou para o rtulo.
- Suponho que voc pretende me confundir com champanhe.
Voltando com duas taas, ela sorriu. 
- Estou contando com isso. Por que no abre logo?
Erguendo uma sobrancelha, Caine rasgou o alumnio do topo da garrafa.
- Posso no ser manipulado to facilmente quanto voc pensa.
- Oh, no? - Ela colocou as taas sobre a mesa, ento, aproximou-se e removeu-lhe o casaco. Dessa vez, no iria ser conduzida, iria conduzir. Mordiscou-lhe o lbio 
inferior, enquanto desatava o n da gravata. Quando sentiu os braos dele a circularem, afastou-se, mantendo os lbios quase colados aos de Caine. - Que tal aquele 
champanhe?
- Ns j no o bebemos?
Com uma risada baixa, ela segurou a ponta da gravata entre o polegar e o indicador.
- No. - Lentamente, Diana tirou-lhe a gravata e jogou-a de lado. Sentiu um rpido tremor com o prprio ato e perguntou-se se ele tambm sentira. - Por que no serve? 
- sugeriu, abrindo os trs primeiros botes da camisa dele. - Vou colocar uma msica.
Enquanto atravessava a sala, Diana tirou os sapatos. Ligou o aparelho de som em volume baixo, de modo que o blues que tocava no passava de um sussurro. Quando diminuiu 
as luzes, Caine olhou-a para v-la retirando o blazer.
- Acho que estou numa situao difcil - disse ele, enchendo as taas.
Com uma risadinha, Diana se aproximou. 
- Voc est numa situao difcil. - Pegando uma taa, ela sentou no sof e puxou Caine par seu lado. - Dificlima - acrescentou, mordiscando-lhe a orelha.
-Talvez eu deva me colocar inteiramente em suas mos. - Virando a cabea, ele encontrou-lhe a boca, mas ela s permitiu que Caine a saboreasse brevemente.
- Essa  a minha idia. - Diana brindou com Caine e tomou um gole do champanhe. - Eu j lhe disse que voc me fascina? - perguntou, ela quanto brincava com as curvas 
da orelha dele.
- No. E eu, j lhe disse? - Caine ergueu mo para aconchega-la a seu corpo, mas ela a pegou na sua.
- Sim. - Vagarosamente, Diana levou a mo de Caine at os lbios, pressionando-os contra a palma. Esta noite, seria toda mulher, apenas uma mulher. - Mos fortes. 
Uma das primeiras coisas que notei foi que suas mos no eram suaves como eu esperava. Imaginei a sensao delas em minha pele. - Ela entrelaou os dedos nos dele 
e levou a taa aos lbios novamente.
Sentindo o desejo tomar conta do corpo, Caine a encarou. Ela o estava hipnotizando. No sabia que Diana tinha tal capacidade, e o sentimento o deixou queimando e 
estranhamente fraco.
Na luz parca, os olhos dela estavam escuros e misteriosos, com uma expresso sedutora que o abalou desde o primeiro instante.
- Diana...
- Ento h sua boca - continuou ela, roando os lbios de leve sobre os de Caine. - Da primeira vez que voc me beijou, eu no podia pensar em mais nada - sussurrou, 
inclinando a cabea quando ele pensou em aprofundar o beijo. - As vezes excitante, outras, incrivelmente gentil. Eu poderia passar horas e horas somente beijando 
voc. - Mas afastou-se e deu um gole do champanhe.
- Diana. - Sua voz era baixa quando Carne lhe segurou a nuca e puxou-a para mais perto.
Diana manteve a distncia com uma mo sobre o peito dele. Mais tempo, pensou. Queria explorar mais o poder que acabara de descobrir.
- Gosto dos seus olhos. - Ela podia sentir o desejo de Caine nos dedos pressionados em sua pele. Sempre que a tocava, ele tinha o controle. Dessa vez, o controle 
seria seu, pensou. - Gosto da maneira como eles escurecem quando voc me quer. Posso ver isso agora. Voc est tenso.
- Quando sentiu o corao disparado violentamente contra sua palma, o prprio corao acelerou. - Beba seu champanhe e relaxe.
Com o corpo pulsando, ele encontrou o desafio nos olhos de Diana. Com muito esforo, soltou-lhe a nuca e lutou contra a primeira onda de desejo. Ela pretendia enlouquece-lo, 
e sabendo disso, Caine determinou-se a recuperar algum controle.
-Voc sabe que quero voc. E sabe que eu a terei.
- Talvez. - Ela sorriu e balanou os cabelos. O aroma sedutor pareceu envolve-lo. - Quando penso em fazer amor com voc, penso em tempestades. - Preguiosamente, 
Diana correu um dedo pela frente da camisa dele, ento abriu o resto dos botes. - Estranho, nunca tenho a imagem de nada plcido quando penso em voc. - Deslizou 
as mos pelo peito nu, descendo bem devagar.
- Se voc quer que eu seja gentil - Caine conseguiu sussurrar -, este no  o caminho.
- Falei que era isso o que eu queria? - Observando-o, Diana tomou-lhe a boca, dessa vez deixando que o beijo se alongasse.
Atordoado de prazer, Caine entrelaou as duas mos nos cabelos dela e aprofundou o beijo. Com a respirao j irregular, alcanou o zper nas costas do vestido de 
Diana.
Ainda no, Diana disse a si mesma, enquanto a paixo comeava a consumi-la. Queria algo mais naquela noite. Queria mais alguns momentos de controle. Sentindo o vestido 
se afrouxar, afastou-se.
- Diana... - comeou Caine gemendo, mas ela esquivou-se e se levantou.
- Voc no quer mais champanhe? - perguntou, servindo o prprio copo.
Num movimento rpido, Caine levantou e agarrou-lhe o brao.
- Voc sabe muito bem o que eu quero.
Uma outra onda de excitao a percorreu, e Diana manteve o tom de voz baixo.
- Sim. - Impulsivamente, bebeu o contedo da taa num gole s. - Um drinque to refinado. Leve-me para a cama - convidou aproximando-se. - E faa amor comigo.
Quando o ltimo fio de controle desapareceu, Caine a puxou para seus braos. A taa caiu no tapete e rolou pela sala.
- Aqui - exigiu ele. - E agora. - beijando-a, arrastou-a para o cho.
As mos msculas pareciam estar por todos os lugares ao mesmo tempo, testando, explorando, enquanto a boca fundia-se  dele. Diana se glorificou naquilo, o corpo 
respondendo de maneira selvagem.
Ela removeu a camisa de Caine, e quando ele liberou-lhe a boca brevemente, Diana mordiscou-lhe o ombro de leve.
Gemendo, Caine despia-a totalmente, sentindo a pele quente e maravilhosa contra a sua. Seu corpo estava em chamas, fazendo-o agir rapidamente, com desespero. Achava 
que tinha sentido prazer antes, mas nada podia se comparar quilo.
Diana estava nua sob ele, as curvas arredondadas enlouquecendo-o. A msica sussurrada parecia pulsar vigorosamente agora. E o aroma feminino e nico prometia pura 
paixo.
Ento, ele a possuiu com uma fora que a fez gritar seu nome. Caine a beijou, abafando os sons, enquanto a amava com uma intensidade indescritvel. Nada mais existia 
no mundo, e ele no queria nada mais. Pegos na espiral da tempestade, eles se movimentaram em ritmo alucinante at que as foras foram drenadas de seus corpos satisfeitos. 
Com algo parecido com dor, Caine sentiu a sanidade retornar.
Entretanto, ainda no podia se mover. Com o rosto enterrado nos cabelos dela, respirava com dificuldade. Estava tremendo, percebeu com uma onda de medo. Nenhuma 
mulher, nenhuma paixo jamais o fizera tremer. O que Diana estava fazendo com ele?, perguntou-se, enquanto tentava recuperar o flego. A ltima coisa de que se lembrava 
claramente era de t-la puxado para o cho. Todo o resto, foram sensaes. Eles podiam ter ficado deitados ali por dez minutos ou por horas. Nem mesmo agora que 
o desespero passara, podia raciocinar.
Ele a machucara? Estivera quase violento quando a arrastara para o cho. Tinha perdido todo o senso e espao naquele momento.
Caine levantou a cabea para fita-la. Os olhos de Diana estavam abertos, mas as plpebras pesadas pareciam sonolentas. Apele tinha o brilho da paixo que haviam 
compartilhado. Incrivelmente, sentiu o desejo despertar de novo. Abaixando a cabea para os cabelos dela, respirou fundo. Precisava de um minuto para recompor-se, 
ou a possuiria como um louco mais uma vez.
Diana acariciou-lhe as costas. Vira algo nos olhou de Caine que nunca esperara: vulnerabilidade. E mesmo agora, aconchegada ao corpo forte, no estava certa se o 
queria vulnervel. Sentir isso apenas reforava sua prpria fraqueza. Devagar e com muito sucesso, Caine escalara as paredes de suas defesas. E as coisas no eram 
to simples agora.
Quando Caine ergueu a cabea de novo, os olhos escondiam os segredos.
- Voc  uma mulher surpreendente, Diana.
- Ele a beijou levemente nos lbios.
- Porqu?
- Toda essa paixo, todo esse... fogo. Em uma mulher que se esfora tanto para ser fria... composta. Voc queria me enlouquecer, no queria?
Ela suspirou quando a boca de Caine deslizou por seu pescoo. Sentia-se triunfante. Descobrira mais um lado de Diana Blade.
- Eu consegui enlouquece-lo.
Ele sorriu contra sua pele antes de levantar a cabea novamente.
- Vamos tomar aquele champanhe agora antes que eu a leve para cama, como voc pediu. - Caine serviu a taa sobre a mesa, ento ofereceu-lhe.
- Parece que voc perdeu a outra taa. Vamos compartilhar essa.
Sentando-se, Diana saboreou o gosto da bebida.
- Est ainda mais gostoso agora - murmurou, passando o copo para ele.
-Como voc disse, um drinque refinado. - Caine levou uma das mos aos cabelos dela e acariciou-os. - Diana, passe esse fim de semana na minha casa. Podemos comer, 
assistir a filmes, brincar no sof. Ambos estaremos sob muita presso pelas prximas semanas com a aproximao do julgamento. Talvez demore um bom tempo para que 
possamos ficar juntos assim de novo.
A imagem que ele descreveu era tentadora... e assustadora. Mais um passo na intimidade. Embora uma parte sua quisesse recuar, ela no pde resistir.
- No posso pensar em nada melhor... Oh, espere. Seu pai.
Caine riu, ento deu um gole do champanhe antes de passar-lhe a taa.
- O que meu pai tem a ver com isso?
- Ele ligou. Esqueci de lhe contar. - Ela bebeu um pouco, os olhos sorrindo. - Acredito que recebemos uma intimao.
- Verdade? - Caine traou-lhe a curva do ombro.
- Para o fim de semana - confidenciou Diana, rindo quando o dedo dele parou.
- Fim de semana?
- O aniversrio de seu pai: - Inclinando-se contra ele, Diana encheu a taa novamente. - Ele no queria festa, mas sua me...
-  claro. Meu pai, nada exigente, iria passar o dia do aniversrio como qualquer outro dia do ano. S vai aceitar uma festa porque minha me quer. E, naturalmente, 
s vai receber parentes porque  assim que ela espera.
Diana riu.
- Bem, foi muito gentil da parte dele me incluir no convite. Estou ansiosa para ir. Gostei de falar com seu pai, embora a conversa tenha sido meio confusa.
- Como? - Caine traou-lhe a orelha com a lngua.
- Hum... Ele disse alguma coisa sobre Justin e eu sermos de boa linhagem. Caine... - Quando ele mordiscou-lhe o lbulo, ela perdeu a linha de raciocnio.
- O que mais? - murmurou ele, satisfeito que a voz de Diana estava instvel e o corpo flexvel contra o seu. Dessa vez, eles iriam fazer amor devagar, saboreando 
cada momento.
- Alguma coisa sobre ser conveniente que ns dois somos advogados. - De alguma maneira, ela estava aninhada nos braos de Caine, as mos fortes alisando-lhe o corpo. 
E estava rendida.
- Entendo. - Caine continuou as carcias. - Rena j lhe contou como ela e Justin se conheceram?
- O qu? - Com os olhos j fechados e o corpo se derretendo, Diana mal conseguia raciocinar. - No, ela no me contou. Caine, faa amor comigo.
Caine perguntou-se como ela reagiria quando soubesse que o pai dele havia armado um encontro entre Rena e Justin na esperana de formar um par. Como reagiria quando 
soubesse que Daniel MacGregor no hesitava em dar uma mozinha quando sentia que encontrara o parceiro ideal para um de seus filhos. E que Diana certamente seria 
ideal. Perguntou-se, enquanto roava-lhe a boca com a sua, como se sentia em relao  idia.
Mas no era uma noite para reflexes, decidiu quando Diana circulou-lhe o pescoo.
Levantando-se, pegou-a nos braos e a levou para a cama.


Dez

Diana estava sentada atrs de sua mesa, olhando para o fogo na lareira, e segurando o processo de Irene Walker.
No podia acreditar naquilo. As acusaes tinham sido retiradas, a ao de divrcio cancelada.
Olhando para baixo, viu o cheque que fora deixado em sua mesa. Irene tinha decidido dar uma outra chance ao marido.
Ele se arrepende tanto de ter me machucado, dissera em tom apologtico. E prometeu que isso nunca mais vai acontecer.
Nunca mais vai acontecer!, pensou Diana, largando a pasta. Irene Walker vivia num mundo de sonhos, e o prximo pesadelo poderia deixa-la com mais do que algumas 
manchas roxas e dentes quebrados.
Todo aquele trabalho, todas as horas de pesquisa cuidadosa para nada!, pensou Diana irritada. E mais cedo ou mais tarde, Irene voltaria para comear tudo de novo.
A frustrao levou Diana  janela para observar os galhos cobertos de branco. Como Irene podia amar o marido depois de tudo o que ele lhe fizera? Como podia voltar 
para aquele tipo de vida?, pensou com um suspiro.
Houve uma batida  porta, mas ela continuou olhando pela janela.
- Sim?
- Momento ruim? - perguntou Caine, atravessando a soleira, mas no se aproximando.
Diana virou-se e foi para a mesa pegar o arquivo.
- Irene Walker acaba de se reconciliar com o marido.
Caine olhou para a pasta, ento para a expresso furiosa de Diana.
- Entendo.
- Como ela pode ser to tola? - Diana deixou o arquivo sobre a mesa e andou at a lareira. - Ele a procura com algumas flores, pede perdo e a convence de que  
um homem bom.
Caine foi para a mesa, notando o cheque.
- Talvez ele seja.
- Est brincando? - exclamou ela, virando-se.
- Por que algumas semanas de separao fariam alguma diferena? Ela j o deixou antes.
- Mas nunca tinha entrado com o processo de divrcio - apontou ele. - Isso e a ameaa de uma ao criminosa podem fazer um homem refletir muito.
- Oh, ele refletiu - concordou Diana amargamente. - No, ele no queria enfrentar a possibilidade de uma sentena de priso, no queria perder a esposa e o filho, 
e uma boa poro de sua renda. Mas o que fez para merecer misericrdia? Nada! - Diana comeou a andar pela sala. - Ele no concordou com terapia de casal. Ela diz 
que o marido no quer que os problemas deles se tornem pblicos. Irene queima a carne, ele bate nela na frente dos vizinhos, mas no quer discutir o problema com 
um profissional! - Diana sentou. - E como ela pode amar algum que periodicamente a usa como um saco de pancadas?
- Voc acha que ela o ama? - questionou Caine. 
- Por que mais aceitaria essa situao?
- Talvez tenha medo de ficar sozinha. - Agachando-se na frente de Diana, ele pegou-lhe a mo. - Amor  uma forte motivao, mas nem sempre  o motivo para ficar 
com algum quando a relao  dolorosa.
-Talvez no... eu no sei. - No entendia o amor, pensou Diana, uma vez que no tivera de lidar com isso pela maior parte de sua vida. Mas parecia que o amor era 
uma emoo que transformava uma pessoa inteligente numa tola. - Irene acha que ama o marido. E por causa disso, est arriscando tudo.
- Somos advogados, no psiclogos - ele a relembrou. - O problema de Irene Walker no  mais legal.
- Eu sei. - Diana apertou-lhe a mo. - Mas  to frustrante saber que eu poderia ter sido til e agora...
- Agora voc arquiva os papis de Irene e esquece o caso. - Caine a olhou longamente. - No h outra escolha.
-  difcil.
- Mas  necessrio. Ns s podemos aconselhar em bases legais, Diana. S podemos trabalhar com a lei.
- Por que no escolhemos uma profisso mais simples? - murmurou ela. -Alguma coisa menos dolorosa? Parece to bsico do lado de fora... o certo e o errado de acordo 
com a lei. - Com um suspiro, meneou a cabea. - Mas de repente, pessoas so envolvidas e no  mais to simples. Eu queria ajuda-la, Caine.
- Voc no pode ajudar uma pessoa, a menos que ela esteja preparada para ser ajudada.
- E Irene Walker no est preparada para isso - concluiu Diana com tristeza.
Como podia explicar que via o caso Walker como seu primeiro fracasso tanto profissional quanto pessoalmente? Diana sentira que libertar Irene da escravido, de alguma 
maneira, simbolizaria sua prpria libertao de um outro tipo de domnio. O de Irene era fsico, o seu emociona nenhum dos dois saudveis.
-Eu estava pronta para ajuda-la - declarou. - Precisava ajuda-la.
Caine viu ento a vulnerabilidade nos olhos dela que o fazia tanto querer protege-la quanto fugir. Aps um momento de silncio, murmurou:
- Voc no pode continuar traando paralelos, Diana.
Ela se fechou instantaneamente. 
- Tenho de trabalhar isso em mim.
- Ns todos temos - concordou ele. -Defendi um garoto uma vez que foi acusado de causar acidentes porque bebia e usava drogas. Consegui livra-lo da cadeia. Trs 
meses depois, ele bateu o carro e matou o passageiro. - Os olhos dele entristeceram com a memria. - Uma menina de 17 anos.
- Oh, Caine. - Sem saber o que dizer, Diana pegou-lhe a mo.
- Todos carregam uma bagagem, Diana. Podemos apenas dar o melhor de ns e esperar que d certo. Quando algo sai errado, devemos esquecer.
- Voc tem toda razo. - Deliberadamente, ela pegou o arquivo Walker e guardou-o na gaveta da mesa. - Caso encerrado.
- Lucy disse que voc tem mais dois clientes que viro na prxima semana.
Esforando-se, Diana reprimiu a depresso e o fitou.
- Lidei com eles quando trabalhava para Barclay. Eles devem ter ficado satisfeitos.
Caine sorriu.
- Satisfeita consigo mesma?
- Bem, afinal, eles esto vindo a mim, no a Barclay, Stevens e Fitz.
Endireitando o corpo, ele tocou-lhe os ombros. A tenso desaparecera.
- Voc vai ficar muito ocupada.
- Espero que sim. - Com um sorriso, Diana tambm levantou e o circulou pela cintura. - Para me tornar a melhor advogada da costa leste, preciso de clientes.
- Isso ajuda. - Caine deu-lhe um beijinho no nariz, ento consultou o relgio de pulso. - Enquanto isso... so 4h15 de sexta-feira.
- To tarde? - Diana sorriu. - Fiquei refletindo por muito tempo.
- As reflexes acabaram por hoje?
- Com certeza.
- Ento vamos. Meu pai vai reclamar durante uma hora se nos atrasarmos.
- No me diga que est preocupado com uma bronca? - Diana riu e pegou a bolsa.
- Voc no conhece meu pai - replicou ele, conduzindo-a para a porta.
Diana achou a viagem relaxante e rpida. Caine estava certo, dizendo-lhe para arquivar e esquecer o caso Walker. E pelo final de semana, iria tirar Chad Rutledge 
e os outros casos da mente.
Estava ansiosa para rever Justin, sem nenhuma das dvidas e dores que levara consigo para
Atlantic City. Talvez, agora, pudessem ser simplesmente irmos. Uma famlia... embora no como o cl MacGregor.
Era natural pensar neles como um cl. Diana testemunhara o relacionamento ntimo entre Caine e a irm. E o telefonema de Daniel reforava a idia de que os MacGregors 
eram uma famlia em cada sentido da palavra. Ela intrigou-se com a idia. O que sabia de relacionamentos familiares, afinal?
Em Boston, Caine MacGregor era um advogado dinmico e bem-sucedido, com uma reputao de vencer e conquistar mulheres. Em Boston, Diana era sua amante e sua associada. 
Em Hyannis Port, Caine era filho e irmo. Diana conhecia muito pouco esse lado dele. Seria diferente? Com certeza, pensou. Na casa da tia, Diana sempre fora uma 
pessoa diferente, seguindo um conjunto de regras. Pela lgica, o mesmo deveria acontecer com Caine.
Conforme o carro subia a serra, ela comeou a ouvir o barulho das ondas do mar. Por um momento, perdeu-se naquilo, apreciando as pedras e a espuma branca. Mas quando 
olhou para cima novamente, deparou-se com uma nova imagem.
A casa era cinza contra o cu de inverno. Enorme e com a estrutura de uma fortaleza, estava posicionada de costas para a gua. Havia uma aura de conto de fadas sobre 
a propriedade, isolada, imponente, com dezenas de janelas iluminadas. Era magnfica, e descaradamente pretensiosa.
- Oh, Caine,  adorvel! - Diana inclinou-se para frente quando o Jaguar se aproximou. - Que lugar maravilhoso para crescer.  o mais parecido com um castelo escocs 
que j vi fora dos livros.
- Meu pai vai ficar encantado com voc. - Ele a fitou com um sorriso. - Nem todos tm essa impresso na primeira olhada. - Meu pai possui algumas... manias. Construiu 
a casa para agradar a si mesmo.
- No posso pensar numa razo melhor. - Ela inclinou a cabea para ver o topo da torre. Havia uma bandeira balanando ao vento. Diana no precisava ver as cores 
para saber que era uma bandeira escocesa. - Voc deve ter adorado crescer aqui. 
- Sim. - Era estranho, pensou Caine, que a reao de Diana lhe desse tanto prazer quanto alvio. - Ns todos adorvamos. Tudo na casa  em grande escala, corredores 
largos, tetos altos e lareiras to grandes que serviam de esconderijo nas brincadeiras infantis. Arcos gticos, pilares de granito e uma adega que parece um calabouo. 
Costumvamos brincar de Inquisio na Espanha l embaixo.
- Oh, que crianas adorveis vocs devem ter sido.
- Gosto de pensar que ramos criativos.
Rindo, ela voltou a ateno para a casa.
- Deve ser difcil ficar longe daqui.
- No, porque voc sabe que pode voltar quando quiser, e a casa sempre estar a. H memrias em cada cmodo. - Caine virou o carro num caminho circular e parou. 
- Talvez eu deva avisa-la de que por dentro  exatamente o que voc esperaria vendo de fora.
- Com calabouo e tudo. - Diana desceu do carro. - timo.
- Mais tarde, pegamos as malas. - Ele segurou-lhe a mo e foi em direo aos degraus de granito.
Sobre a porta, havia uma aldrava de lato no formato de uma cabea de leo. Caine bateu-a contra a madeira, enquanto lia a inscrio galica sobre ela.
- Soberana  a minha raa.
- Estou impressionada.
-  claro que est. - Inclinando-se, ele tocou-lhe os lbios com os seus, antes de aprofundar o beijo.
Instintivamente, ela envolveu os braos ao redor do pescoo dele, e se aconchegou ao corpo quente.
-  uma boa maneira de espantar o frio. 
Diana girou a cabea ao som da voz. Encostado contra a porta, um homem alto com feies morenas e uma boca escultural estava sorrindo.
-  a nica maneira - replicou Caine, e deu um abrao apertado no homem. - Meu irmo, Alan - disse a Diana, e a conduziu para dentro. - Diana Blade.
Diana apertou-lhe a mo firme e o estudou. Havia alguma coisa no olhar intenso de Alan que a lembrava muito de Caine, embora no houvesse quase nenhuma semelhana 
fsica entre os dois.
- E bom ter voc aqui, Diana - disse Alan com um sorriso de boas-vindas. - Todos esto no Salo Trono.
Quando Diana franziu o cenho, Caine riu e tirou-lhe o casaco.
- Um termo familiar para uma das salas de estar. - Cuidadosamente, pendurou os casacos sobre um suporte entalhado perto da escada. - Rena est aqui?
- Ela e Justin j estavam acomodados quando eu cheguei - respondeu Alan.
- Bem, acho que isso me coloca no topo da lista, ento.
Alan sorriu, iluminando as feies bonitas.
- Sim.
Caine passou um brao ao redor dos ombros de Diana enquanto eles desciam o hall.
- Espero que o fato de ter trazido Diana possa me redimir. - Ele olhou para o irmo. - Voc veio sozinho?
- E j recebi o sermo - disse Alan. - Um homem de 35 anos sem uma esposa... - ele imitou o pai. - Estou desacreditado.
- Melhor voc do que eu - murmurou Caine.
- Posso saber do que vocs esto falando? - perguntou Diana com um sorriso intrigado.
Caine a olhou.
- Voc logo vai descobrir.
Antes que Diana pudesse falar mais alguma coisa, ouviu o som de uma voz ecoando das paredes:
- O garoto deveria vir visitar a me com mais freqncia. As crianas hoje em dia so impossveis. O que voc acha dos ancestrais e das geraes que viro? Onde 
est o orgulho em nome da famlia?
Caine parou  entrada da sala de estar, a mo ainda sobre os ombros de Diana.
Dizer que a sala era impressionante no expressaria a verdade completa. Tinha as dimenses de um salo de baile, com um enorme tapete colorido que ia de parede a 
parede. No final, uma gigantesca lareira de pedra esquentava o ambiente. As janelas iam do cho ao teto em um dos lados. As cortinas eram vermelhas e pesadas, mas 
estavam abertas, de modo que o fogo danava no reflexo dos vidros.
Os mveis eram gticos e de tamanho proporcional  sala. Sobre uma mesa Belter, jazia um vaso ornado de porcelana. Ao lado da lareira de pedra, havia uma esttua 
de um chacal de tamanho humano.
Embora houvesse dzias de cadeiras e sofs espalhados, a famlia estava agrupada em volta de uma cadeira alta e curvada como um trono, estofada com o mesmo tecido 
vermelho do tapete e das cortinas. Nela estava sentado um homem raivo de barba, com feies fortes e extremamente bonitas. Havia uma mulher a seu lado, com estrutura 
delicada e cabelos castanhos levemente grisalhos. Enquanto Daniel continuava com as reclamaes, a esposa bordava alguma coisa no colo com expresso amena.
 esquerda, Serena estava curvada num sof largo de couro, Justin a seu lado, brincando distraidamente com os cabelos da esposa.
Eles so a corte de Daniel, pensou Diana observando o homem magnfico beber um gole de seu drinque antes de continuar:
- Querer que as crianas compaream ao aniversrio do pai no  pedir muito. Pode ser meu ltimo aniversrio - acrescentou ele, olhando para a filha.
- Voc diz isso todos os anos - comentou Caine antes que Serena respondesse.
-  uma ameaa tradicional - declarou Serena, levantando para cumprimentar o irmo. Ela o abraou amorosamente e beijou-lhe o rosto, antes de virar para abraar 
Diana. - Que bom que voc veio - murmurou, ento pegando-lhe as mos.
Diana sentiu-se acolhida pelo carinho. No entanto, as demonstraes fsicas de afeto dos MacGregors a assustavam um pouco, deixando-a incerta se era capaz de retribu-las.
- Estou feliz que tenha vindo. Voc est linda.
Com uma risada, Serena lhe deu um beijo no rosto.
- Vou servir drinques para vocs. Ajude-me, Alan, voc tambm precisa de um.
- Diana.
Virando-se, Diana viu Justin parado a seu lado. Feliz, mas meio sem graa, olhou-o. Seu irmo pegou-lhe as mos nas suas.
- Vai me dar um beijo, irmzinha?
Ele estava perguntando para lhe dar a chance de recuar, pensou Diana, focando os lindos olhos verdes. Erguendo-se na ponta dos ps, deu-lhe um beijo rpido nos lbios. 
E, de repente, no estava mais sem graa.
-  bom ver voc, Justin. - Num impulso, envolveu os braos em volta dele e o abraou apertado. -  to bom ver voc.
Justin beijou-lhe o topo da cabea, retribuindo o abrao enquanto desviava os olhos para Caine. Sentiu alguma coisa... o instinto que o informava que duas pessoas 
eram ntimas.
Caine leu a expresso de Justin facilmente e permaneceu silencioso. Lembrava-se exatamente de como tinha se sentido quando encontrara Serena compartilhando o quarto 
de Justin. Irritado, possessivo, protetor... todos os sentimentos que um irmo mais velho tem quando subitamente descobre o parceiro da irm diante de seus olhos. 
A amizade dos dois homens era antiga, mas o destino os atrara para as irms de um e de outro. Os laos de amizade e sanguneos eram fortes em Caine e em Justin.
- Caine. - Justin manteve Diana a seu lado por um momento, enquanto tentava acomodar as emoes.
- Bem, voc vai manter a garota na soleira da porta ou vai traz-la para dentro? - resmungou Daniel impaciente e levantou. - Deixe-me dar uma olhada na sua irm, 
Justin. Rena, meu copo est vazio.
-  bom ver voc, tambm - disse Caine, atravessando a sala.
- Hah! - exclamou Daniel, dando-lhe um olhar srio. Caine sorriu para o pai, at que Daniel caiu na gargalhada. - Garoto desrespeitoso. - Ele puxou o filho para 
um abrao de urso e deu-lhe trs tapas nas costas. - Voc est atrasado. Sua me temeu que no viesse.
- Contanto que eu no tenha perdido o jantar. - Caine afastou-se do pai e foi ao encontro de Anna.
- Ento, voc  Diana. - Daniel segurou-lhe os dois ombros com firmeza. - Uma garota bonita. Alta, forte... E se parece com o irmo.
- Obrigada, Daniel - murmurou Diana. - Gostei muito que voc me incluiu no seu fim de semana familiar.
- Ah, mas voc  parte da famlia agora, certo? - Ele virou Diana para a esposa. - Uma garota muito bonita, no , Anna?
- Adorvel - concordou Anna, ento estendeu as mos. - No o deixe faze-la sentir como uma raridade num leilo, Diana.  apenas um hbito de Daniel. Venha sentar-se.
- Uma raridade num leilo? - perguntou Daniel. - Que tipo de conversa  essa?
- Conversa direta - replicou Caine casualmente quando sentou no brao do sof ao lado da me. - Obrigado, Rena - agradeceu o drinque  irm. 
Daniel pigarreou e voltou para sua cadeira tipo trono.
- Ento, temos outra advogada na famlia - comeou ele. - Tenho grande respeito pela lei, com dois filhos advogados.  claro que Alan est to ocupado com a poltica 
que no tem tempo para mais nada.
- Voc est no topo da lista agora - sussurrou Caine para o irmo, que deu de ombros.
- E voc cursou a Harvard, tambm - afirmou Daniel entre goles do drinque. Que coincidncia! Mundo pequeno, muito pequeno! - Ele olhou brevemente para o filho mais 
novo. - E agora vocs dois so scios.
- No somos scios - Caine e Diana falaram ao mesmo tempo, ento se entreolharam.
- No so? - O sorriso de seu pai era muito brando, pensou Caine. - De onde eu tirei essa idia? Bem... - Voltando-se para Diana, deu-lhe um sorriso paternal.
- Rena me contou que voc cresceu em Boston, Diana interrompeu Anna, enquanto recomeava seu bordado. - Conhece a famlia O'Maira?
-Minha tia  amiga de Louise O'Marra.
- Sim, Louise e o marido, Brian. Pessoas estranhas. - Anna sorriu. - Realmente gostam de jogar bridge.
Uma risada escapou de Diana antes que pudesse conter. Olhando para cima, viu a piscada rpida da me de Caine.
- Detesto o jogo - continuou Anna, dando um ponto no bordado. - Talvez porque eu seja muito ruim nisso.
- No - corrigiu Caine. -Voc  ruim no jogo porque o detesta.
- Os O'Marra tm trs netos, se no estou enganado. - Daniel estreitou os olhos ao redor da sala. - Como voc se sente sobre crianas, Diana?
- Crianas? - Ela ouviu a risada abafada de Alan, e Caine praguejando baixinho. - Bem, no tenho muita experincia com elas.
- Onde estaramos sem crianas? - indagou Daniel, inclinando-se para a frente. - Para nos dar o senso de continuidade, de responsabilidade?
- Seu copo est vazio - Caine falou abruptamente e levantou. - Continue com isso - sussurrou quando pegou o copo da mo do pai - e vou diluir todas as garrafas de 
usque dessa casa.
Daniel pigarreou e considerou a possibilidade.
- O jantar deve estar pronto agora, no, Anna? -Acho que ns devemos tirar um pouco da presso sobre nossos irmos - disse Serena no ouvido de Justin.
- V em frente. Estou louco para ver a expresso do seu pai.
- Falando em crianas - comeou Serena -, acho que papai tem razo.
Daniel se empolgou novamente.
-  claro que tenho razo. E uma desgraa, sua me sem um nico neto para mimar.
- Muito triste mesmo - concordou Serena, com uma piscadela para a me. - Bem, Justin e eu decidimos remediar isso em aproximadamente seis meses.
- J no era sem tempo - comeou Daniel, ento parou boquiaberto.
- Antes tarde do que nunca - murmurou Serena. Rindo do semblante atnito do pai, levantou e se aproximou. - Nada a dizer, MacGregor?
- Voc est grvida?
Sorrindo, ela abaixou para beijar-lhe o rosto.
- Sim. Voc ter seu neto antes de setembro.
Encantada, Diana observou os olhos do homem mais velho se encherem de lgrimas.
- Minha garotinha - murmurou, ento levantou e segurou-lhe o rosto com as duas mos. - Minha pequena Rena.
- No serei pequena por muito tempo.
- Sempre ser a minha garotinha.
Diana desviou os olhos, emocionada com a cena. Viu Caine fitando a irm, os olhos intensos. Ele est tentando visualiza-la como me, pensou. Tentando imaginar-se 
como o tio de uma criana. Filho de Justin, percebeu de sbito. Filho de seu irmo. O velho desejo enterrado por uma famlia mexeu com Diana. Levantando, andou at 
Justin.
- Ao seu beb - sussurrou e ergueu o copo.
-  sade de seu filho ou filha e aos nossos pais, que teriam amado isso. - Justin levantou, pegando-lhe a mo e murmurando alguma coisa em comanche. 
- Eu no me lembro da lngua - disse Diana.
- Obrigado, tia do meu beb - traduziu ele.
- Teremos champanhe esta noite - anunciou Daniel subitamente e abraou Serena de novo. - Um outro MacGregor est a caminho!
- Blade - Justin e Diana corrigiram ao mesmo tempo.
- Sim, Blade. - De bom humor, Daniel abraou o genro. - Sangue bom - declarou, ento abraou Diana at que ela estava rindo e lutando por flego. - Linhagem forte.
Quando ele a liberou, as palavras voltaram  mente de Diana. Ento entendeu a conversa ao telefone. Daniel estava falando sobre ela e... Perplexa, virou-se para 
encontrar os olhos de Caine.
Ele a estava observando, o brao ao redor dos ombros da irm. Lendo corretamente a expresso de Diana, deu-lhe um sorriso sem graa e levantou o copo.

Caine no precisava deitar para saber que no conseguiria dormir. Em vez disso, sentou numa poltrona, fumando lentamente e vendo a luz da lua brincar nos galhos 
do lado de fora da janela.
A casa estava na mais completa quietude agora, depois de todo o barulho e risadas  mesa de jantar.
Estranho como Diana tinha parecido adequada na sala imensa. Estranho como parecia pertencer  casa da infncia dele.
Caine vinha tentando analisar seus sentimentos em relao a Diana h semanas. Por que no podia parar de pensar nela, hora aps hora, dia aps dia? Por que sabia, 
mesmo antes de ter tentado, que no seria capaz de se afastar? Ou de deixar que ela o fizesse?
Com um murmrio de irritao, apagou o cigarro e levantou. s vezes, no conseguia racionalizar os sentimentos. No podia se convencer de que apenas queria ajuda-la 
em um processo de autoconhecimento. De se redescobrir. Certas vezes sabia... e isso o amedrontava... que estava apaixonado por Diana.
Mas amor no era para Caine. Amor significava compromisso. Significava compartilhar profundas intimidades, as quais nunca estivera disposto com nenhuma mulher... 
at Diana.
Para os sentimentos de desejo e necessidade, o caminho era claro. O amor representava voltas inesperadas e traioeiras. Amor parecia uma palavra fcil quando aplicada 
a outra pessoa. Ele estava amando e no tinha certeza de qual seria seu prximo passo.
E como Diana Blade se sentia em relao a ele?, perguntou-se, Olhou peia janela, descansando as palmas no peitoril. Ela era uma mulher que controlava as emoes 
meticulosamente. Ela o desejava, mas... amor? Poderia faze-la am-lo?
No, decidiu. Ou ela o amava e no queria admitir, ou o sentimento no existia e nunca existiria.
Subitamente, precisava dela... a maciez, o calor do corpo sensual. Diana estava dormindo no enorme quarto ao lado. Sem se permitir tempo para pensar, Caine foi para 
o corredor.
Conhecia bem a casa e, mesmo no escuro, encontrou a porta de Diana, abriu-a e entrou, fechando-a silenciosamente em seguida. O quarto estava iluminado apenas pela 
lua. Na lareira s restavam brasas, no proporcionando nem luz nem calor.
Ela estava aconchegada debaixo do edredom macio, a respirao baixa e tranqila. Emoes fortes o dominaram. De sbito, sabia como seria v-la daquela maneira noite 
aps noite, saber que quando acordasse, todas as manhs, ela estaria a seu lado. E sabia tambm como seria a vida sem Diana. Inclinando-se, roou os lbios no rosto 
dela.
- Diana - murmurou quando ela suspirou e mexeu a cabea no travesseiro. Chamando-a de novo, Caine comeou a beijar-lhe o rosto, mordiscando-lhe os lbios at que 
sentiu a resposta sonolenta dela. - Eu quero voc. - Beijando-a, deixou que a lngua a acordasse.
Aps um murmrio de prazer, Diana sentou e arregalou os olhos em surpresa.
- Caine! Voc me assustou.
- Voc no parecia com medo - disse ele enquanto sentava na cama. Segurando-lhe os ombros, puxou-a para mais perto.
- O que voc est fazendo aqui no meio da...
Caine a silenciou com um beijo. Lentamente, deslizou uma das mos para baixo das cobertas, deliciado ao descobrir que ela estava quente e nua.
- Caine... voc no pode. A casa de seus pais...
- Eu posso - contradisse ele, e ouviu-a gemer quando tocou o ponto sensvel entre as pernas. Quero voc, Diana. No consigo dormir, tamanho  meu desejo. Deixe-me 
lhe mostrar.
- Caine... - Mas ele cobriu-lhe a boca de novo. No houve protesto quando a pressionou de volta contra o travesseiro.
Ele j a amara assim antes?, perguntou-se Diana, enquanto Caine a acariciava com extrema lentido. Sim, daquela vez que ambos estavam meio adormecidos. No havia 
urgncia ou pressa. Era como se estivessem juntos h anos, com a certeza de que continuariam juntos por muitos mais. Vagarosamente, ele saboreou-lhe o gosto da boca, 
da pele, enquanto sussurrava palavras doces de aprovao.
Diana correspondeu s carcias no mesmo ritmo preguioso, surpresa em descobrir quanta ternura havia em Caine, e em si mesma.
As mos dele a tocavam gentilmente, tornando-a cada vez mais ciente de seu corpo... de cada poro, de cada pulsao. Com um gemido longo e baixinho, Diana rendeu-se 
 prxima fase da paixo.
Caine ouviu a mudana da respirao dela, a sutil alterao do ritmo do corpo. O desejo de Diana acelerou o seu. Conforme o desejo crescia, o gosto de Diana parecia 
mais doce e mais profundo. Ele continuou tocando-lhe a boca de leve, brincando com a lngua, enquanto entrelaava os dedos nos cabelos dela.
Deslizou para dentro do corpo de Diana lentamente. Ento, embora ela tenha se arqueado num convite, manteve o ritmo vagaroso, murmurando promessas contra os lbios 
doces quando Diana tremeu e pediu por mais. Quanto maior o desejo, maior se tornava a determinao de Caine por controle.
Saturada de desejo, ela murmurou o nome dele repetidamente, fazendo-o aquieta-la com um beijo longo e apaixonado. Achou que podia senti-la se derretendo, pois o 
corpo de Diana estava entregue e Caine sabia que no existia mais nada na mente dela seno aquele momento intenso. Foi ento que deu vazo s suas prprias necessidades.
A chama vermelha do fogo transformou-se num flash azulado que consumiu a ambos.


Onze

Teria levado dias para explorar cada cantinho da casa. Quanto mais Diana via do lugar, mais queria ver. Tinha passado a infncia e a adolescncia em salas e sales 
sofisticados, admirando pinturas de Reynolds ou Gainsborough, mas nada a preparara para o estilo de vida dos MacGregor. Havia tetos de seis metros com vigas arcadas 
e grgulas, portas de madeira entalhadas, lareiras de pedras... e muito mais. Se quisesse, podia seguir um corredor amplo iluminado com luz a gs e apreciar uma 
piscina fria ou uma Jacuzzi quente.
Diana estava to encantada pela casa quanto pelos prprios MacGregors. A famlia era uma mistura intrigante de um mundo moderno e primitivo. Acima de tudo, estava 
a fora de Daniel, o orgulho inato em sua herana, seu cl e seus filhos.
E estivera errada sobre uma coisa. Caine no era diferente ali do que era em Boston ou do que tinha sido em Atlantic City. Era ele mesmo, sem a necessidade de representar 
para pessoas diferentes. A segurana de sua infncia, os fortes elos de amor da famlia haviam lhe presenteado com isso.
Porque precisava pensar, Diana caminhou sozinha para o que Caine chamara de Quarto de Guerra. L, Daniel guardava sua coleo de armas... lanas, espadas, pistolas, 
rifles ornamentados e um pequeno canho. A lareira no estava acesa, por isso, o quarto estava frio. Raios de sol se infiltravam pela janela, fazendo sombras no 
piso de tbuas.
Ento, refletiu, admirando um faco com cabo de pedras preciosas, Daniel MacGregor tinha intenes em relao a ela e Caine. Mas Diana no permitiria que pessoas 
que mal conhecia tomassem decises que envolviam o resto de sua vida. Nunca tinha pensado em casar com Caine. Pelo menos, no seriamente, corrigiu-se. Afinal, casamento 
no significava dar uma parte sua a outra pessoa? H tanto tempo vinha lutando para manter aquela parte interior de si mesma preservada que, s vezes, esquecia-se 
de quem era Diana Blade.
Casamento significava risco... confiar plenamente no outro. No, havia apenas uma pessoa em que Diana podia confiar e com quem podia contar, e era ela mesma. Conhecia 
a dor de perder uma pessoa amada, o medo do abandono. No iria se permitir correr o risco novamente.
Amor. No iria pensar em amor, disse a si mesma quando olhou para a lareira vazia. No estava apaixonada por Caine. No escolhera se apaixonar. Mas uma certa emoo 
parecia querer lutar contra a lgica. Assustada, Diana a reprimiu. No estava apaixonada e no consideraria casamento. De qualquer forma, no era Caine quem a estava 
pressionando. Ele no pedira ou prometera nada.
- Sozinha, Diana?
Ela se virou, sorrindo, quando Justin entrou na sala.
- Estou fascinada por essa casa - disse ela. - Parece alguma coisa da Idade Mdia com alguns toques do sculo XX. Os MacGregors so pessoas encantadoras.
- A primeira vez que entrei aqui, perguntei-me se Daniel era luntico ou brilhante. - Com um sorriso charmoso, Justin olhou ao redor. - Ainda no me decidi.
- Voc realmente o ama, certo?
Justin arqueou uma sobrancelha com o tom srio da pergunta.
- Sim. Ele  um homem que demanda fortes emoes. Todos da famlia, alis. At Serena ser seqestrada, eu no tinha percebido que eles eram a minha famlia h dez 
anos. Eu gostaria que voc tivesse tido isso.
-Tive outras coisas. - Diana deu de ombros. - Fui auto-suficiente.
- E ainda  - murmurou Justin. - Voc pensa muito, Diana?
Ela ergueu a sobrancelha de uma maneira quase idntica ao irmo.    
- Voc tambm ps na cabea que tem de me unir a Caine?
Justin sorriu.
- Parece que vocs conseguiram fazer isso sozinhos.
- Isso  problema meu.
- Certamente. - Pondo as mos nos bolsos, ele a estudou. Diana estava irritada e, supunha, com medo. - Eu no estava a seu lado enquanto voc crescia. Talvez seja 
tarde demais para bancar o irmo mais velho, mas prometi ser seu amigo.
Ela o abraou rapidamente.
- Desculpe.  difcil para mim... tenho medo de precisar de voc.
- Ou de qualquer pessoa? - perguntou Justin, afastando-a para fita-la. Embora ela no tivesse respondido, ele viu a resposta nos olhos da irm. -  desconcertante 
ver muito de voc em outra pessoa - murmurou. - Diana, voc est apaixonada por Caine?
- No me pergunte isso. - Afastando-se, repetiu: - No me pergunte isso.
- Tudo bem. Mas posso lhe pedir que me conte sobre os anos que viveu com Adelaide?
- No - replicou Diana imediatamente. - Isso  passado. Acabou.
- Se tivesse acabado, voc me contaria, Diana. Eu no vou aconselha-la ou dizer o que deve fazer. Mas gostaria de lhe contar algo sobre mim. Eu estava apaixonado 
por Serena, mas no contei a ela. Na verdade, no admitia para mim mesmo. - Justin sorriu. - Eu nunca havia amado ningum. Voc, nossos pais... era tudo muito distante. 
Confessar meu amor por Serena foi uma das coisas mais difceis que j fiz.
- E quanto a Rena? - Diana quis saber. - Foi fcil para ela?
- Mais fcil, eu acho. - Justin sentou no brao de uma poltrona e acendeu um cigarro. - Ela se parece muito com o pai... mais do que os outros filhos. Demorou a 
admitir, mas quando foi me procurar em Atlantic City, j estava decidida que ficaramos juntos. O pequeno esquema de Daniel tinha funcionado.
- Esquema de Daniel?
Justin riu.
- Ele armou um plano inteligente para nos unir, me presenteando com uma passagem para um cruzeiro no navio em que Serena trabalhava.  claro que no me contou que 
ela trabalhava l, ou  filha que um amigo embarcaria. Contou com a qumica... ou com o destino, e teve sucesso.
- Destino - murmurou Diana com uma risada irnica. - O velho demnio.
Justin assentiu.
- Daniel sabe como conseguir o que quer. Todos os MacGregors so assim. - Ele olhou para a irm com carinho. - Assim como ns, quando reconhecemos o que queremos. 
- Levantando-se, passou o brao ao redor dos ombros da irm. - Vamos encontrar o cl, ou Daniel enviar um batalho de busca atrs de ns.
Havia alguma coisa diferente em Caine. Diana no sabia bem o que era, mas podia sentir. No comeo, pensou que talvez ele estivesse preocupado com o caso de Virginia 
Day, que iria a julgamento na semana seguinte.
Superficialmente, ele parecia relaxado, rindo com a famlia, provocando a irm. Mas havia um nervosismo que parecia tentar esconder. s vezes, ela o pegava olhando-a 
como se a estivesse vendo pela primeira vez, como se no tivessem compartilhado a maior intimidade como homem e mulher.
Houvera uma mudana e, se fosse honesta, admitiria ter sentido isso at mesmo na maneira como eles tinham se amado na noite anterior.
- Muito bem. - Satisfeito consigo mesmo, Daniel recostou-se em sua cadeira tipo trono com os presentes espalhados a seu redor. - A compensao de um homem por completar 
mais um ano.
-  claro que no tem nada a ver com o desejo bsico de abrir presentes - comentou Serena, cruzando os ps descalos sobre a mesinha de centro.
- Uma das experincias da minha vida tem sido crianas desrespeitosas - Daniel falou para Diana com um suspiro.
- A maldio dos pais - brincou ela, entrando no jogo.
- Pessoas do meu prprio sangue s vezes gritam comigo, e at me ameaam - continuou Daniel.
- Estou quase chorando - murmurou Serena.
- Posso entender isso em sua condio. - Daniel olhou para a filha seriamente. - Mas no esqueci como voc gritou comigo s porque eu comprei uma passagem para seu 
marido naquele navio. - Ele olhou para Diana. - Ela gritou comigo, e quebrou meia dzia dos meus cigarros.
- Deve ter sido difcil criar trs filhos to... volteis - disse Diana.
- Ah, eu poderia lhe contar histrias sobre esse a. - Daniel sorriu e apontou para Caine. - No nos dava um momento de paz, Anna pode lhe dizer. Ele foi travesso 
quando adolescente, e ento vieram as mulheres. Um desfile regular - anunciou o homem mais velho orgulhosamente.
- Um desfile - repetiu Diana. Ento olhou para Caine, a fim de sorrir-lhe, mas o descobriu fitando-a com aquela luz estranha nos olhos.
- Ns dois crescemos agora - murmurou Caine, e de repente cobriu-lhe a boca com um beijo longo.
- Bem - comeou Daniel quando Diana ficou silenciosa e envergonhada.
- Voc no experimentou o piano ainda - apontou Anna.
- O qu? - Ainda aturdida, Diana virou-se para ver o olhar compreensivo da me de Caine.
- O piano - repetiu ela. - Voc sabe tocar, no?
- Sim, sei.
- Pode tocar um pouco para ns, Diana? O piano  usado to raramente hoje em dia.
- Sim,  claro. - Aliviada, Diana levantou-se e atravessou a sala.
- Voc est pressionando as crianas -Anna sussurrou para o marido.
- Eu? Bobagem. Todos podem ver que eles...
- Por que no os deixa descobrir isso, sozinhos? Daniel resignou-se quando Diana comeou a tocar.
Ela estava grata pela distrao. Era mais simples permanecer composta quando tinha algo especfico para fazer. As notas lhe vieram com facilidade... resultado de 
anos de aulas e tardes dedicadas  msica. Talvez msica tivesse sido a nica coisa que agradara tanto Diana quanto  tia. Usava-a agora como usara no passado, como 
uma cortina para seus pensamentos e emoes privadas.
O que dera em Caine para beija-la ali? Diana no estava acostumada com demonstraes pblicas de afeto. Certamente no de maneira to tempestuosa quanto os MacGregors. 
E era sua imaginao ou o beijo tinha sido um gesto possessivo?
Talvez estivesse abalada pelas armaes no to sutis de Daniel. E pelas perguntas inesperadas de Justin.
Erguendo os olhos das teclas, encontrou os olhos de Caine. Ele estava silencioso, pensativo, tenso. O que no era tpico, pensou Diana. Alguma coisa poderia ter 
mudado durante a noite anterior, sem que ela percebesse?
Era melhor no ter ido, pensou. No devia ter se permitido encantar-se pelas excentricidades daquela famlia, pela proximidade e camaradagem. No devia ter testemunhado 
Caine naquele cenrio, longe do escritrio, de seu apartamento. Se no tomasse cuidado, talvez esquecesse dos prprios objetivos e regras.
Sucesso vinha em primeiro lugar. E sucesso era algo que demandava constante vigilncia. Alcana-lo, e ento mant-lo, exigiria todas as suas habilidades e uma quantidade 
considervel de tempo.
Quando escolhera advocacia, Diana tinha feito um pacto consigo mesma. No haveria complicaes pessoais interferindo em sua carreira. Mais uma vez, olhou para Caine. 
A tenso era quase palpvel. Assim como a sua.
Conforme tocava o piano, seus sentimentos se intensificavam. Por que se permitira envolver tanto? Tinha sua vida... um caminho traado que apenas comeava a seguir.
Diana acabou a msica e uniu as mos, descobrindo que no estavam to firmes.
- Isso foi um grande prazer - disse Daniel de sua cadeira. - Existe algo que traz mais contentamento a um homem do que uma mulher bonita e uma msica?
Com relutncia, Caine tirou os olhos de Diana e encarou o pai fixamente.
- Voc tem planos de sobreviver at o prximo aniversrio?
- Que conversa  essa agora? - perguntou Daniel irritado, mas ento hesitou. J plantara sementes o bastante por aquela noite. - Vamos tomar uma outra garrafa de 
champanhe com bolo - declarou. - Caine, ponha mais uma tora na lareira.
Quando a famlia saiu da sala, Serena parou perto do piano e apertou a mo de Diana.
- Ele  um velho intrometido, mas tem um bom corao.
Assim que a sala ficou silenciosa, Diana levantou e observou Caine adicionar madeira fresca ao fogo. A tenso j estava lhe causando dor de cabea.
- Voc quer bolo? - ofereceu Caine, ainda de costas para ela.
- No, obrigada.
- Mais um drinque?
- Pode ser. - Umedecendo os lbios, Diana procurou por algum tpico seguro. - Voc conseguiu a informao que queria com sua me sobre o caso Day?
- Apenas uma confirmao do carter de Francis Day. - Caine serviu-lhe uma taa de champanhe. - O marido internou Ginnie no Hospital Geral de Boston. Entretanto, 
no  nada que possa usar em litgio. - Quando ele lhe entregou o drinque, acariciou-lhe os cabelos num gesto habitual. Diana deu um passo atrs, Caine estreitou 
os olhos, mas no disse nada.
- Conseguir um ponto de vista objetivo antes do julgamento sempre ajuda - murmurou ela.
- Eu estou num julgamento, Diana?
Ela desviou os olhos.
- No sei o que voc quer dizer. Voc est se esquivando.
Aproximando-se, ele segurou-lhe a nuca, ento baixou os lbios para os dela. Sentiu a tenso sob os dedos, a resistncia ao beijo. Afastando-se, Caine sorriu com 
ironia.
- Sim, parece que estou. Mas no posso fazer minha declarao at que eu tenha certeza das acusaes.
- No seja ridculo. - Irritada, Diana deu um gole na bebida.
- No seja evasiva - devolveu Caine. - Pensei que j tivssemos passado desse ponto do nosso relacionamento.
- Pare de me pressionar, Caine.
- De que maneira?
- No sei... de todas as maneiras. - Ela comeou a andar. - Vamos esquecer isso, no quero brigar com voc.
-  isso que estamos fazendo? - Dando um gole, ele ps o copo de lado. - Bem, se , vamos fazer direito. Voc d o primeiro tiro.
- Eu no vou dar o primeiro tiro. - Abruptamente furiosa, ela se virou para encara-lo. - No vou ficar na sala de estar de seus pais e brigar com voc.
- Mas faria isso se estivssemos em outro lugar?
- Sim... no sei. Caine, me deixe em paz! -No, Diana. Quero saber por que est fugindo de mim.
- No estou fugindo, voc est imaginando coisas. - Ela deu um gole, nervosa, e virou-se de novo. Quando Caine tocou-lhe o ombro, Diana teve um sobressalto, ento 
amaldioou a si mesma.
- No est fugindo? - insistiu ele, tentando ignorar a mgoa. - Qual  o termo para isso?
- Oua, est tarde, eu estou cansada... - Diana tentou uma desculpa, sabendo que era fraca. Com um suspiro, afastou-se de novo. - Caine, por favor, no me pressione 
agora.
- Acha que estou pressionando voc, Diana? 
- Sim, est! Voc, sua famlia, Justin... cada um do seu prprio jeito. -Abaixando a taa, ela colocou as mos abertas sobre a mesa. - Caine, no podemos esquecer 
isso?
- Acho que no - disse ele querendo toca-la, mas respeitando a distncia que Diana colocara. - No  minha inteno pressiona-la, mas h coisas que precisam ser 
ditas agora.
- Por qu? - perguntou ela, virando-se. - Por que essa sbita urgncia? No havia complicaes quando estvamos em Boston.
- Que tipo de complicaes h agora? -No me analise, Caine.
- Por que no?
- Fico furiosa quando voc age assim. Sinto-me como se estivesse sob um microscpio desde que entrei nessa casa. Voc devia ter me avisado que eu estava no topo 
da lista do seu pai para o par ideal de seu segundo filho.
- Meu pai no tem nada a ver com ns dois, Diana. Lamento por ele no ser muito sutil, mas no tenho culpa disso.
- No quero suas desculpas - disse ela. - Mas teria sido mais fcil se eu estivesse preparada. Que coisa, eu gosto dele... e do resto da famlia. Mas no gosto dos 
olhares de especulao e das indiretas.
- O que quer que eu faa?
- No sei. Nada. - Diana moveu-se para perto da lareira. - Mas no sou obrigada a gostar disso.
- J lhe ocorreu que eu tambm posso no gostar? - Irritado, Caine a encarou. - J lhe ocorreu que posso no gostar de interferncias na minha vida, por mais bem- 
intencionadas que sejam?
- Eles so a sua famlia, portanto voc deve estar mais acostumado a isso do que eu. Passei vinte anos tentando conviver com os planos feitos pela minha tia. No 
cheguei at aqui para seguir os planos de uma outra pessoa.
- Dane-se sua tia! - explodiu Caine. - E todos que no sejam voc e eu. O que voc quer, Diana? Por que no fala de uma vez?
- No sei o que quero! - gritou ela, chocando a si mesma com a admisso. - At ontem eu sabia, mas agora... No posso lidar com o fato de outras pessoas querendo 
controlar a minha vida.
- Voc no pode lidar com isso - murmurou ele, ento deu uma pequena risada. - Ento lide com o seguinte: estou apaixonado por voc.
Diana o olhou em silncio, totalmente chocada. Perguntou-se se seu corao tinha parado ao perceber que no podia mover um nico msculo.
Eles se entreolharam, ambos plidos, com as emoes  flor da pele. Como tinha acontecido aquilo?, perguntou-se ela. E o que fariam agora?
- Bem, voc no parece feliz com isso. - Furioso consigo mesmo por ter se declarado, Caine se serviu de mais um drinque. Como poderia saber que aquele silncio doeria 
tanto? Por que havia esperado mais de trinta anos para dizer aquelas palavras e encontrar apenas vazio?
- No sei o que dizer ou como lidar com isso - murmurou Diana finalmente. -  mais fcil para voc. Houve outras mulheres...
- Outras mulheres? - interrompeu ele. Agora seus olhos pareciam mais furiosos do que nunca. Instintivamente, Diana deu um passo atrs quando ele se aproximou. - 
Como pode me dizer isso agora? O que posso fazer para reparar um passado que aconteceu antes de eu conhecer voc? E por que eu faria isso? - Ele segurou-lhe os ombros 
com fora. - Que coisa, Diana, eu disse que a amo. Eu amo voc.
Caine a beijou ento, com um misto de raiva e paixo. Aps um momento, Diana afastou-se com um protesto alarmado.
- Voc me assusta - ela disse, os olhos se enchendo de lgrimas enquanto os dois se entreolhavam, a respirao de ambos irregular. - Eu disse que voc no me assustava, 
mas era mentira. Voc representa tudo o que eu sempre quis evitar. No posso arriscar, entende, Caine? Minha vida inteira fiz tudo em funo dos outros. Agora que 
estou comeando a me encontrar, no posso corresponder s expectativas de uma outra pessoa.
- No estou lhe pedindo que atenda as minhas expectativas - disse ele. - Nunca pedi que voc fosse ningum alm de si mesma.
Talvez fosse a verdade daquilo o que mais a apavorasse. Diana passou a mo pelos cabelos, quando declarou o ltimo medo:
- Como saberei que voc vai ficar? Se eu me permitir am-lo, como saberei que um dia no vai aparecer uma outra mulher, e voc vai me deixar? Posso suportar ficar 
sozinha agora, mas no posso suportar ser abandonada de novo.
Caine lutou contra a sensao de sua prpria impotncia.
- Mais de uma vez pedi que voc confiasse em mim, Diana. No sou eu quem a assusta, e sim fantasmas e suas prprias dvidas.
Ela engoliu em seco, tentando reprimir as lgrimas.
- Voc no entende. Nunca perdeu tudo.
- Ento, voc pretende passar o resto da vida sem correr nenhum risco por que talvez possa perder? - Seus olhos endureceram. - Eu nunca a considerei covarde.
- Eu escolho os riscos que quero assumir - replicou ela. - No vou arriscar me machucar, e no vou arriscar minha carreira...
- Por que assume automaticamente que vou machuca-la? E o que sua carreira tem a ver com o fato de eu am-la? Tenho a mesma profisso, as mesmas demandas. Quem est 
lhe pedindo para escolher entre amor e advocacia?
- Estamos no meio do bolo e do champanhe e... - Serena parou quando chegou ao centro da sala, e olhou sem graa do irmo para Diana. -Desculpem - murmurou, sabendo 
que interrompera alguma coisa importante. - Direi a todos que vocs esto ocupados.
- No, por favor - disse Diana rapidamente. - Apenas diga-lhes que estou um pouco cansada. Vou subir agora. - Sem olhar para trs, saiu da sala.
- Oh, Caine, desculpe. Parece que entrei no pior momento.
- Tudo bem. - Ele bebeu o restante do vinho e completou a taa. - Ns dissemos tudo o que tinha de ser dito.
- Caine - comeou Serena, percebendo o estado perturbado do irmo. - Voc precisa desabafar ou quer ficar sozinho?
- Preciso de mais um drinque - respondeu ele, levando o copo para uma cadeira. - Preciso de vrios deles.
Serena sentou ao lado do irmo. 
- Voc est apaixonado por Diana? 
- Acertou em cheio. 
- E tem vontade de mata-la? 
- Acertou de novo.
-  fcil estar certa pois j passei por isso. No sei o que houve aqui esta noite, mas...
- Eu disse a ela, no meio de uma discusso, que a amava. - Caine deu um longo gole no drinque. - Parece que minha declarao no foi bem recebida.
- Vou fazer uma coisa que desprezo - disse Serena com um suspiro. - Dar-lhe um conselho.
-Esse  meu territrio, Rena. Poupe-o.
- Cale-se. - Firmemente, ela tirou-lhe o copo da mo e colocou-o sobre a mesinha, - D a Diana algum espao e algum tempo. Voc no  um homem fcil de amar na melhor 
das circunstncias. Sei disso.
- Aprecio seu testemunho.
- Caine, muita coisa mudou na vida de Diana rapidamente. Ela  o tipo de mulher que precisa tomar uma deciso de cada vez. Ou pelo menos pensa que .
Ele deu uma risadinha quando se recostou.
- Voc sempre soube julgar o carter de uma pessoa, Rena. Daria uma tima advogada.
- Isso ajuda na minha rea de trabalho, tambm. - Ela pegou-lhe a mo. - No a pressione, Caine. Deixe Diana combater as prprias tempestades internas.
- Acho que eu j a pressionei bastante. - Suspirando, ele fechou os olhos. - Meu Deus, isso di.
Serena queria conforta-lo, mas esforou-se para no faze-lo.
- O amor sempre di. Agora v para a cama - ordenou ela com firmeza. - Saber como agir pela manh.
Caine abriu os olhos novamente e levantou.
- Voc sempre foi mandona - disse ele indo para a porta. - E eu continuo adorando-a.
Serena sorriu-lhe docemente.
- Eu tambm.


DOZE 

Diana estava sentada na sala vazia do tribunal, sentindo-se dormente e nauseada. As mos cruzadas sobre a pasta estavam frias e inertes. Sabia que precisava se recompor, 
sair dali e ir para casa. Mas tambm sabia que, quando levantasse, suas pernas estariam trmulas e fracas. Continuou sentada, esperando que a sensao passasse.
A lgica lhe dizia que estava sendo tola. Deveria estar comemorando. Afinal, tinha vencido.
Chad Rutledge estava livre. O pai de Beth Howard enfrentaria acusao de perjrio. Assim como Beth, pensou Diana enquanto olhava para o banco de testemunhas vazio. 
Era improvvel que a garota fosse condenada. No quando diversas testemunhas haviam deixado claro que ela mentira sobre o estupro por puro medo. No quando todos 
tinham visto o quanto a pobre menina estava devastada.
No quando dzias de pessoas haviam assistido a advogada Diana Blade destru-la.
Diana podia ouvir o eco da prpria voz na sala silenciosa agora... fria, acusadora, cruel. Podia ver o rosto plido de Beth Howard, e as lgrimas quando confessara 
quase em estado histrico. Podia ouvir os gritos de Chad, suplicando que Diana a deixasse em paz. Ento, houvera um caos no tribunal enquanto Chad era refreado e 
Beth confessava a verdade aos prantos.
Quando a sala se esvaziou, Diana permaneceu ali para lidar com a vitria e com o preo desta em termos humanos. Nunca tinha se sentido mais perdida do que naquele 
momento. Queria chorar, mas no podia. Era profissional e lgrimas no tinham lugar. Precisava de Caine, pensou, fechando os olhos quando a inrcia deu lugar  dor.
No tinha o direito de precisar dele ou de us-lo como uma corda de salvamento quando estava afundando. Embora duas semanas tivessem se passado, ainda podia ver 
a expresso nos olhos dele na sala de estar da famlia MacGregor.
Mgoa. Ela o magoara e agora eles se tratavam como estranhos. Todas as vezes que Diana dizia a si mesma que era melhor assim, lembrava-se da expresso nos olhos 
de Caine e sentia uma onda de pnico.
Amor. No podia arriscar-se a am-lo. Seria melhor encontrar um novo escritrio, fora de Boston. Fugindo?, uma vozinha a questionou. Sim, era isso que tinha em mente. 
Se corresse rpido o bastante, poderia ser capaz de fugir de Caine. Mas no podia escapar de si mesma, que era exatamente o que estava fazendo.
Quando tinha comeado a am-lo? Talvez logo depois de seu primeiro encontro com Justin, quando Caine se mostrara to gentil e compreensivo. Ou talvez na praia com 
neve, quando ele a fizera rir e ento lhe despertara um desejo avassalador. Ela sabia o que estava acontecendo, mas, com medo, sempre negava as emoes.
Diana levantou e saiu do tribunal. Estava anoitecendo, e o vento era frio e cortante. Viu Chad sentado nos degraus do lado de fora do edifcio. Hesitou, incerta 
se era forte o bastante para um confronto, mas ento endireitou os ombros e desceu os degraus restantes.
- Chad.
Ele ergueu a cabea, olhando-a longamente antes de levantar.
- Eu estava esperando voc.
- Posso ver isso. Voc devia ter esperado l dentro.
- Eu precisava de ar. - Ele manteve as mos dentro do casaco pesado e a observou. - Eles no me deixaram ver Beth.
- Sinto muito. - Diana tentou omitir a emoo na voz. - Vou conseguir que voc a veja amanh.
- Voc no parece bem. 
Diana deu um pequeno sorriso.
- Obrigada. - Quando se virou, Chad segurou-lhe o brao.
- Srta. Blade. - Sem graa, ele soltou-lhe o brao e enfiou a mo no bolso. - Eu lhe dei muito trabalho l dentro. Suponho que tenha lhe dado muito trabalho o tempo 
todo.
- Esta  minha profisso, Chad. No se preocupe com isso.
- Foi horrvel ver Beth chorando - confessou o garoto. - Odiei voc por faze-la chorar assim. Quando vim aqui para fora, pensei em tudo que queria lhe dizer.
Diana assentiu.
- V em frente. Fale o que tem a dizer.
- Tive tempo para pensar. Acho que no fao muito isso. - Chad pegou um cigarro do bolso e o acendeu. - Tenho algo diferente a lhe dizer agora, srta. Blade. - Ele 
a olhou fixamente. - Voc salvou minha vida, e acho que a de Beth, tambm. Eu queria agradecer-lhe.
Incapaz de falar, Diana olhou para a mo que ele lhe estendia. Aps um momento, aceitou-a e foi cumprimentada com firmeza.
-Tudo em que eu podia pensar l dentro era que voc a estava ferindo. No podia enxergar nada alm. Sentado aqui fora, comecei a refletir sobre aquela cela, e como 
seria ficar preso pelos prximos vinte anos. Voc no imagina como  bom estar sentado aqui, sabendo que ningum vir me buscar e me prender. - Chad engoliu em seco, 
mas continuou segurando a mo de Diana. - Eu teria confessado o que no fiz por Beth, mas aps algum tempo, passaria a odi-la. E ela viveria com uma terrvel mentira 
corroendo-a. Beth no teria conseguido. Sei disso.
- Logo tudo isso estar acabado para Beth, tambm. - Com a mo livre, Diana cobriu as mos unidas dos dois. - Nenhum juiz ir puni-la por ter ficado apavorada.
- Se... ela tiver de ir a julgamento, voc vai ajuda-la?
-  claro, se ela quiser. E voc estar l para Beth tambm.
- Sim. Vou me casar com ela imediatamente. Dane-se o dinheiro, daremos um jeito. - Ele sorriu pela primeira vez. - Sempre achei que tinha de provar alguma coisa, 
sabe? Para Beth, para mim mesmo, para o mundo. Engraado, agora no parece mais importante provar que posso fazer tudo sozinho.
Diana meneou a cabea.
- No - concordou. - Suponho que apenas tolos pensam assim.
- No ser fcil com Beth terminando a escola. - Chad sorriu de novo. - Mas estaremos juntos, e isso  tudo o que importa.
- Sim. - Ela soltou-lhe as mos e as deixou cair na lateral do corpo. - Vale a pena, Chad? O risco, a dor?
Ele inclinou a cabea e inspirou o ar frio da noite.
- Vale a pena qualquer coisa. Tudo. - Com um sorriso brilhante, acrescentou: - Voc vai ao casamento, srta. Blade?
Diana sorriu e deu-lhe um beijo no rosto. 
-  claro que irei ao seu casamento, Chad. Agora v para casa. Amanh ver a sua garota.
Diana voltou para o carro, percebendo que a sensao de nusea tinha passado. Assim como a ameaa de dor de cabea. Eles eram to jovens, pensou enquanto dirigia, 
e j enfrentavam problemas to difceis. Entretanto, o brilho que vira nos olhos de Chad a fez acreditar. Eles haviam corrido riscos juntos, e se houvesse justia, 
venceriam.
E quanto a voc?, questionou-se. Est determinada a ser uma tola ou vai enfrentar os riscos? O quanto do sangue dos Blade, sangue de guerreiros, havia nela? Talvez, 
como Chad, estivesse considerando viver numa priso. Havia certa segurana para compensar a falta de liberdade.
Palavras penetraram-lhe a mente. Justin lhe dizendo que o amor vinha facilmente para algumas pessoas, mas no para eles. Caine furiosamente declarando seu amor e 
pedindo-lhe para confiar nele. Podia ouvir a prpria voz dizendo-Ihe que no podia arriscar ser abandonada. E no estava abandonada agora?, perguntou-se. Sozinha 
e sofrendo de amor, mas deixando que velhos medos regrassem sua vida? Fazendo isso, estava quebrando a promessa mais importante que fizera a si mesma. De ser Diana 
Blade.
Ela pretendia ir para casa, mas de repente encontrou-se na rua do escritrio. Instinto?, perguntou-se, vendo o carro de Caine estacionado l. O que diria a ele? 
Diana parou o carro.
O primeiro andar estava escuro e silencioso. Subindo a escada, ela tirou o casaco. Provavelmente, era o momento errado, pensou, mas continuou subindo.
A porta da sala de Caine estava aberta. Hesitante, ela o estudou atrs da mesa. Ele estava de cabea baixa, olhando alguns papis. Um cigarro descansava abandonado 
no cinzeiro. Enquanto observava-o, ele passou uma mo pelos cabelos, ento pegou a xcara de caf sem olhar para cima.
Caine parecia cansado, como se no viesse dormindo bem. O caso Day poderia estar indo mal? De repente, ele praguejou baixinho e esfregou a mo no rosto.
Preocupada, Diana deu um passo  frente.
- Caine?
Ele ergueu a cabea e a olhou por um longo momento.
-Diana - murmurou friamente. - Eu no esperava que voc voltasse aqui hoje.
Ela procurou por algo para dizer.
- Chad Rutledge foi absolvido.
- Parabns. - Caine recostou-se e estudou-a com aparente falta de emoo. Ela estava ainda mais linda que no dia anterior? Mas enlouquecer em am-la dia aps dia, 
e no ser amado em retomo?
- A coisa foi feia - disse ela. - No estou particularmente orgulhosa do jeito que tratei Beth Howard.
Caine cerrou os punhos. A vulnerabilidade de Diana continuava abalando-o.
- Quer um drinque?
- No... Sim - decidiu ela. - Eu pego. - Movendo-se para a estante do outro lado da sala, Diana achou uma garrafa e serviu-se, sem ter idia de que tipo de bebida 
era. Todas as palavras que queria lhe dizer estavam presas na garganta. Umedecendo os lbios, tentou quebrar a tenso que pairava no ar.
- O caso Day est lhe dando muitos problemas?
- No realmente. Est quase terminado. - Ele deu um gole no caf e o achou frio e amargo. Combinava com o seu humor. - Coloquei Ginnie no banco dos rus hoje. Ela 
foi difcil, antiptica e perfeitamente acreditvel. O advogado de acusao no pde abalar o testemunho dela.
- Ento, voc est confiante sobre o veredicto? - Virgnia Day ser absolvida - declarou ele.
- Mas no receber justia. - Com o olhar interrogativo de Diana, Caine levantou. - Legalmente, ela ser livre, mas as pessoas a vero como uma mulher rica e mimada, 
que assassinou o marido e se livrou. Posso mant-la fora da cadeia, mas no posso inocenta-la.
- Um advogado que admiro uma vez me disse que  preciso manter a objetividade nessa profisso.
Caine a fitou, ento deu de ombros.
- O que ele sabe, afinal?
Diana ps o copo sobre a mesa e se aproximou.
- Por que no me deixa pagar-lhe um drinque e um jantar?
Ele necessitava toca-la. Mas o medo da rejeio era maior.
- No. - Caine foi para trs da mesa. - Tenho muito trabalho esta noite.
-Tudo bem. Vou ver o que tem na geladeira l embaixo.
- No.
A nica palavra pronunciada duramente a deteve. Registrando a dor, virou-se e olhou para o fogo, at que estivesse certa que sua voz no tremeria.
- Voc quer que eu v embora,  isso? 
- Eu lhe disse, estou ocupado.
- Eu poderia esperar - murmurou ela. - Podemos jantar mais tarde no meu apartamento.
Caine a olhou. Ela estava lhe oferecendo a oportunidade de voltar ao que era antes. Divertimento, jogos e nenhuma complicao. Comum suspiro, fitou as prprias mos. 
Quantas vezes durante as ltimas duas semanas tinha pensado em Diana, sobre as coisas que acontecera entre os dois? Quantas vezes tivera vontade de procur-la, mas 
ento resistira, lembrando que o amor no podia ser uma coisa forada ou implorada?
- Obrigado pela oferta - respondeu, ele brevemente. - Mas no estou interessado.
Diana fechou os olhos, surpresa, mais uma vez de como palavras podiam machucar.
- Eu o magoei muito, Caine. No sei se h um jeito de desfazer isso.
Ele deu uma risada cnica.
- No preciso de sua pena, Diana.
Irritada, ela se virou.
- No se trata disso...
- Esquea.
- Caine, por favor.
- Esquea isso, Diana! - Lutando por controle, ele pegou o caf de novo. - V para casa. Preciso trabalhar.
- H coisas que tenho de lhe dizer.
-Talvez eu no queira ouvi-las. Desnudei minha alma para voc - disse Caine antes que pudesse evitar. - Fiz papel de tolo, e j ouvi por que voc no pode me dar 
o que quero. No acho que posso suportar ouvir novamente.
- Pare de dificultar as coisas para mim - gritou Diana.
- No ligo a mnima para voc no momento. - Furioso, ele segurou-lhe o brao e a puxou para si.
Antes que pudesse raciocinar, Caine a estava beijando quase com brutalidade. Esqueceria o amor, disse a si mesmo. Se isso era tudo o que Diana queria, iria dar-lhe. 
Deixaria o desejo e a frustrao domina-lo, ignorando os protestos de Diana at que ela estivesse tremendo em seus braos. Numa onda de desgosto, empurrou-a. Amor, 
deu-se conta, no podia ser ignorado.
- Saia daqui, Diana. Deixe-me sozinho. Tremendo, ela segurou no espaldar da cadeira. 
- No at que eu termine.
- Certo. Ento voc fica e eu saio. Mas Diana chegou antes  porta, fechando-a e encostando-se contra a madeira.
- Sente-se, cale-se e me oua.
Por um momento, Diana pensou que ele usaria a fora para tira-la do caminho. Mas ento Caine enfiou as mos nos bolsos.
- Certo, fale.
- Sente-se - repetiu ela. 
- No abuse da sorte. Diana ergueu o queixo.
-Tudo bem, ficaremos de p. No vou me desculpar pelas coisas que falei duas semanas atrs. Minha carreira  vital, porque  algo que constru por mim mesma. E confiar 
em algum  a coisa mais difcil do mundo para mim.
- timo. Agora saia do caminho.
- Eu no acabei! - Ela engoliu em seco, ento se pegou dizendo: - Acho que est na hora de sermos parceiros.
- Parceiros? - A fria nos olhos de Caine foi substituda por confuso. - Meu Deus, depois de tudo o que lhe falei, voc est aqui me propondo uma sociedade profissional?
- Isso no tem nada a ver com profisso - replicou ela. - Eu quero casar com voc.
Diana observou os olhos de Caine estreitarem-se, at que no foi capaz de ler nada ali.
- O que voc falou?
- Estou lhe pedindo que case comigo. - Ela manteve o olhar fixo nele e perguntou-se por que suas pernas no tremiam.
Ele arqueou as sobrancelhas, o corpo imvel. 
- Voc est me pedindo em casamento? Diana sentiu-se enrubescer e no sabia se era de vergonha ou de irritao.
- Sim, acho que fui perfeitamente clara.
Ele riu, baixinho no comeo, ento com mais sentimento. Passando as mos pelo rosto, virou-se e andou at a janela.
- Qual  a graa? - Diana cruzou os braos sobre o peito e se sentiu uma tola.
- Eu no sei... - Caine continuou olhando pela janela enquanto tentava ordenar os pensamentos. Depois de duas semanas de puro sofrimento, ela de repente aparecia 
l e o pedia em casamento. - De alguma maneira, isso me parece at engraado.
- Nesse caso, vou deixa-lo sozinho para apreciar sua piada. - Ela pegou a maaneta, mas assim que abriu a porta, Caine estava l, fechando-a novamente.
- Diana...
- Saia - exigiu ela e tentou empurra-lo. 
- Espere. - Segurando-lhe os ombros, Caine a pressionou contra a porta. - Vamos sempre estar com intenes contrrias? - Os olhos no sorriam agora, mas estavam 
mortalmente srios e cautelosos. - Eu gostaria de saber por que voc quer casar comigo.
Diana o fitou por um momento, ento engoliu o orgulho.
- Porque eu sabia, depois das coisas que me disse, que voc no ia me pedir. Achei que no tinha me perdoado.
Ele meneou a cabea, pressionando-lhe mais os ombros.
- No seja ridcula, no  uma questo de perdo.
- Caine... - Ela queria toca-lo, mas no tinha certeza se seus toques seriam bem-vindos. - Magoei voc.
- Sim, voc me magoou muito. 
- Desculpe - sussurrou Diana, mas no foi pena que ele viu nos olhos dela. Sentiu a primeira onda de alvio.
-Voc no respondeu a pergunta, Diana. Por que quer casar comigo?
- Suponho que eu precisava de uma promessa - comeou ela, sentindo medo novamente. - Acho que quando as pessoas moram juntas,  fcil demais partir...
- Voc sabe que no  isso o que quero ouvir. Por qu, Diana?
Ela sentiu o medo se transformar em pnico. 
- Eu... No conseguindo, fechou os olhos.
- Fale - exigiu Caine.
Diana abriu os olhos e o encarou. Uma vez que as palavras fossem ditas, no haveria retorno. Para ela, seria comprometimento completo. Ele tambm sabia, percebeu... 
e precisava disso. Por que havia sido to tola em pensar que era a nica que tinha medo?
- Eu amo voc - sussurrou, ento exalou o ar, com o qual o medo se foi. - Oh, Caine, eu o amo. - Diana caiu nos braos dele e comeou a rir. - Amo voc - repetiu. 
- Quantas vezes quer ouvir isso?
- Eu lhe direi em um minuto - murmurou ele, encontrando-lhe os lbios. Com um gemido de prazer, de alvio, de felicidade, a puxou para mais perto. - Fale de novo 
- exigiu contra a boca de Diana.
Ela riu e o empurrou at que os dois estivessem deitados no tapete.
- Eu amo voc. E se eu soubesse como seria bom dizer essas palavras, teria dito muito antes. Caine - segurando-lhe o rosto com ambas as mos, Diana o fitou seriamente 
-, conhece-lo, estar a seu lado, foi a melhor coisa que j me aconteceu, mas parecia mais seguro fingir que eu podia viver sem voc.
Pegando-lhe a mo, ele pressionou os lbios na palma.
- Ainda no posso lhe dar garantias, Diana. Posso apenas am-la.
- No quero garantias. No mais. Vou lutar por voc, MacGregor. - Lentamente, ela deslizou as mos pelas costas largas. - E vou vencer.
Caine tirou-lhe o casaco enquanto usava os lbios para provoca-la.
- Esta  uma noite de primeiras vezes - murmurou. - Primeira vez que recebo um pedido de casamento. - Ele comeou a abrir os botes da blusa de Diana. - Primeira 
vez que consigo tirar essas trs palavrinhas de voc. - Seus lbios seguiram a trilha dos dedos. - E a primeira vez que fazemos amor no escritrio.
Diana suspirou quando removeu a camisa dele.
- Ainda resta uma pergunta, advogado.
- Humm?
- Voc no respondeu se aceita a minha proposta de casamento.
- Voc no deveria me dar um tempo para pensar? - Ele mordiscou-lhe o lbulo da orelha.
- No.
- Nesse caso, eu aceito. - Caine ergueu a cabea, e um brilho de divertimento iluminou-lhe os olhos. - Voc pretende dar mais um herdeiro  famlia MacGregor?
Com as plpebras semicerradas, ela deu um sorriso preguioso.
- Com toda certeza. Tenho uma boa linhagem. Rindo, ele beijou-lhe o pescoo.
- Diana, voc fez do meu pai um homem muito feliz.


NORA ROBERTS

ORGULHO & PAIXO

(Livro III)

Ela gemeu. Um som baixo e gutural que era mais uma exigncia do que uma rendio. Ento, suas bocas se uniram, indo do desejo  paixo no instante em que se tocaram.
Alan sabia que a boca de Shelby seria assim, quente e sfrega. Que o corpo dela se amoldaria ao seu, macio e forte. Teria sido por isso que acordara naquela manh 
pensando nela? Teria sido por isso que se vira parado diante da loja dela enquanto a tarde se transformava em noite? Pela primeira vez na vida, achou que as razes 
no importavam. Estavam ali abraados, e isso era o bastante.
Os cabelos ruivos exalavam aquele cheiro indefinvel do qual se lembrava. Alan mergulhou as mos nos fios sedosos como se quisesse que a fragrncia lhe impregnasse 
os poros. Isso fez com que o beijo se aprofundasse. Ele sentiu a lngua de Shelby tocando a sua, buscando, procurando, at que o gosto dela se transformou em todos 
os gostos que jamais desejara. As almofadas farfalhavam com sussurros macios, enquanto ele a apertava contra o peito.
Shelby no esperava aquele tipo de paixo crua e arrebatadora por parte de Alan. Estilo, sim. Estilo e seduo com todos os trmites tradicionais. A isso poderia 
ter resistido. Mas no havia como resistir a um desejo que a golpeara to de repente Como escapar de uma paixo que j a havia capturado? Ela deslizou as mos pelas 
costas nuas de Alan e gemeu ao perceber que a carcia o excitou.
Ali estava algo espesso e firme demais para ser moldado. Aquele homem se fizera aparentar como bem quisera. Shelby compreendeu aquilo instintivamente, e sentiu o 
desejo aumentar. Mas com isso veio a conscincia de que estava se tornando muito malevel muito flexvel. E, ento, veio o medo de que ele pudesse ter conseguido 
mud-la com apenas um beijo.
- Alan... - disse, lutando para resistir, enquanto todo o seu corpo clamava pela rendio. -... j basta - conseguiu dizer.
- Ainda no - corrigiu ele, abraando-a ainda mais forte no momento em que ela deveria ter lutado para escapar.
Ele a estava beijando outra vez, quase a levando a perder o controle da situao.
- Alan. - Ela conseguiu se afastar o suficiente para ver o rosto dele. - Quero que pare. - Sua respirao estava instvel, os olhos enevoados, mas a resistncia 
em seu corpo era muito real. Alan sentiu uma pontada de raiva, que controlou habilmente, e uma punhalada de desejo, com a qual foi mais difcil lidar.
- Certo. - Ele a libertou. - Por qu?
Era raro ter que ordenar a si mesma que fizesse algo to natural quanto relaxar. Mesmo aps conseguir, ainda havia uma faixa clara de tenso na base de seu pescoo.
- Voc beija muito bem - disse ela, com uma casualidade forada.
- Para um poltico?...
